Decidir fazer uma coisa não é, decididamente, o mesmo que fazê-la de verdade

Terminei o texto anterior afirmando que não faço ideia de como dar continuidade ao que aqui iniciei e, dias depois de ter dado esse primeiro passo, aqui me encontro com esta sensação de: decidir fazer uma coisa não é, decididamente, o mesmo que fazê-la.

Embora sinta que tenho em mim uma mensagem que vale a pena partilhar, acabo por esbarrar na crença de que não sou escritora, apesar de a escrita ter sido, desde sempre, a minha forma mais fluída de comunicar. Sei também que essa mensagem não é nada que já não tenha sido dito e, a voz da resistência, aproveita-se destes argumentos, e de outros que ela faz questão de gerar a cada instante, para criar aquilo que ela faz melhor, de forma a aliciar-me a não embarcar neste impulso de escrever.

E é aqui que entra a questão do Propósito e me tento focar no “antes feito que perfeito” pois, mesmo não tendo nada de novo para transmitir ao mundo, será pela forma de comunicar a mensagem que poderei chegar a alguém.

Afinal, ao contrário do que se possa pensar, o Propósito de cada um não passa necessariamente por causar um impacto em grande escala e que seja visível aos olhares de muitos. Esse Propósito poderá passar apenas por impactar a vida de uma só pessoa. E isso não determina o seu valor. O que é determinante, e deveras valioso, é que cada um de nós consiga descobrir o que tem em si para dar ao mundo, seja ele um mundo de muitas gentes ou o mundo de uma só pessoa, e que o ofereça com amorosidade… com entrega.

Existem bem mais de 7 mil milhões de pessoas a habitar este planeta e, cada uma delas, é um ser completamente único. Portanto, todos nós temos para dar ao mundo algo que mais ninguém pode dar. Trata-se de um autêntico dom e, o facto de ser único, no meio desta vasta imensidão, só faz com que cada um de nós seja um ser verdadeiramente especial. Temos mesmo super-poderes e, entre aqueles que nos são comuns, há um que é só meu. Há um que é só teu! Já te permitiste sentir qual é? Tenta. Estás a tempo.

Susana Martinho

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Antes feito que perfeito

Quem me conhece sabe que, há muitos (mesmo muitos) anos que digo: “um dia ainda vou escrever um livro!”

Sempre fui tímida, o que fazia de mim uma das, senão a, pessoa mais caladinha do grupo. No entanto, quando calhava de falar, de acordo com as reações das pessoas, eu até dizia umas coisas acertadas. Como a minha forma de expressão mais fluída sempre foi a escrita, era nesses momentos de saídas certeiras que eu dizia, em jeito de brincadeira: “um dia AINDA vou escrever um livro!”

Há uns anos fui apanhada de surpresa porque, embora estivesse a brincar, a frase que verbalizei foi: “um dia VOU escrever um livro!”. Só me apercebi da diferença depois de ter verbalizado as palavras e dei por mim a pensar que, se calhar, não era tão brincadeira assim. E a verdade é que, a partir desse instante, surgiu em mim um sentimento diferente. Ficou comigo uma sensação de, um dia, é mesmo algo que terei de fazer.

Só que o tempo vai passando, a vida vai acontecendo e, embora vá dando uns ligeiros toques na escrita e elaborando até alguns treinos (quem costuma ler as minhas mensagens sabe bem do que falo), vou sempre adiando… considerando que ainda não tenho em mim os conhecimentos e a bagagem suficientes para poder avançar e concretizar.

Por estes dias, tem-se tornado mais notória a sensação de que, o tal livro, terá mesmo de começar a nascer. É quase como se fizesse parte do meu Propósito de Vida. Contudo, apesar de muito presente, fui sempre olhando para essa sensação com um sentido dúbio… até ontem. Ontem, tive um momento em que senti com muita clareza: tenho de escrever.

Não fazia (faço) ideia de como começar e muito menos de como continuar mas, lembrei-me da frase “Antes feito que perfeito” e eis que aqui estou, quase a terminar, aquilo que talvez possa considerar, como o primeiro texto deste blog e quiçá, desse livro que quer nascer.

Fonte da imagem: https://northwestphotos.wordpress.com/2012/02/26/natures-imperfections/

Susana Martinho