O teu sistema de orientação é único

Numa altura em que, de algum modo, ainda predomina entre as pessoas uma comunicação que incita: à preocupação, ao incómodo, ao julgamento, à culpa (própria), ao culpar (o outro), ao medo e à angústia… entre outros, compreendo perfeitamente que, quando nos deparamos com mensagens que mencionam que a solução reside no lado do nosso bem-estar, consideremos que isso é, no mínimo, esquisito e um tanto ou quanto sem noção.

No entanto, no exato momento em que me encontro a escrever estas palavras, sinto que compreendo tudo isto de um modo como nunca abrangi. E é precisamente pelo facto de a minha clareza se ter expandido neste saber que considero que, mesmo podendo ficar na iminência de ser encarada como um pouco crazzy por alguns, enquanto me conseguir manter no embalo do momento do bem-estar, vou aproveitá-lo. Não só para que possa ir nutrindo a sua continuidade, mas também para o ir partilhando com quem aqui chegar, pois acredito que, para quem estiver na proximidade destas ideias, possa acontecer exatamente o mesmo: mais clareza, mais sintonia e mais momentos de alinhamento e de conexão com quem realmente Somos e com o que realmente Sabemos. Para além disso, também me parece bastante provável que a quantidade de pessoas recetivas a esta informação possa estar em vias de aumentar. Se não, vejamos, imagina que, logo no início da situação, alguém te perguntava: o que é que consideras que toda a atenção e preocupação vão fazer com o problema? Vão aumentá-lo ou vão diminui-lo? O que é que terias respondido? E se fosse agora? Se alguém te perguntasse agora: o que é que toda esta atenção e preocupação fizeram com o problema? Aumentaram-no ou diminuíram-no? O que dirias?

Lembra-te de ter presente que não se trata aqui de obter respostas certas ou erradas. Nem sequer se trata de obter respostas unissonantes. Portanto, é quase garantido que as respostas possam variar de pessoa para pessoa mas, também é quase certo que, depois de todos estes meses de contacto com a situação, nos acresça toda uma experiência de várias experiências vividas que nos adicionaram mais conhecimento e saber. E por aí creio que, após esta soma, seja mais fácil para as pessoas, na sua generalidade, perceberem que colocar um foco constante num problema só contribui para ir tornando esse problema maior.

Com tudo isto, espero que percebas que não estou a ambicionar que consideres o problema em causa como inexistente. Antes pelo contrário. É perfeitamente normal que tenhas uma opinião (ou várias) sobre o tema, assim como é perfeitamente válido, e até vantajoso, que nas observações que estabeleces sobre ele, sejas capaz de identificar e enumerar diversos aspetos que não gostes ou com os quais não te identifiques.

Eu própria tenho a minha opinião formada sobre o assunto em particular. Porém, não tenho qualquer intenção de vir para aqui partilhá-la. Até porque, a minha opinião, no que a ti diz respeito, é completamente irrelevante. E sabes porquê? Porque na tua vida, sejas tu quem fores e estejas em que circunstâncias estiveres, só a tua opinião importa.

Ora bolas! A rapariga deve mesmo estar a dar o tilt. Não sei o que é que é mais estranho: ela dizer que a solução reside no lado do meu bem-estar ou ela dizer que, em cada situação da minha vida, só a minha opinião importa… 🙂

Pois é! Disse, escrevi, afirmo, sublinho e reafirmo: na tua vida, independentemente das circunstâncias nas quais estás inserido, só a tua opinião importa. E porquê? Porque essa é a única opinião, a única forma de pensar, que podes realmente sentir.

E apesar de, no nosso dia-a-dia, termos um certo hábito de ir dando por adquirido que sabemos o que se passa com os outros, na realidade, conseguimos apenas ir compondo uma mera ideia, provavelmente muito vaga e fugaz, daquilo que com eles se sucede. E se estás na dúvida, diz-me lá: achas que consegues saber, com precisão, o que é que o pai, a mãe, os filhos, os tios, os amigos, os avós, o cão, o gato, o periquito… (quem for), pensa? Hum?

Será que consegues saber, minuciosamente, os pensamentos que lhes passam pela mente? Será que consegues sentir, exatamente, aquilo que eles sentem?

Pois é! Não há hipótese. E ainda bem. Aliás, este é um dos motivos pelos quais referi, no texto anterior, que tens em ti o melhor sistema de orientação do mundo, Universo e arredores. Aquilo que tu sentes, em relação às tuas opiniões e pensamentos, só tu podes sentir. E assim como tu não tens a capacidade de pensar e sentir por ninguém, também ninguém tem a capacidade de pensar e sentir por ti.

Consegues sentir o quão especial isto é?

O teu sistema de orientação é único. Tão único que funciona só contigo.

Essa bússola que reside em ti é tão única, que é só para ti que ela está disponível.

Contudo, e isto é mesmo (mesmo, mesmo) importante, lembra-te: não há um só ser, que habite este planeta, que não esteja igualmente dotado de um incrível e infalível sistema de orientação.

Portanto, a questão que se coloca é: tens andado a usar o teu?

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Imagem retirada do freepik

A tua bússola

O tema que se tornou num dos mais predominantes das nossas vidas está quase a fazer 1 ano. Durante este tempo todo praticamente não me pronunciei sobre ele. Contudo, neste momento, tornou-se inevitável não o fazer. É que mesmo sem assistir a noticiários e sem dar muita atenção a muita da contra e informação que é partilhada nas redes sociais, tenho de admitir que, foi-me impossível não reparar no tremendo movimento de “apontar o dedo” que nelas começou a fervilhar nas últimas semanas.

Acredito que a maioria das pessoas que adotou essa postura seja bem-intencionada e considere que, nas diversas formas de manifestação desse gesto, resida uma demonstração de que estão posicionadas no lado da solução. Todavia, também acredito que, muitas delas, ao contrário daquilo que consideram, não estão efetivamente nesse lado da questão. Estar sedento por uma solução não é o mesmo que estar no lado dela. Esse sentimento de ansiedade ou outro que nos cause desconforto, em relação ao tema, é precisamente aquilo que nos faz permanecer no lado do problema.

