É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 5.ª parte

Desta vez, ao colocar-me em posição para dar mais um passinho neste meu compromisso, o primeiro pensamento que me ocorreu foi: “Será que quem está a ler, está a responder, mesmo que apenas internamente, às questões que por aqui vão surgindo?”; “Será que alguém está a identificar, pontos do seu percurso, onde tenha escolhido o caminho do medo?”; “Será que quem o fez deu o passo seguinte e identificou algo que tenha aprendido?” e “Será que houve alguém que se tenha aventurado a dar o passo gigantesco, que é sentir gratidão, pelas aprendizagens/oportunidades que surgiram no decorrer desses eventos?”. Adoraria ter testemunhos de quem está desse lado!

Se tu conquistaste este passo de conseguir sentir gratidão, antes de mais, deixa-me dar-te os parabéns. É realmente um avanço incrível e do qual és completamente merecedor. Permite-te ficar feliz pela coragem que conseguiste criar para chegar até aqui. Parabéns. Mereces!

E aproveitando o embalo dessa vibração de maior leveza, venho convidar-te a ir um pouquinho mais além. Hoje, o convite é para que afirmes que estás pronto a curar esses desvios que foste fazendo para o caminho do medo, e para que assumas o compromisso, perante ti mesmo, de escolher, daqui em diante, o Caminho do Amor.

À primeira vista pode não parecer mas, o passo que te convido a dar hoje, equivale a um salto quântico. Na sua aparente curta distância, desde o ponto de partida ao ponto de chegada, está incluído um espectro de imensas possibilidades.

E como não vos estou a convidar para fazer algo que eu já não tenha feito, eis-me chegada ao momento em que continuo a partilhar convosco a minha experiência na forma como dei estes passos.

Para mim… foi… um choque! Um embate frontal com todas as crenças com que tinha aprendido a viver até então. Ao deparar-me com a possibilidade de curar esses desvios, que foram constantes, percebi também que eles foram a constante na minha vida. No fundo, tinha sido assim que tinha aprendido a viver e era assim que eu sabia fazê-lo. Percebi que a minha zona de conforto era o desconforto, o medo e, por vezes, o pânico e a vontade de fugir. Nunca tinha pensado que isso pudesse ser possível. Afinal, chamam-lhe zona de conforto, ora! Isso remetia-me para um espaço onde eu me sentisse bem. Onde, de algum modo, eu estivesse confortável em ser… eu.

E percebi que aquela era a minha zona de conforto, não porque me sentisse bem, não porque me fosse confortável, mas apenas porque era o que eu sabia fazer melhor. Acreditem, em algumas situações tenho sido mesmo muito boa – quase uma profissional -, em fugir após entrar em pânico. De algum modo, eu estava apegada aos medos que fui escolhendo.

Por outro lado, a partir daquele momento, a perceção de que nos passos vindouros a escolha do caminho a seguir era, inteiramente, da minha responsabilidade, adquiriu uma clareza quase cristalina. Extinguia-se ali qualquer tentativa de argumentar que tinha havido influência de outras pessoas numa opção que, ao fim ao cabo, foi sempre por mim tomada.

No meu caso particular, isto constituiu-se logo como algo do meu agrado, pois, há já algum tempo que adquiri a consciência de que, ao tomar a responsabilidade dos meus atos para mim, estou também a empoderar a minha liberdade. Se, pelo contrário, pretender colocar a responsabilidade do que faço e escolho nas mãos dos outros, estou a prescindir da minha liberdade para o outro. Sendo que, quem sabe, este é um tema a ser tratado num próximo texto…

Por agora, voltando ao momento do embate, aquilo que considero como o meu ponto de colisão, sucedeu quando percebi que todas aquelas situações justificavam a barreira, o tal muro, que fui construindo à minha volta ao longo dos anos. Mais do que um muro, é uma torre. Semelhante àquela onde mantiveram a Rapunzel enclausurada. Cilíndrica, com telhado e tudo, só que sem janela lá no topo – e nem eu tenho tão longos, loiros e compridos cabelos 🙂 .

E esta torre detém ainda outra particularidade que a torna, à primeira vista, um lugar bastante aconchegante e aprazível para se estar: os tijolos que a compõem são completamente translúcidos. Parece que permitem descortinar o mundo lá fora. Quase como se tivessem sido aqui colocados apenas para me defender do mundo exterior. Para não o deixar chegar até mim de forma mais constrangida, conferindo-me a ideia de que a interação com esse mundo é perfeitamente concreta… Pelo menos, nesse meu nível de consciência até então, assim era.

Foi só quando dei o passo em frente, na direção de firmar a minha vontade/compromisso de me curar daquelas escolhas feitas, que colidi, fiquei com mossa e percebi que, afinal, cada um dos blocos que se alinhava naquele redondo vertical, era bem maciço, compacto e sólido.

Ou seja, cada situação que me serviu de justificação para ter feito o desvio para o caminho do medo é um desses blocos. A manutenção de cada um deles é legitimada pela necessidade de manter, não só certas situações, mas também algumas pessoas, à distância. E tudo isto pode ser realmente muito eficaz na sua função de preservar o mundo lá fora, mas também me impede de chegar a ele com maior plenitude. Porém, era dentro desta torre que eu sabia viver. Este pequeno e ínfimo espaço, delimitado por ela, era a minha realidade. Creio que me é permitido dizer que: é a realidade de muitos de nós.

E o facto de eu querer declarar que estava disponível, para me curar dos desvios que fiz para o caminho do medo, implicava que esta torre começasse a desmoronar…

E foi aqui que surgiu a evidência do óbvio, que não o era até então.

Dentro daquela torre, a única ferramenta que estava ao alcance das minhas mãos, para poder derrubar aqueles blocos, um por um, era… perdoar! Perdoar todas as situações, todos os eventos, todas as mágoas por eles despertadas, todos os intervenientes… Só que, como ninguém me obrigou a fazer essas escolhas, como elas são pessoais e intransmissíveis, havia apenas UMA pessoa a perdoar…

Nesse instante, foi fulminante a forma como, quase ao mesmo tempo que se formou, a pergunta se difundiu por todo o meu ser: conseguirei perdoar-me?!

E tu, achas que consegues perdoar-te?

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

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4 thoughts on “É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 5.ª parte

    1. Obrigada, Denise! ^_^ É verdade, todo um oceano pelo meio que, na realidade, nada separa! Creio que esta semelhança de sentimentos vai ser cada vez mais comum, mas sabe sempre bem encontrar alguém que o demonstra, afinal, só assim nos vamos encontrando uns aos outros.
      Não tenho qualquer conhecimento/formação em reiki mas, dos textos que li no teu blog, gostei!
      Obrigada! ❤

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