É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 4.ª parte

Tenho de confessar que, desta vez, tenho estado aqui, a olhar para o computador, sem saber muito bem por onde hei-de começar, apesar de saber, ou pelo menos de ter uma ideia de, qual será o conteúdo deste texto.

Terminei o anterior fazendo-vos um convite. Um convite para que fizessem uma viagem no tempo. No tempo das vossas vidas e que fossem, no mais longínquo que a memória vos permitisse alcançar, identificar o momento em que escolheram sair da vibração do Amor e entrar no caminho do medo.

E estou, neste momento, a sentir um ligeiro calafrio, que se me contorce na barriga, porque fiz este exercício muito recentemente e fica muito claro para mim que, não poderei avançar, sem que, de algum modo, o exponha aqui e o coloque à mercê de quem se disponibilizar a ler estas palavras.

Como vocês sabem, esta parte da exposição, nesta dimensão pública, ainda me é muito nova. E como alguns tijolos, do muro que ainda persiste, e que levei anos a construir, só agora começam a ir abaixo, torna-se inevitável que, a sensação desconcertante de enfrentar o desconhecido se vá insurgindo, vagarosamente, mas firme na vontade de se reivindicar. E é neste fragmento de tempo que me descubro naquela bifurcação e tenho de fazer a minha escolha: caminho do Amor ou caminho do medo? Por isso, aqui estou eu, consciente do medo que se quer apoderar. Contudo, persisto e avanço na escrita, gerando coragem a cada palavra registada, para escolher o caminho que me conecta com a Fonte. (É mesmo preciso Coragem para escolher o Amor sobre o medo…)

Então, muito recentemente fiz esse tal exercício e identifiquei 4 situações em que me desviei do caminho do Amor, para o caminho do medo. Muitas mais teria para reconhecer, no já considerável percurso da minha vida, mas, como pretendia descortinar as primeiras escolhas que havia feito nesse sentido, todas as identificadas ocorreram durante a infância.

O mais longe que consegui ir, no banco de dados existente na minha memória de imagens, foi até perto dos 6 anos de idade. Creio que não será relevante entrar em pormenores mas, tocando assim ao de leve, cresci num ambiente pontuado, de quando em vez, por violência doméstica. Nas duas vertentes: psicológica/verbal e física. E foi nessa idade que registei, aquilo que tenho como o primeiro momento, que vivenciei dentro dessa experiência. Lembro-me da minha mãe a ser agredida, lembro-me de um lavatório a ser arrancado com as mãos (naquela altura, para mim, aquilo era algo praticamente inconcebível) e lembro-me do medo que pairava no ar. No meu irmão, mais novo do que eu, o medo já ocupava a forma de pânico e lembro-me de o ver, encurralado nesse sentimento, movendo o corpo todo, como que a querer trepar por uma parede, como se dali pudesse surgir uma hipótese de fuga.

Das 4 situações partilho convosco apenas esta. Parece-me suficiente para que se possa perceber que não importa a intensidade ou as circunstâncias do evento ocorrido. Até porque a intensidade é uma medida muito relativa, que vai da escala de valores de cada um – e que a cada um, somente, compete -, e aquilo que considero muito marcante pode ser quase insignificante para outra pessoa, e vice-versa.

O que importa é que, a certa altura do percurso da vida, todos nós nos deparámos com um evento que nos fez desviar do caminho decorrente da nascente.

Mais do que isso, aquilo que realmente importa, e que gostaria que cada um de vocês sentisse, no âmago do vosso ser; aquilo que efetivamente pode determinar, daqui em diante, a vossa vontade de criar CORAGEM para escolher o caminho do Amor, é que, em momento algum, alguém me/te obrigou a escolher desviar-me/desviares-te desse caminho.

Naquela situação, assim como nas outras 3, não houve alguém que me tenha dito, ou sequer sugerido, “A partir de hoje, quando te deparares com uma situação deste género, tens de sentir medo.” Não houve alguém que me tenha influenciado, obrigado, exigido a escolher de outra forma.

Durante muito tempo acreditei e senti que, de algum modo, tinha sido influenciada na tomada de decisão dessa escolha mas, esta crença só surgiu porque, a minha maturidade emocional, ainda não estava capacitada para integrar aquelas situações, de forma harmoniosa, no meu Ser. O certo é que: Eu escolhi. Eu decidi. Eu meti-me por esse caminho dentro… e tanto tenho seguido por ele.