E embora eu entenda que haja benefício na existência de um problema, assim como há vantagens em tornar um problema maior (algo que poderei vir a abordar numa próxima), dei por mim a ponderar que, ao fim de quase um ano, se calhar já fazia sentido as pessoas começarem a posicionar-se mais no lado da solução ou, pelo menos, lá perto. E foi assim que quebrei um pouco o meu “silêncio” e nasceu uma espécie de “passo-a-passo”, resultante de seis publicações (de Foco I a Foco VI) que estão disponíveis na página do facebook e no instagram. No entanto, como os leitores não são exatamente os mesmos em todas as plataformas, acabei também por sentir o impulso para escrever sobre o tema aqui no blogue.

Após esta breve contextualização quero apenas dizer-te que, com isto, não tenho qualquer pretensão de te dizer onde estás – problema ou solução – dado que isso é algo que só tu podes saber. Aquilo que pretendo é somente enfatizar a circulação de um conhecimento que, no fundo, é inato a todos nós mas que, ao longo do tempo das nossas vidas, por tanto nos termos disponibilizado a seguir orientações exteriores, fomos esquecendo.

Compreendo que aquilo que vou escrever possa ser encarado como demasiado simplista por alguns, ainda mais numa altura em que o problema está tão grande e em possíveis vias de crescer ou, melhor dizendo: como consequência do desenvolvimento de um hábito de desabituação e de desuso de uma sabedoria que está contida em cada um, e face a um problema que é considerado tão grande, aquilo que vou escrever pode ser considerado demasiado simplista por alguns.

Mesmo assim considero que vale a pena fazê-lo, até porque, embora um simples passo não te faça chegar ao final da caminhada, o certo é que, sem um simples passo dado de cada vez, também não haveria uma caminhada concretizada. Portanto, é necessário que nos lembremos que simplicidade não é sinónimo de ineficácia e que, começar por onde nos é mais acessível, é requisito necessário para irmos adquirindo estabilidade em relação ao sítio onde poisamos o pé a cada passada.

Por isso, cá vai:

Tens em ti o melhor sistema de orientação do mundo, Universo e arredores.

Não importa quem sejas, a tua condição ou circunstâncias de vida, TU, sejas tu quem fores, que estás neste momento a ler estas palavras, tens um sistema de orientação infalível que te permite, a cada instante do dia, perceber em que direção estás a seguir.

Para além de infalível, essa tua incrível bússola interna é de fácil utilização e está sempre presente. Sempre disponível para ti. Tanto, que quase que me atreveria a afirmar que não há nada neste mundo que tenha mais disponibilidade para ti do que o teu magnífico sistema de orientação. E apesar das devidas diferenças na sua composição, o modo de funcionamento dos seus elementos é deveras semelhante ao de uma bússola tradicional. Ou seja, a agulha é o teu sentir, os pontos cardeais são as emoções e o Norte, aquele ponto de referência que te permite saber se vais ou não na direção pretendida, é o teu bem-estar. E aqui é relevante que saibas que tudo – absolutamente tudo aquilo que tu sentes – é sempre (sempre, sempre, sempre) em relação à distância a que te encontras do teu bem-estar.

Assim sendo, se pretendes saber de que lado da questão estás – problema ou solução -, bastará então que repares na forma como te sentes em relação ao tema. E é por isto que digo que o teu sistema de orientação é de fácil utilização pois, com estes conceitos todos presentes, a interpretação do resultado é tão óbvia, que não deixa qualquer espaço para dúvidas: se estiveres próximo do teu bem-estar, estarás mais perto da solução. Por outro lado, se estiveres afastado do teu bem-estar, estarás a sentir desconforto e esse é precisamente o indício de que estás na zona do problema.

E antes que levantes outras questões que, por sinal, são perfeitamente legítimas, por enquanto, experimenta ficar aqui só um bocadinho:

– Não é bom saber que, sempre que preciso, tenho algo que me indica onde estou a cada momento?

– Não é bom saber que, com a minha bússola, tenho sempre a indicação daquele que é o melhor caminho a seguir?

Eu cá acho que é!

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

(A)Deus

Por estes dias cruzei-me com uma frase. Duas, para ser mais precisa. Facto que, por si só, nada tem de surpreendente nem de novo. Afinal, num só dia, todos nós nos cruzamos com incontáveis frases ou expressões.

Estava escrita em inglês. Ok, também não é motivo para grande espanto.

Era formada por dez palavras. Apenas dez. Um número que se mantém muito igual a si próprio após a devida tradução para português. E, mesmo assim, foi inevitável. No momento em que li tão breve conjunto de palavras, uma sensação de reverberar trespassante arrebatou-me. Poder-se-ia dizer que foi algo muito semelhante ao que se sente num ápice de epifania, contudo, não se tratou de um momento em que eu estivesse a apreender, de forma inesperada, o significado de uma qualquer coisa. Foi mais um entusiasmo que se avivou na constatação de se poder definir, de modo tão singelo, aquilo que é largamente considerado como uma grande e abstrata ideia:

“Deus é uma frequência que existe dentro de ti. Sintoniza.”

(God is a frequency that exists within you. Tune in.)

E embora, não só neste texto mas também no meu dia-a-dia, eu me sinta um pouco reticente na utilização desta palavra – Deus –, pela noção dos muitos significados que lhe são atribuídos, alguns dos quais um tanto ou quanto pejorativos, mesmo assim, fascina-me que a grandeza possa ser explicada de modo tão simples, tão lúcido, tão “pequeno” e nem por isso perder a sua imensidão.

Também não é minha intenção introduzir aqui qualquer teor religioso. O “Deus” julgador, punitivo, que atribui mais valor ao ser humano pela sua capacidade de sofrer e de se sacrificar, constituiu uma parte considerável dos ensinamentos que me foram transmitidos (e provavelmente a ti também) nos meus primeiros anos de vida. Porém, no meu íntimo, sempre que me deparava com eles, ocorria uma clara divisão. Se, por um lado, uma parte minha sentia curiosidade e interesse em tentar perceber melhor esse “Deus”, que me era dado a conhecer através das perspetivas das pessoas que me eram mais próximas, por outro lado, havia uma parte minha que sentia uma ausência de bom senso num Criador que, por nos querer tanto bem, castigava a sua própria criação caso ela não se comportasse em conformidade com as suas imperiosidades. Por outro lado ainda, sempre me senti seduzida por aquilo que os meus sentidos conseguem capturar e interpretar de toda esta imensa Criação, na qual, ao mesmo tempo, somos seres inseridos e integrantes. Um apelo que acredito ser comum a todos nós. Não deve haver um ser-humano que, de algum modo, não sinta em si um fascínio inato pelo mistério que é este incrível sistema que chamamos de Universo. E é este, aliás, o termo que gosto de utilizar: Universo.

