Pelo outro ou por mim? – 5.ª parte

A cada texto que escrevo sobre esta temática sinto que a ideia de aceitar o egoísmo como um estado natural do nosso Ser, é algo que, com a devida leveza, se vai permeando e instalando em mim.

E contigo? Tem sucedido o mesmo? Espero que sim!

Como temos vindo a constatar, independentemente do caminho por onde nos estamos a mover no momento atual, acabamos sempre por ser egoístas.

No caso do texto anterior, que foi muito focado em cenários possíveis para o exercer do egoísmo dentro do caminho do medo, acabei por perceber que, atendendo a todas as ramificações que se iam formando, tornou-se inevitável seguir aquelas que faziam mais sentido para mim, por serem as que mais se aproximam à realidade das minhas vivências. (Olha eu a ser egoísta… 🙂 ). Para além disso também constatei que, até o uso da palavra “fiz”, dentro da expressão “Fiz isto por ti!”, remete logo para o Eu. Portanto, como talvez já te esteja deveras evidente e, espero, em vias de ficar completamente dissociado de qualquer sentimento de culpa ou da possibilidade de julgamento de poderes ser considerado uma “má” pessoa, o certo é que, mesmo que o nosso egoísmo seja realizado dentro caminho do medo, continuamos a agir por interesse próprio. Somos egoístas, sempre.

No início desse texto também aludi duas situações, algo caricatas, que me tinham acontecido naquela semana, tendo referido que deixaria uma delas para relatar numa próxima.

Pois bem, o que aconteceu nessa mesma semana foi que, no decorrer de uma conversa repleta de diversos tópicos, e sem qualquer referência ao facto de eu elaborar algum trabalho de escrita, houve alguém que me disse que, quando uma pessoa alimenta demasiado o amor-próprio, isso torna-se nocivo porque, é como se a pessoa só se visse a ela mesma. Diante destas palavras, o que retorqui foi apenas: “Isso não é Amor-Próprio.” Ao que a pessoa respondeu, olhando para mim com os seus olhos claros, grandes e expressivos: “Pois não! É ego.”

Ao seu jeito, aquela pessoa estava a apresentar-me uma definição do que significa para ela ser egoísta dentro do caminho do medo. Contudo, a sensação com que fiquei foi que faltava ali uma certa dose de clareza, visto que, os termos “amor-próprio” e “nocivo” realmente não conjugam.

De algum modo, até de acordo com a definição que podemos encontrar no dicionário – Amor exclusivo à pessoa e aos interesses próprios -, a palavra egoísmo expressa, precisamente, Amor-Próprio. Assim à primeira vista, acredito que talvez não seja logo percetível, devido à presença da palavra exclusivo que, inserida naquele contexto, pode transmitir a sensação de um espaço tão limitado e restrito, onde, muito dificilmente, caberá algo mais para além do Eu. Circunstância que, aliás, já tinha sido referida neste texto e que nos ajuda a criar e a sustentar a ideia – que inconscientemente fica instalada na nossa programação interna – de que somos “maus” por exercermos o Amor-Próprio.

E é justamente por tudo isto que sinto que se torna imprescindível continuar falar do egoísmo como uma forma natural de Ser, motivando-me para o fazer cada vez mais dentro do Caminho do Amor, ao mesmo tempo que te tento inspirar a fazer o mesmo. Afinal, e como tenho dado por mim a dizer com alguma frequência por estes dias, vivemos num Mundo de Tudo Eu. E acredito que a consequência do passo dado, na direção da aceitação deste facto, se constitui como algo fundamental para que o mundo se torne num lugar mais harmonioso, precisamente por ser assim.

Vamos descortinar?

Pois bem, se nós nascemos na vibração do Amor – e cada vez mais acredito que sim -, se o Amor Incondicional é o que está na essência do nosso Ser, é completamente impossível que, ao alimentar o Amor-Próprio, estejamos a conceber algo prejudicial para nós e/ou para os outros.