Quanto a ti, seja qual for a situação que tenhas identificado, aposto que ninguém te obrigou a fazê-lo também. Todos somos dotados de livre-arbítrio e isso significa que, mesmo em situações extremas, a escolha por qual dos dois caminhos vamos seguir compete, única e exclusivamente, a cada um de nós. É uma escolha individual. Como referi no texto da semana passada, e talvez agora fique mais claro: é uma escolha pessoal e intransmissível.

À medida que fui descrevendo aquela situação, para partilhar agora convosco, tornou-se até bastante óbvio que todos os envolvidos, sem qualquer ponta de exceção, estavam no caminho do medo. E a primeira pessoa que para lá se desviou foi precisamente aquela que, aparentemente, era a mais dominante. Só alguém que se movimenta completamente por esse caminho pode agir daquela forma… ou de outras que podem, ou não, ser semelhantes.

Voltando ao exercício em que identifiquei situações, nas quais escolhi o caminho do medo em vez do caminho do Amor, o passo que se seguia era reconhecer algo que eu tivesse aprendido com cada uma delas. E, logo depois, manifestar gratidão, também por algo que vivi em cada um desses momentos. Pode parecer tarefa difícil – e foi – mas, acredita, é possível.

Uma das coisas que aprendi foi a não querer exercer certas atitudes sobre outras pessoas e, hoje, enquanto escrevia este texto, para além dos três motivos que já tinha encontrado para agradecer em cada situação, descobri mais um. Hoje sou grata por finalmente ter compreendido que, aquela pessoa que nos agredia, estava a vibrar pelo medo, conectada com a escassez… Dentro das suas células, a sua energia bradava que havia – ou que ele seria – tanto que não lhe era suficiente… E isto ajuda a transformar ainda mais o meu olhar, que adquire uma maior amplitude e serenidade, e me torna mais capaz e consciente das escolhas que quero fazer daqui em diante. Por isso, Obrigada!

E tu, na situação que identificaste como sendo o teu primeiro desvio do caminho do Amor para o caminho do medo, consegues perceber algo que tenhas aprendido com ela?

Depois de o fazeres, lembra-te de agradecer. Mais que não seja, sê grato(a) por isso que aprendeste! A gratidão tudo eleva.

Respira fundo e agradece

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

 

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É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 3.ª parte

Para aqueles de vocês que, como eu, só agora tomaram consciência que nasceram na vibração do Amor, talvez importe explorar um pouco mais o que isto significa nos termos práticos em que costumamos orientar as nossas vidas…

Somos todos oriundos dessa Fonte, que originou todo o sistema no qual também estamos inseridos – o esplendoroso Universo. Basta olharmos à nossa volta, para as pequenas particularidades que ocorrem, a cada instante, na Natureza, para percebermos o quanto este sistema é perfeito, inteligente… e abundante.

Já repararam em quanta diversidade e beleza existe na Natureza? Já repararam em como, sem qualquer intervenção humana, tudo está organizado e funciona de acordo com uma lógica, que acolhe e incorpora todos os seres? Já repararam em como nos sentimos quando contactamos com a Natureza, nem que seja num simples contemplar do mar, de uma flor, do céu…?

Tudo está projetado e concebido para a totalidade. Por isso, é inevitável sermos invadidos por uma sensação de união, de conexão, precisamente porque nos conectamos com essa Fonte Criadora que vibra, que É: Amor. E, se apenas ao nível daquilo que a nossa visão consegue divisar, tudo isto é possível, resta-nos sonhar (e podemos fazê-lo), com tudo o que está para lá daquilo que os nossos olhos não abrangem mas que, mesmo assim, é passível de podermos alcançar.

Como é nesta vibração do Amor que nascemos, é no Caminho da Abundância que começamos, desde logo, a desempenhar o nosso plano de vida. Nascemos em união, envoltos em plenitude e fluidez; sem preocupações, sem escala de valores daquilo que nos é ou não importante, sem questões que nos inquietem, sem noção do Eu e também sem noção do que é dor…

Depois vamos crescendo…

De forma muito gradual e em contacto com a peculiaridade do mundo exterior que envolve cada um de nós – é Um Mundo feito de incontáveis mundos – vamos formando a consciência do Eu e vamos construindo o nosso Ego.

Algures pelo percurso, sem agenda estipulada ou aviso prévio, e sem ser num tempo comum que se possa generalizar, fatalmente, vivenciamos uma experiência para a qual ainda não dispúnhamos de maturidade emocional suficiente para a conseguirmos integrar. Esta experiência ocorre, geralmente, durante o período da infância e não será caso único.