Um sistema que, quanto mais atentamos nele, mais nos é difícil não o considerar como vasto, em expansão, enérgico, em movimento, inteligente, consciente… vivo, entre tantas outras qualidades que aqui poderiam ser enumeradas. Creio que nos é praticamente impossível observar o que nos rodeia e não considerar que, algures no tempo, ocorreu um momento de criação. E tenha sido ele um Big-Bang ou não, facto que também não é relevante pois, ao contrário do que por vezes consideramos, o entendimento de um passado tão longínquo não é assim tão determinante para a forma como podemos avançar no futuro, o certo é que, reconhecer a existência de um momento de criação, envolve o reconhecimento da existência de um criador.

E do mesmo modo que não nos é relevante a construção daquilo que seria apenas mera uma imagem do momento da criação, também não nos é necessário debatermo-nos com o entendimento de como terá sido – e seja – esse criador.

Criação e Criador acabam por se fundir numa mesma entidade. Universo, chamamos-lhe, mas, tal como muitos também designam, pode perfeitamente chamar-se de Deus. Irrisória questão de nomenclatura para essa energia que te corre no Ser. De que importa o nome, quando pulsa, em cada célula tua, a mesma energia que cria estrelas, rios, mares, montanhas, criaturas e vegetação de toda a espécie, planetas, galáxias… mundos.

És feito – tudo em ti – dessa poderosa energia que cria mundos. Ela não está só em todo o Universo exterior que te envolve. Ela também habita, palpita, expande, vive… em ti. Por isso, e como tudo o que é energia vibra e como tudo o que vibra tem uma frequência, pode-se afirmar que sim, que Deus (o Universo, a Fonte ou outro nome qualquer que lhe queiras atribuir) é uma frequência que existe dentro de TI.

E, nem por acaso, deparei-me com esta frase a poucos dias do final de 2020. Um ano que, sem dúvida alguma e independentemente dos motivos, marca a história de cada um de nós. Um ano em que muita desta energia, que não só te rodeia mas também vive em ti, foi fortemente impulsionada e está num fluxo de movimento crescente. Um ano em que, tenhas ou não noção, tornaste-te mais. Maior. E é por tudo isto que, no momento do Adeus, agora, talvez mais do que nunca – e aproveitando o trocadilho que surge aqui facilmente – valha a pena lembrares-te de ir em direção a Deus. Afinal, tu tens esse poder em ti. Tu ÉS parte desse poder.

Sintoniza. Sintoniza em ti. Sintoniza-TE.

E depois, com confiança, segue em frente para 2021.

Votos de um bom ano.

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Fotografia de Joel Santos:

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O barco é o mesmo. E?

Começo este texto assumindo, desde já, que não tenho uma resposta concreta para a pergunta que ficou a pairar no final do texto anterior.

Apesar de afirmar convictamente que sim, pedimos pelo que está a acontecer, não tenho como te enumerar os motivos exatos pelos quais todos nós nos estamos a deparar com esta realidade.

E é precisamente este último ponto que, quanto a mim e por muito estranho que possa parecer, é um dos mais interessantes face à atual conjuntura: trata-se de algo que está a tocar a todos. Sem exceção.

Tal como refere a expressão com a qual já me cruzei algumas vezes por estes dias, e se calhar tu também, “estamos todos no mesmo barco”.

Porém, será que a viagem tem de ser igual para todos? Melhor ainda: será que há mais-valia na possibilidade de estarem todos a usufruir de uma experiência de viagem que seja exatamente igual?

E entendo que o que se segue possa levar a crer que me estou desviar da rota que vinha a ficar definida – não estou e as pecinhas deste puzzle acabarão por encaixar (se bem que, não necessariamente neste texto) – mas, por agora, consideremos efetivamente um barco

Imagina um barco no qual viaja um número substancial de pessoas. Não precisa de ser uma embarcação muito grande, nem de ter a lotação esgotada. Também não há aqui necessidade de fazer distinção entre tripulação e passageiros. Vamos apenas ter em conta um grupo de pessoas (provavelmente algum clandestino 🙂 ), de diversas idades, dentro de um barco a navegar, enquanto vão a observar a paisagem e a elaborar ideias, imagens – quadros mentais, digamos assim – sobre aquilo que as rodeia.

Desta forma, não há qualquer dúvida de que o cenário é o mesmo para todos os presentes. Certo? Estão dentro do mesmo barco, a velocidade a que ele segue também é igual para todos, assim como o mar e a restante paisagem envolvente.

No entanto, mesmo reconhecendo a igualdade das condições será que, nas suas observações, todas as pessoas formam a mesma ideia sobre aquilo que as rodeia?

Imagina-te a parar o movimento desse barco, de modo a que cada pessoa fique estática no seguimento do movimento que estava a desenvolver (como às vezes vimos nos filmes). Imagina ainda que, neste instante de pura imobilidade, tu consegues entrar no barco e recolher os quadros que, mediante os dados captados pelo seu campo de observação, cada pessoa tinha acabado de elaborar.

Agora que estás na posse de todos os quadros, e vais poder apreciá-los um a um, tendo em conta que o cenário era igual para todas as pessoas, o que achas que vai acontecer?

Parece-te que vais encontrar o mesmo tipo de imagem em todos? Ou será que vais obter um conjunto de imagens tão diversificadas, que o melhor a fazer seria mesmo organizar toda uma exposição?

Não sei para onde tenderá a tua resposta mas, palpita-me que há a possibilidade de estares com um novo negócio em mãos. É bem capaz que a quantidade de imagens diferentes seja mais do que suficiente para preencher os lugares de exposição numa bela galeria. Algo que, aliás, me inspira a próxima questão.

Que exposição te iria entusiasmar mais ao visitar: aquela que tem a mesma imagem em todos os quadros ou aquela que tem imagens diferentes em cada quadro?

E como há características que nos são transversais creio que é altamente elevada a hipótese de, todos os que por aqui passarem, considerarem muito mais rica e entusiasmante a exposição com maior diversidade de quadros.

Porém, voltando ao exemplo do barco, se o cenário até é o mesmo para todos os envolvidos, como é que pode surgir tanta diversidade de imagens entre os seus passageiros?