Tudo o que está na Vida de cada um de nós, sem qualquer exceção, é um veículo para o nosso crescimento pessoal/individual. E isto não se aplica só a mim, nem só a ti. Isto aplica-se a toda a gente…

Desta forma, faz todo o sentido que, independentemente do tipo de relação ou do elo de ligação que tenhamos com alguém, seja nossa prioridade colocar o nosso foco a incidir em quem Somos. Sempre!

A história – a Vida de cada um – é isso mesmo: a Vida de cada um. E a Vida de cada um somente àquele um pertence.

Num Universo onde tudo é essencialmente energia, tu tens uma assinatura energética única. E o mesmo se aplica a cada um de nós. Cada um de nós é um Ser único, com uma história de vida (talvez de vidas) única.

Há tanta informação guardada em ti, que acabas por ser um Universo numa só pessoa. Cada um que é o Outro, também é um Universo numa só pessoa. Portanto, de cada vez que nos relacionamos e interagimos com outra pessoa, não se trata apenas de duas pessoas a relacionarem-se. É todo um Universo a interagir e a relacionar-se com outro Universo.

Nesta imensidão daquilo que tu e o outro trazem dentro – e SÃO -, o que achas que pode acontecer de cada vez que colocas o foco fora de ti e tentas assumir a postura de fazer o que fazes pelo outro?

Para além dos cenários apresentados nos textos anteriores, costumamos adotar essa postura de fazer pelo outro, de cada vez que nos identificamos com ele e com as suas vivências. Porém, a partir do momento em que determinamos essa identificação, e tentamos assumir uma postura de querer ajudar o outro, aquilo que estamos realmente a estabelecer é a ocorrência de um emaranhamento. Ou seja, em vez da situação que está a ser interpretada como um problema se começar a resolver, ela tende a piorar. Afinal, é todo um Universo a tentar interferir no modo de funcionamento de outro Universo. Como é que isto pode dar certo, não é? Ademais, já não é só uma pessoa a considerar a existência de um problema, mas sim, duas. Por conseguinte, começa a haver somatização do que quer que seja com que nos identificámos. Para além disso, ao emaranharmo-nos nas situações do outro, começamos a querer ir no seu lugar. E, por muito que ainda nos custe reconhecer, isso é algo completamente impossível de se fazer.

Portanto, ao contrário daquilo que costumamos supor, isto não se constitui como ajuda. Antes pelo contrário…

A partir do momento em que se dá o emaranhamento deixa de haver espaço para que a energia de cada um se exerça. Surgem momentos de tensão, conflito, confusão… que, bem vistas as coisas, são avisos da própria Vida, a alertar-nos para o facto de estarmos a sair do nosso próprio alinhamento.

O resultado da tendência de te focares exclusivamente nos outros é o esqueceres-te de ti mesmo. Neste afastamento que estabeleces com a tua própria pessoa – desalinhamento -, ocorre uma exclusão, visto que há todo um Universo que fica abandonado. O teu! E se tu te excluis de ti mesmo, como é que podes ajudar o outro efetivamente?

Não podes… Não podemos.

Posto isto, não devemos, sob qualquer circunstância, identificarmo-nos com os outros ou com as suas vivências, independentemente dos laços de amizade, familiares, profissionais ou amorosos.

O nosso verdadeiro trabalho é SER. É Sonhar! Como tal, torna-se imprescindível que te alinhes com quem realmente És. Ao colocares o foco somente no teu centro, presente no teu próprio Universo, ficas automaticamente conectado com a Fonte. E é através da conexão com a vibração que brota do Caminho do Amor que tu abres, de par em par, a porta para a inclusão.

É possibilitando a inclusão do Universo que és em TI mesmo, que te permites o espaço para incluir o Universo que é o Outro.

Por isso, lembra-te: no Universo que é o outro e a sua Vida, só ele pode ir no seu lugar. Deixa-o ser egoísta.

No Universo que És tu e a tua Vida, só TU podes ir no teu lugar. Sê egoísta. E sê-o com todo o teu coração pois, acredita, nesse aparente pequeno cantinho do teu Ser, cabem muitos Universos.

Em TI, cabe o Universo inteiro!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

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