Em qualquer momento da nossa vida – infância, adolescência, fase adulta… – iremos cruzar-nos com situações que nos despertam uma sensação de inadaptabilidade e tomaremos uma destas ações: suprimir ou reprimir essas experiências. E é aqui que acontece. É no exato momento em que fazemos esta ESCOLHA – suprimir ou reprimir – que nos desviamos do Caminho do Amor para o caminho do medo.

E sim, por muito inconsciente que seja, é uma Escolha. Mais do que isso, é uma escolha pessoal e intransmissível.

E, como tudo na vida, tem as suas consequências…

Assim que escolhemos entrar no caminho do medo, escolhemos também conectarmo-nos com a escassez. Surge o medo de não sermos suficientes; de que aquilo que fazemos não é suficiente; de que o dinheiro que dispomos não seja suficiente; de que aquilo que alcançámos até então não seja suficiente; de que a felicidade que sentimos, às vezes por meros instantes, não seja suficiente… Enfim, nada é suficiente. E, se nada é suficiente, temos medo até da própria escassez, o que só nos faz vibrar ainda mais por ela.

E é desta forma que, tantos de nós, se não todos, num determinado momento da vida, ficamos emaranhados, infelizes e com uma sensação de estagnação. Parece que a vida se imobiliza diante de nós e, como estamos tão focados e turvados pela vibração do medo, nem nos apercebemos que a vida nos está apenas a devolver o eco daquilo que estamos a emanar.

Quanto a mim, tomar consciência disto tudo, foi o que me fez perceber e assumir – primeiro, perante a minha própria pessoa, depois diante de vocês – que tenho enveredado muito mais pelo caminho do medo, tal como referi no texto da semana passada.

E tu, consegues perceber em qual dos caminhos estás neste momento? Consegues identificar em que altura do percurso, da TUA vida, escolheste fazer o desvio para o caminho do medo? Convido-te a ires à descoberta desse momento. Garanto-te que, descobri-lo, pode ser algo transformador na e para a tua vida.

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 2.ª parte

Esta temática do Caminho do Amor e do caminho medo é realmente muito abastada. Tem conteúdo suficiente para levarmos uma vida inteira feita de pequenas descobertas diárias.

A primeira vez que contactei com ela foi em 2009, quando uma amiga me ofereceu o livro fuck it – Que se Lixe!, de John C. Parkin, dizendo-me “Acho que estás a precisar!”. E estava mesmo… Foi um daqueles preciosos instantes em que o Universo, por um dos seus infinitos caminhos, me trouxe a ajuda que eu necessitava naquele exato momento.

No capítulo “Diga Que Se Lixe ao Medo” (palpita-me que eu iria gostar mais da versão original, ou de uma tradução mais à letra, pois nada se equivale à sensação libertadora de dizer um grande “Que se F*da!” 😉 ), o autor refere que as duas forças que aparentemente governam as nossas vidas não são o bem e o mal, ao contrário daquilo que muitos de nós poderíamos pensar, mas sim, o Amor e o medo. Ou seja, o oposto do Amor não é o ódio, mas o medo. E nós temos tendência a funcionar num desses registos: ou estamos no Caminho do Amor ou estamos no caminho do medo.

É claro que, ao longo da nossa vida, vamos variando entre os dois caminhos. Quando estamos no Caminho do Amor a nossa postura é de abertura e recetividade à Vida. Por outro lado, quando estamos no caminho do medo, fechamo-nos a tudo o que a Vida envolve.

Não sei quanto a vocês mas, para mim, naquela altura, isto fez muito sentido e ajudou-me a começar a olhar para as situações que vivia, e tinha vivido até então, por este ponto de vista. E foi através deste olhar que percebi que, na generalidade das diversas situações da minha vida, e neste ponto refiro-me até ao momento atual, tenho enveredado muito mais pelo caminho do medo. Muito mais do que gostaria de fazer e até mesmo de admitir… Creio que nem sempre tenho consciência da tomada de decisão dessa escolha. Provavelmente alguns de vocês, senão a maioria, talvez não a tenha também, mas o certo é que, é com extrema frequência que escolho estar nesse caminho.