E por esta altura talvez já estejas a antever que, se a intenção for obter uma resposta pormenorizada, a tarefa ficará árdua. É que tentar elaborar uma explicação detalhada seria o equivalente a tentar descrever, num só texto, uma daquelas imagens dos jogos Onde está o Wally?

 Estás a imaginar? Minha nossa…

 Contudo, como este é um espaço onde pretendo manter a simplicidade de ideias, vou enumerar apenas alguns pontos, só para ficarmos com uma panorâmica do processo ocorrido.

Tomemos, por exemplo, o momento em que paraste o movimento do barco. E creio que vale a pena ter em conta que estamos apenas a referirmo-nos a uma ínfima fração no tempo. Um mero segundo… Um segundo em que, seja ele qual for, no instante em que páras o barco e escolhes focar-te na direção de um ponto qualquer do seu espaço, não é possível que encontres duas pessoas, a ocupar exatamente o mesmo lugar, ao mesmo tempo. Este facto, por si só, já impossibilita a existência de duas imagens minuciosamente iguais. Imagina isto aplicado a tooodo o barco…

Dependendo de ser dia ou noite, de as pessoas estarem a dormir ou acordadas, das diversas atividades que poderão estar a realizar, da forma como estarão distribuídas pelas diversas divisões – quem está no interior de uma divisão não tem o mesmo ponto de vista de quem está no convés, quem está na proa não tem o mesmo ponto de vista de quem está na popa, quem está na cabine não tem o ponto de vista de quem está na zona da copa (já deu para ficar com uma ideia, não é?) -, dependendo de um tanto, que nem vale a pena tentar quantificar neste texto, estamos claramente num mesmo barco mas… com uma infinidade de pontos de vista possíveis.

E por muito que a localização de uma pessoa esteja na proximidade de outra – o que reforçaria a ideia das condições serem mesmo iguais para ambas – mesmo assim, fosse qual fosse o momento, não ia haver duas imagens exatamente iguais. Sabes porquê? Porque uma pessoa pode escolher colocar o foco no tecto, outra no chão, uma na forma da janela, outra na paisagem que dá para ver através dela… Enfim, trata-se de uma lista cujos itens aumentam exponencialmente, em proporção com a atenção que pode ser dada aos mais variados pormenores.

Falando em pormenores, a dimensão deste texto indica-me que chegou o momento de levar este barco até ao próximo porto.

E enquanto ele segue viagem, pode ser que agora, após este breve exercício, te sejam mais percetíveis as bases que me levam a afirmar que realmente pedimos pelo que está a acontecer e que a tarefa para tentar enumerar os motivos exatos, pelos quais todos nós nos estamos a deparar com esta realidade, pode ser de tal modo exaustiva, que talvez nos seja mais gratificante considerá-la impossível.

Todavia, não é no impossível que pretendo que fiques. Por isso, antes de desembarcares, sugiro uma recordação que vale a pena guardares na tua bagagem. Afinal, algo que este barco nos ajuda a perceber é que, em qualquer momento, existe toda uma infinidade de quadros que podemos pintar.

Isto soa-te a restrições ou a possibilidades?

Hummm…

Em mim desperta aquele vibrante e, ao mesmo tempo, suave vislumbrar de que estes… podem ser grandes tempos!

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Pedi e recebereis – tão antigo, tão atual

“Pedi e recebereis”.

Acho que tenho pensado nesta expressão todos os dias.

Uma expressão que atravessou gerações e sobreviveu a centenas e centenas de anos. Uma expressão retirada de um livro antigo, que visava doutrinar, e embora inspirado na história de um homem e daqueles que consigo se cruzaram, está muito provido, na sua génese e difusão, de vários interesses – essencialmente económicos e com a finalidade de oprimir – de muitas outras pessoas.

Uma expressão retirada de um livro escrito numa época diferente da atual, onde as questões que se colocavam também eram diferentes daquelas que se colocam agora.

Uma expressão retirada de um livro, que para além de conter muitos outros livros dentro, também já foi sujeito às mais diversas traduções (quem conta um conto…).

E apesar de tudo o que acabei de enumerar, este livro retrata alguns factos aos quais, por ainda estarmos em rescaldo de época pascoal, se torna inevitável que eu lhes faça referência pois, para muitos de nós, ainda é nos seus relatos de opressão e de sofrimento – ainda é na cruz – que se coloca o foco durante estes dias.

Na cruz. No sacrifício. Na dor. No não há valor sem provação…

Contudo, sente a expressão: “Pedi e recebereis”.

Soa-te a sacrifício? Soa-te a sofrimento? Soa-te a provação?

Não, pois não? E que bom sinal é que assim seja!

É certo que o homem a quem estas palavras são associadas viveu numa época, em que algumas pessoas tinham tamanha desarmonia consigo mesmas, que crucificavam outras. Também é certo que o homem a quem estas palavras são associadas, por motivos que só a ele disseram respeito, acabou por ficar compatível com a manifestação desse evento na sua vida. E mesmo nesse momento, também lhe ficaram associadas estas palavras: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem.”

Talvez continuemos sem saber…

Provavelmente, na nossa grande maioria, ainda não sabemos que o reino dos céus está realmente entre nós. Dito de outro modo, talvez mais atual: o poder está em cada um de nós!

O poder… está em ti!

Alguém que conseguia afirmar que basta pedir para receber, sabia, indubitavelmente, do poder que cada um de nós poderia (ter) SER.

E tenho de fazer aqui um breve desvio. É que estou a escrever isto num dia em que já me cruzei com diversas fotos de cruxifixos no facebook e estou a dar por mim a pensar: este homem, numa altura em que cruxificavam pessoas, teve a coragem de exercer a sua essência e de tentar inspirar os outros para o real poder que existia neles. E o que é que alguns de nós continuam a fazer até hoje? Está certo que é em sentido figurado mas, também é certo que continuamos a escolher colocá-lo na cruz… Bolas…

A imagem da cruz embutida de contornos que representam uma figura humana, pintada de forma a evidenciar alguém que foi deveras maltratado, continua a ser o símbolo ao qual associamos este homem. Contudo, será que consegues olhar para este símbolo sem ativar em ti uma ideia, uma sensação, de alguém que está a sofrer?

Será que percebes que, caso te foques nesse símbolo desse modo, sentindo mesmo que seja apenas um resquício de uma ideia de sofrimento, quem está a carregar uma “cruz”, de peso variável e completamente desnecessária, és tu?

E se ativas em ti uma ideia de algo doloroso, diz-me, estás a conectar-te com a tua sensação de poder ou estás a afastar-te dela?

Muitos de nós fomos treinados para a ideia de que não há mérito sem sofrimento, porém, observa: costumas sentir-te poderoso quando estás a sofrer?

Creio que a tua resposta irá ao encontro daquilo que eu também considero. Se te focas em algo doloroso, sentes isso mesmo: dor. Desconforto. E consoante a dimensão desse desconforto, há uma grande probabilidade de, nesse momento, sentires a tua Vida como sendo um fardo. Pesado. Se te focas no peso da cruz, quem o carrega és tu!

E será que sabes o que é esse sentimento de desconforto realmente te indica?

O teor desagradável dessa sensação tem o dom maravilhoso de te mostrar que estás a ir na direção oposta de quem realmente ÉS. Estás a ir na direção oposta do teu poder.

E tu és um ser poderoso.

E sem pretender escolher por ti, creio que já vai sendo tempo…

Já vai sendo tempo de poisar as nossas “cruzes” e de deixarmos cair em desuso expressões como: “é a minha cruz” ou “que grande cruz que carrego”. Se não és tu quem as utiliza, quase de certeza que à tua volta alguém o faz. Não é? 🙂

Já vai sendo tempo de nos focarmos na verdadeira leveza do nosso Ser.

Já vai sendo tempo de, de cada vez que nos lembramos deste outro ser humano, no qual residia o mesmo poder que reside em ti, o fazermos pelos ensinamentos que ele nos tentou transmitir nos momentos em que estava conectado com a sua verdadeira energia.

Já vai sendo tempo de, embora em sentido figurado, o tirarmos da cruz também. E voltando às tais fotos dos cruxifixos que me apareceram, tenho de referir que houve um detalhe que captou a minha atenção. Aquilo que considerei interessante neles todos foi que, para além da madeira, os únicos elementos que lhes serviam de decoração eram: flores, fitas, corações e, acreditem ou não, um deles até duas laranjinhas (maravilhosas e já com os seus instantes de fama) acolhia.

Já ia sendo tempo…

Já vai sendo tempo de começarmos a perceber que basta realmente pedir para receber…

“Pedi e recebereis”.

O que é que estas palavras te transmitem?

A mim, pela minha atual perceção, esta expressão transmite uma ideia de facilidade. De leveza. Espelha uma fluidez de ordem natural das coisas… Mais do que isso, há Amor ali contido. Se me basta pedir, então “alguém/algo” está atento ao meu pedido. Se me basta receber, então “alguém/algo” está disposto a dar-me o que pedi.

E olhando para o panorama atual do mundo, talvez estejas a questionar: como é que pedimos por isto tudo?

Pois é! Para uns, vai soar contraditório. Para outros, vai fazer algum ou todo o sentido. O certo é que pedimos.

Pedimos.

Estamos a receber.

E mais está a caminho.

E mesmo assim, acredita – ou pode ser que até o estejas a sentir -, estes podem ser grandes tempos.

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Parece que minha tendência de escrever o texto seguinte em continuidade com o anterior se mantém! 🙂 Contudo, optei por deixar de colocar essa divisão no título. Soa-me melhor que cada texto tenha o seu próprio título, em vez de ser uma “parte” (1.ª, 2.ª, 3.ª …).

E por agora, na minha intenção de dar continuidade a este texto, espero que nos voltemos a cruzar por aqui. Obrigada pela visita e até breve!

Susana Martinho

Estes podem ser grandes tempos

Neste momento, atrever-me-ia até a escrever, e com clara convicção: estes, SÃO grandes tempos.

E são grandes tempos que, sem ser mera coincidência, coincidiram com o tempo que no calendário assinalamos como sendo a quaresma.

E com uma quarentena na quaresma, e sem qualquer teor religioso, tenho dado por mim a pensar com frequência na expressão: “pedi e recebereis…”

Uma expressão que a história nos faz chegar como tendo sido proferida por um ser humano que habitou este mesmo planeta, há mais de 2000 anos. Um ser humano que, já na altura e no recurso ao seu próprio vocabulário (sem termos técnicos e demasiado elaborados), falava daquilo que só muito recentemente começou a ser validado pela ciência. Um ser humano que, muito provavelmente, talvez tenha sido das pessoas mais conectadas que passou por este mundo. Um ser humano que, tal como cada um de nós, era um criador da sua realidade (e sabia-o). Um ser humano que, por muito conectado que conseguisse estar, também tinha momentos em que se focava em pensamentos/situações que lhe causavam desconforto e se distanciava de quem realmente era. Um ser humano, de quem alguns seres humanos decidiram contar a história, colocando o foco a incidir no seu momento de maior desalinhamento (cruxificação), para que ficássemos distraídos do poder que realmente (temos) somos e para o qual, esse ser humano, tantas vezes tentou chamar a nossa atenção. Um ser humano que, independentemente das virtudes que lhe atribuíram, foi, sem dúvida, um marco na história da humanidade.

Algures por entre estes pensamentos também dei por mim a ponderar que, mais de 2000 anos volvidos e, por muito que se continue a falar neste ser humano incrível, parece-me que ainda não nos é fácil acolher o significado do que ele tentava transmitir. É impressionante perceber que, já naquela altura, ele falava daquilo que a física quântica nos dá a conhecer hoje em dia e, apesar de todos os avanços tecnológicos que facilitam, não só a divulgação da informação, como a oportunidade de visualizar “realidades” difíceis de percecionar só com o tradicional uso do nosso sistema ocular, ainda reside em nós tanta resistência em acreditar, ou pelo menos em dar o benefício da dúvida, à existência do que existe e que não conseguimos ver.

Nós e a nossa tendência de querer ver para crer

(Felizes os que acreditam sem terem visto”)

E a forma como nos agarramos a essa necessidade de querer ver para crer, colocando nessa matriz tudo o que queremos considerar como real, acaba por ser um meio através do qual inserimos mais resistência do que aquela que é necessária no nosso próprio caminho. Afinal, por muita validação científica que haja hoje em dia, o certo é que, ao nível quântico tudo é demasiado minúsculo para poder ser otimizado pelo nosso sistema de visão. E nós, nesta nossa persistência de querer ver para aceitar como realidade, somos capazes de estar a ignorar muita realidade que é real – existe, está ao nosso lado. Mais do que isso: faz parte daquilo que nós somos – embora não seja visível a olho nú.