            Como o Universo nos vai sempre acompanhando nesta jornada da nossa evolução, muito recentemente, ele deu-me a oportunidade de contactar com o trabalho da Paula Abreu e, através dela, consegui aprofundar mais o conhecimento destes dois caminhos. Bastou esta pequena frase, dita num dos seus vídeos, para a minha perceção mudar completamente: “Nós nascemos na vibração do Amor.”

Embora eu já estivesse desperta para a existência dos dois caminhos, devido a todos os bloqueios que fui criando, desde a infância, através das vivências experienciadas com as pessoas que me rodeavam, nunca tinha pensado que eu tivesse nascido no Caminho do Amor. 

Mesma Fonte

E, naquele dia, perante aquela frase, percebi que, se nós nascemos na vibração do Amor, então não foram só os outros. Eu também estava incluída. É válido para todos. Para tudo! Todos somos nativos dessa incrível fonte abundante, próspera, luminosa, que transborda… e ela é, tão somente, AMOR.

 

 

Como o tema rende, parece-me que não há duas sem três e espero poder ter a oportunidade de escrever a 3.ª parte. =)

Quanto a mim, acabei de descobrir que nasci na vibração deste sentimento pleno. E tu, tens consciência que nasceste no Caminho do Amor?

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 1.ª parte

Neste meu recente percurso de começar a escrever, sem saber muito bem sobre o quê, estou a tentar estar atenta a eventuais sinais que me possam chegar, nas situações mais corriqueiras do quotidiano.

O post da semana passada, por exemplo, teve inspiração numa frase que li num livro e que me fez sentir logo aquele clique do: “é a partir daqui que vou dar continuidade ao que iniciei”.

Esta semana (estou a fazer por me comprometer a escrever um texto por semana), a inspiração veio-me da alteração da foto de capa do facebook e da mensagem que nela está contida: “It takes courage to choose LOVE over fear… Be courageous.”

Confesso que tenho andado a dar espaço à voz da resistência, pois, para além de ainda me sentir uma novata nesta coisa da escrita acessível a um público, lembrei-me logo de um texto que eu já tinha iniciado há uns anos. E aqui a resistência levantou-se porquê? Porque tudo o que escrevi lá atrás retrata a pessoa, ou pelo menos uma parte dela, que fui. Não é mais quem eu sou, por muito que algumas semelhanças permaneçam no momento atual. Portanto, ir lá atrás e ter de olhar para partes de mim que poderão já não existir – mas que existiram – é quase equivalente a ter de fazer um mergulho interior… a olhar para dentro, o que, como todos sabemos, de forma mais ou menos consciente, é algo que custa sempre muito fazer.

Porém, por muito esforço que possamos investir em não realizar esse mergulho, ou tantos quantos forem necessários – o processo vai ficando mais fácil depois que se efetua o primeiro -, num determinado momento da nossa vida, lá teremos mesmo de avançar para ele. É a própria Vida que nos convida, constantemente, a que o façamos. A nós apenas compete estarmos atentos a esses convites. Numa fase inicial, eles costumam ser subtis, prudentes, delicados… meigos até. Tanto, que a nossa tendência é ignorá-los. Caso o continuemos a fazer, como a Vida é sábia, um dia, ela devolve-nos tudo o que lhe ignorámos e, está-se mesmo a ver, se a ignorámos com força, ela aprumar-se-á em se fazer notar com igual e notável dimensão.

Posto isto, como me lembrava que, na altura, tinha escrito um trecho nesse texto, que data de 2013, sobre o medo, do qual eu estava muito orgulhosa (do género: fui mesmo eu que escrevi isto?! Wow!!!), lá fiz por ter coragem de superar a parte do “muito do que escrevi pode já não me fazer sentido” e fui à procura dele.

Ao realizar uma leitura, algo na diagonal, pude constatar tudo o que tinha pensado antes: há partes com as quais já não me identifico e, aquele tal trecho, continua a deixar-me muito orgulhosa. =)

Acabo também de perceber que, ao contrário do que poderia ter sequer imaginado, este post vai ficar bem mais extenso. Por isso, creio que o vou repartir e esta será a 1.ª parte sobre a temática dessa escolha tão presente na nossa Vida: estar no caminho do medo ou no caminho do Amor.

Hoje, ao escolher ir lá atrás, olhar para o que já fui e acolher essas partes de mim, sem ter dado premissa à resistência para escondê-las, permiti-me escolher o caminho do Amor. E tu, que escolha fizeste hoje que sabes que te colocou nesse caminho?

 

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza

Susana Martinho