Porém, também é certo que, se viemos ao mundo num formato que não nos permite ver tudo o que nos rodeia, é porque nos é vantajoso que assim seja. Tanto por questões de sobrevivência, como de evolução e, acima tudo, de expansão.

Expansão. Como gosto da sensação desta palavra.

Esse movimento maravilhoso, que sentimos a pulsar em nós, e que mais não é do que a Vida, o próprio Universo, a alongar-se, a seguir em frente… a criar-se.

E cada um de nós, individualmente (haja redundância para reforçar as ideias 🙂 ), nesta nossa condição humana, contribui imenso para este movimento de expansão.

Somos todos seres incríveis!

E embora eu já tivesse alguma noção, só muito recentemente é que comecei a considerar com mais consciência, que um dos meios para que esta expansão se concretize é o recurso à perspetiva e ao foco de cada um de nós.

Tal como escrevi no texto anterior:

“Neste instante, agora – e em qualquer instante a que, daqui em diante, possas chamar “agora” – a tua perspetiva da Vida é única.

A imagem que está formada na tua mente, neste preciso momento, sobre a Vida, sobre o mundo – sobre o que for – é tua. Tão tua.

Não há, no Mundo, alguém que consiga formar uma imagem que seja, de-ta-lha-da-mente, igual à tua. Por outro lado, sem ti, essa observação da Vida não teria acontecido. É pela tua maneira de observar a Vida e de construir imagens, tão únicas, que a Vida acontece.”

E é precisamente aqui que me apraz referir duas expressões. Uma que se insere no âmbito religioso e outra referente ao campo da ciência e, pelo menos para mim, na junção da interpretação que faço do significado das duas, surge a evidência de que não há separação. Não se trata de religião. Não se trata de ciência. Trata-se de, de algum modo, nos reconhecermos pelo que realmente somos. E nós somos tão mais do que aquilo que a nossa visão alcança…

Ei-las: “Pedi e recebereis” e “A realidade depende do observador”.

Experimenta colocar a tua atenção no sentimento que surge em ti enquanto lês cada uma delas.

  • Pede e receberás.
  • žA realidade depende da forma como a observas.

E mesmo que estas construções frásicas te pareçam disparatadas, considera, só por um instante, que assim é.

Será que sentes? Burburinha em ti uma sensação de empoderamento?

Sentes que há uma parte tua que reconhece que há sentido nestas palavras?

Se o sentiste, sabes que é uma sensação que tem o seu quê de maravilhoso. Desfruta dela. Deixa surgir o sorriso e, como a coisa já vai longa… “não percam o próximo episódio, porque nós, também não!” 😉

Pela (re)conexão com o Amor que Somos, com leveza.

Susana Martinho

O Valor que temos

No decorrer destes meses em que estive sem publicar no blogue, sempre pensei que, quando a vontade regressasse, iria retomar o ponto onde fiquei. Contudo, após escrever a mais recente Vitamina de Poder (na página do facebook), tem sido à volta desse tema que a minha mente tem andado a cirandar.

E de algum modo até faz sentido que ocorra aqui um entremeio, no espaço que vai da primeira à segunda parte, nesta história de contarmos a história do modo como queremos que ela seja. Afinal, não será o valor que achamos que temos, um dos alicerces sobre os quais erigimos o enredo da história em que se vai tornar a nossa vida?

Quando estabeleces metas, objetivos – e a aquela expressão que se tornou na minha favoritasonhos do que pretendes alcançar, não o fazes sempre dentro dos limites do valor que consideras que tens?

Porém, será que sabes o valor que realmente tens? Mais do que isso, será que sabes o valor que realmente ÉS?

E com franqueza, por muitas palavras que eu consiga escrever e por muito bem coordenadas que as consiga colocar, o certo é que, com toda a certeza, ficarei muito aquém de conseguir explicar esse valor que realmente tens/ÉS.

Esse valor que realmente tenho/SOU…

No momento em que dou azo à formulação deste texto, espero apenas conseguir vislumbrar, no meu sentir, aquilo que esse mesmo sentir me indica que é somente uma pontinha desse valor. E torço para que, desse lado, tu, que me acompanhas na leitura, também sintas esse movimento a ocorrer em ti.

E se és daqueles leitores que me tem acompanhado neste percurso da escrita – se és recém-chegado, bem-vindo 🙂 – , parte do que se segue não será novidade, pois já o escrevi antes, em pequenas reflexões soltas (as tais das Vitaminas). Contudo, há palavras que ficam associadas a sentimentos que, quanto a mim, vale a pena reunir e voltar a vivenciar. Assim sendo, aqui vai:

Ao contrário do que por vezes possas ter sido incutido a pensar, o teu valor não reside em algo que te é dado ou que possas obter por um qualquer mérito alcançado através de esforços despendidos.

O teu valor é algo que já é teu.

Sempre foi.

O teu valor reside em ti desde que nasceste. Acredito que até antes disso.

 Nesta medida não entra, portanto: o teu género, idade, profissão, estatuto, história de vida… ou uma outra qualquer classe em que costumamos catalogar as pessoas. Catalogarmo-nos.

Acaba, inclusive, de me ocorrer uma classificação que é deveras usual: boas pessoas – más pessoas.

E estando o valor que temos/somos, sempre associado ao que merecemos alcançar/receber, quase de certeza que, para além do teu género, idade, profissão e estatuto, foi na tua própria história de vida que encontraste evidências de que o valor das pessoas não se mede pela sua inclusão numa destas categorias: boa – má.

Por aí, as pessoas são como a Vida… e a Vida é como as pessoas. A Vida nem é boa, nem é má. A Vida simplesmente É! As pessoas simplesmente são.

E é precisamente no Ser, independentemente daquilo que achas que és, que tu tens valor.

Estejas onde estiveres na Vida, sejam as circunstâncias que te rodeiam as que forem, neste exato momento: TU tens Valor!

Neste instante, agora – e em qualquer instante a que, daqui em diante, possas chamar “agora” – a tua perspetiva da Vida é única.

A imagem que está formada na tua mente, neste preciso momento, sobre a Vida, sobre o mundo – sobre o que for – é tua. Tão tua.

Não há, no Mundo, alguém que consiga formar uma imagem que seja, de-ta-lha-da-mente, igual à tua. Por outro lado, sem ti, essa observação da Vida não teria acontecido. É pela tua maneira de observar a Vida e de construir imagens, tão únicas, que a Vida acontece.

A Vida acontece através de TI.

É nesta tua unicidade de Ser que reside o teu valor.

É por seres único que és valioso. É por seres único que és merecedor.

E é somente por isto – ou talvez seja somente por tudo isto – que tu podes contar a história da tua vida exatamente como queres que ela seja.

E a questão que fica agora a pairar em mim, coloco-a a ti também: andas a contar uma história digna do teu valor?

Pela (re)conexão com o Amor que Somos, com leveza.

Susana Martinho

Conta a história do modo como queres ela que seja – 1.ª parte

Pois é! O meu foco para continuar a escrever sobre esta temática permanece, assim como algum sentimento de oposição em levar a ideia avante.

Creio que a minha resistência se baseia essencialmente em argumentos como: “Que evidências (daquelas bem notórias) tens tu neste momento na tua vida, que possas mostrar aos outros, para validar aquilo que andas para aqui a escrever?” e na constatação de que a minha resposta é: “Não tenho!”

Neste instante, não há nada que eu possa deixar aqui que te sirva – e a mim também – como prova física e palpável da ideia que estou a tentar transmitir. Aproveitando-se desse facto a resistência abarca território e tenta levar-me a consolidar, que é realmente estapafúrdia, esta ideia de querer utilizar a imaginação como um veículo para ajudar na concretização daquilo que pretendo vivenciar, naquilo que consideramos como sendo o mundo real.

Contudo, não teremos nós feito isso a vida toda? Não terão sido todas as situações que vivemos o resultado de histórias que, de algum modo, fomos contando a partir do nosso imaginário? E não reconheces tu a resistência como uma personagem deveras ativa e presente em muitas dessas histórias?

Todavia, e por muito que nos sintamos tentados, não façamos dela a vilã da nossa narrativa. Até porque isto não é uma história sobre vilões, vítimas ou heróis. E embora qualquer um destes papéis seja eventualmente desempenhado por cada um de nós em certos momentos da nossa vida, neste continuo novelo que é o movimento da Vida a criar-se e a expandir, a vasta história que é contada por todos os elementos, todas as células, todos os átomos e partículas, é precisamente acerca disso mesmo: criação… e expansão. E assim sendo, numa história com tal enredo, somente podemos falar de criadores.

Sim! Estou a afirmar que, naquela que é a história da minha vida, sou eu quem cria a minha realidade.

Naquela que é a história da tua vida, és tu quem cria a tua realidade.

E como seres viventes de vidas dentro da Vida, que criamos na Criação, creio que este é mesmo o papel mais incrível que poderíamos desempenhar.

E se evidências são necessárias – as tais materiais, físicas e palpáveis – não precisas de te movimentar mais do que uns milímetros – ou talvez nem precises de te mexer – tal é a proximidade a que elas estão de ti. Afinal, não há peça de roupa, mobiliário, eletrodoméstico, artefacto, ferramenta, filme, música, quadro, livro, escultura, o que quiseres nomear, que não tenha tido início precisamente no campo da imaginação. Numa intenção

Tudo no Universo começa com uma intenção e as situações que se manifestam nas nossas vidas, que acabam por se tornar naquilo a que chamamos realidade, não constituem exceção.

Posto isto, será que costumas tomar atenção às histórias que tens andado a contar? Mesmo que essas histórias residam apenas no campo do teu pensamento, será que tens prestado atenção à forma como te sentes, à medida que vais desenvolvendo o enredo daquilo que vais contando?

Daquilo que vais criando…

Sem pretender generalizar, creio que passamos demasiado tempo a contar histórias que não nos servem. E não nos servem nem no serviço que nos prestam, nem no seu tamanho diminuto no qual insistimos em caber. Um tamanho tão reduzido e minguado, em que cada um de nós se tenta apequenar e rotular, só porque, de algum modo, fomos incentivados a acreditar nas histórias que outros contaram. Ilusórias narrativas em que escolhemos não só acreditar, mas recontar, e que nos vão mantendo tão aquém do tamanho que realmente temos.

Do tamanho que realmente somos.

E nós somos grandes.

Enormes.

Do ponto de vista quântico, nós somos infinitos!

Por isso, prepara-te!

Prepara-te para te preparares em não insistir mais em caber naquilo que não te serve.

Prepara-te para estares pronto.

Prepara-te para estares pronto a começar a contar a tua história… exatamente do modo como queres que ela seja.

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

Começa a contar uma nova história

Embora o início do ano já tenha ocorrido há algum tempo, e a temática das resoluções seja um mote muito presente no assinalar da passagem de um ano para o outro, o certo é que, apesar de só o estar a concretizar agora, esta questão do “contar uma nova história” tem sido o tema que tem marcado presença na minha mente desde os finais de Dezembro.

No que respeita a resoluções, se já na passagem de ano anterior tinha sido pouco dada ao seu estabelecimento, desta vez, simplesmente nem o fiz. Este facto deveu-se essencialmente à forma como interpreto o significado da palavra quando associada a esta festividade. Regra geral, neste contexto, a palavra “resolução” remete para algo que é necessário resolver, superar, ultrapassar…

Por norma, isso costuma ser sinónimo de estarmos diante daquilo que tendemos a considerar como um problema. E como aquilo em que nos focamos é para onde se direciona a nossa energia, se estivermos voltados para um problema, ou para algo que, na nossa perceção, precisa de ser resolvido ou superado, não nos conseguimos focar nas soluções. Como consequência, e apesar de já estarem à nossa disposição, não conseguimos aceder às respostas que tanto almejamos receber.

Posto isto, aquilo que fiz, e que se pode assemelhar à tomada de uma resolução, foi somente ter presente esta ideia do começar a contar uma nova história.

Parecia simples.

Parece.

É simples.

(É que é mesmo simples! 🙂 )

Contudo, e como se pode constatar pelo intervalo temporal, tenho-me deparado com uma dificuldade considerável em levar esta ideia avante…

Ou não estivesse eu a dar azo, e a proporcionar um tempo de antena deveras centralizado, à sempre tão presente companheira de jornada desta vida: a resistência.

É que essa bendita tagarela insiste em focar-se naquilo que classificamos como aspetos negativos! O que até pode ser tolerado com alguma leveza quando ela o faz com o que está a ocorrer no momento atual. Contudo, ela é engenhosa o suficiente para ter a capacidade de ir buscar os eventos já idos e nós, na atenção que lhes prestamos, trazemos o passado para o presente e fazemos do presente o passado.

E é assim que, talvez sem termos noção disso, continuamos a contar – e a viver – uma e outra vez, a mesma história… Pode mudar o espaço, pode mudar o tempo, podem mudar os personagens – os secundários, pelo menos -, mas a narrativa na qual eu sou ou, no teu caso, tu és, o personagem principal, continuará, seguramente, a seguir o mesmo fio condutor.

Já tiveste evidências disso, não já? É quase certo que sim!

À medida que avançamos pelo caminho da Vida vamos enraizando em nós esta tendência para nos focarmos naquilo que percecionamos como sendo a realidade, ao mesmo tempo que, gradualmente, permitimos que diminua o ênfase, que outrora atribuíamos, à nossa capacidade de imaginar. De sonhar

Porém, se o nosso verdadeiro trabalho é Ser, é Sonhar é que é mesmo -, não deveríamos estar precisamente a seguir a via inversa e a nutrir a nossa capacidade de traçar as vias, os enredos, as histórias, dos sonhos que queremos manifestar?

Se tivesses a certeza que contar a história, mesmo que seja só na tela da tua imaginação, é o suficiente para ficares mais alinhado com a concretização do teu sonho, não estarias disposto a fazê-lo?

Imaginar apenas.

É tão simples, não é?

E talvez seja precisamente devido a essa simplicidade que a voz da resistência – que para além de tagarelar adora complicar 🙂 – se erga de modo tão firme e nós, no esforço que estabelecemos por escutá-la, tenhamos o dom de nos posicionar sempre como o principal – e único – obstáculo entre o ponto da história onde estamos e a história que queremos realmente viver.

Portanto, mesmo que a resistência pareça determinada em te fazer crer que as circunstâncias estão todas reunidas para colaborar na validação da realidade como realmente real, ou mesmo que algumas pessoas te considerem demasiado fantasioso e coloquem diante de ti palavras como “fica lá com a fantasia e a pouca realidade”, mesmo assim: experimenta!

Abre, literalmente, as asas da tua imaginação. E à medida que ela levanta voo por entre as páginas daquele que é o guião da tua Vida, lembra-te que o poder de autoria é teu.

Só teu!

E que pouco importam as páginas rasgadas ou as palavras rabiscadas.

Tu és o autor.

E na criação daquela que é a tua maior obra tens o poder de começar a contar uma nova história.

Sempre que quiseres.

Diverte-te a fazê-lo! 😉

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

A Luz brilha mais… na escuridão

Nesta altura do ano, sempre que me deparo com as iluminações de Natal que enfeitam as ruas, nos seus diversos formatos, coloridos e cintilares, dou por mim a constatar que, na nossa condição humana, somos seres naturalmente atraídos e fascinados pela Luz.

Tudo o que cintila, brilha e ilumina detém a capacidade de nos cativar a atenção e os demais sentidos.

Lembro-me que, quando criança, um dos meus maiores encantos pela época natalícia era precisamente o apreciar do cintilar das luzinhas, que acendiam e apagavam, sempre no seu piscar compassado, na árvore de Natal lá de casa. Era capaz de permanecer diante dela num estado contemplativo e por tempo indeterminado, completamente envolvida pelas cores, pelo brilho e pelo tremeluzir daquelas pequenininhas lâmpadas que, de algum modo, sentia que ajudavam a aflorar uma sensação de plenitude que emanava do meu coração.

Na realização daquele singelo ritual havia um qualquer sentimento de paz e de união, que se difundia em mim, e que me evocava a sentir-me bem mais Eu.

E apesar de sermos muito mais alinhados com quem realmente somos quando somos crianças, uma das evidências de que o nosso desejo de alinhamento prevalece enquanto adultos, é precisamente a permanência deste nosso fascínio pela Luz.

Foi num dia da semana passada que, já de noite, enquanto cumpria com o parar e abrandar que sempre nos é sugerido pela luz vermelha de um semáforo, dei por mim a reparar nas iluminações de Natal que por ali se encontravam. Mais concretamente, reparei numa estrutura que tinha inúmeras luzinhas de tom branco/prateado, que cintilavam de forma intermitente, ao longo dos seus cerca de 3 metros de altura. No decorrer daqueles segundos reparei ainda que aquela estrutura nunca ficava sem brilhar, porque sempre que uma luzinha se apagava logo outra se acendia, e a sua presença sempre permanecia. De seguida, também reparei que o brilho daquelas luzinhas só podia ser tão evidente porque era de noite e que aquela estrutura, mesmo com os seus cerca de 3 metros de altura, só se tornava tão visível e com um porte tão demarcado, precisamente porque a sua luz estava envolta em escuridão…

Poucos dias depois, com o ocorrer do solstício de Inverno, achei muito giro perceber que acendemos todas estas luzinhas, justamente na altura do ano em que os dias vão ficando cada vez menores e as noites mais longas. Porém, e de modo inevitável, após a noite mais longa do ano, os dias recomeçam a crescer gradualmente e a claridade volta a recuperar o espaço que foi cedendo para a escuridão.

E acredito que de coincidência não tenha nada, pelo menos neste país à beira-mar plantado, o facto de o Natal – época que tanto associamos ao iluminar de belas luzes cintilantes, talvez por ser o momento em que mais nos permitimos mostrar a nossa própria Luz – ser assinalado logo a seguir àquela que é a noite mais longa do ano.

Afinal, o alcance e o vislumbre que qualquer uma destas luzinhas pode ter, tem muito mais impacto, encanto e magia quando a noite as envolve. E o mesmo acontece connosco…

E num ano que me foi muito marcado por momentos de cura, de integração e de acolher tantas sombras que sempre em mim estiveram, neste instante, mais do que nunca, faz-me sentido que a nossa Sombra seja imprescindível para o brilho da nossa Luz.

E se há algo que podemos constatar nesta época, com o constante piscar de tantas luzinhas, é que quando uma se apaga logo outra se acende e, mesmo quando as noites se tornam tão longas que se estendem para além do dia, a nossa vontade de colocar luzinhas a brilhar no Mundo prevalece.

E elas sempre acendem. Elas sempre brilham. Elas sempre cintilam e iluminam.

Que neste Natal prevaleça a tua vontade de colocar a tua Luz a brilhar no Mundo.

Quando todos cintilamos, as noites ficam mais mágicas!

Com os votos de um Feliz Natal, hoje e sempre: cintila-te!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho