O teu sistema de orientação é único

Numa altura em que, de algum modo, ainda predomina entre as pessoas uma comunicação que incita: à preocupação, ao incómodo, ao julgamento, à culpa (própria), ao culpar (o outro), ao medo e à angústia… entre outros, compreendo perfeitamente que, quando nos deparamos com mensagens que mencionam que a solução reside no lado do nosso bem-estar, consideremos que isso é, no mínimo, esquisito e um tanto ou quanto sem noção.

No entanto, no exato momento em que me encontro a escrever estas palavras, sinto que compreendo tudo isto de um modo como nunca abrangi. E é precisamente pelo facto de a minha clareza se ter expandido neste saber que considero que, mesmo podendo ficar na iminência de ser encarada como um pouco crazzy por alguns, enquanto me conseguir manter no embalo do momento do bem-estar, vou aproveitá-lo. Não só para que possa ir nutrindo a sua continuidade, mas também para o ir partilhando com quem aqui chegar, pois acredito que, para quem estiver na proximidade destas ideias, possa acontecer exatamente o mesmo: mais clareza, mais sintonia e mais momentos de alinhamento e de conexão com quem realmente Somos e com o que realmente Sabemos. Para além disso, também me parece bastante provável que a quantidade de pessoas recetivas a esta informação possa estar em vias de aumentar. Se não, vejamos, imagina que, logo no início da situação, alguém te perguntava: o que é que consideras que toda a atenção e preocupação vão fazer com o problema? Vão aumentá-lo ou vão diminui-lo? O que é que terias respondido? E se fosse agora? Se alguém te perguntasse agora: o que é que toda esta atenção e preocupação fizeram com o problema? Aumentaram-no ou diminuíram-no? O que dirias?

Lembra-te de ter presente que não se trata aqui de obter respostas certas ou erradas. Nem sequer se trata de obter respostas unissonantes. Portanto, é quase garantido que as respostas possam variar de pessoa para pessoa mas, também é quase certo que, depois de todos estes meses de contacto com a situação, nos acresça toda uma experiência de várias experiências vividas que nos adicionaram mais conhecimento e saber. E por aí creio que, após esta soma, seja mais fácil para as pessoas, na sua generalidade, perceberem que colocar um foco constante num problema só contribui para ir tornando esse problema maior.

Com tudo isto, espero que percebas que não estou a ambicionar que consideres o problema em causa como inexistente. Antes pelo contrário. É perfeitamente normal que tenhas uma opinião (ou várias) sobre o tema, assim como é perfeitamente válido, e até vantajoso, que nas observações que estabeleces sobre ele, sejas capaz de identificar e enumerar diversos aspetos que não gostes ou com os quais não te identifiques.

Eu própria tenho a minha opinião formada sobre o assunto em particular. Porém, não tenho qualquer intenção de vir para aqui partilhá-la. Até porque, a minha opinião, no que a ti diz respeito, é completamente irrelevante. E sabes porquê? Porque na tua vida, sejas tu quem fores e estejas em que circunstâncias estiveres, só a tua opinião importa.

Ora bolas! A rapariga deve mesmo estar a dar o tilt. Não sei o que é que é mais estranho: ela dizer que a solução reside no lado do meu bem-estar ou ela dizer que, em cada situação da minha vida, só a minha opinião importa… 🙂

Pois é! Disse, escrevi, afirmo, sublinho e reafirmo: na tua vida, independentemente das circunstâncias nas quais estás inserido, só a tua opinião importa. E porquê? Porque essa é a única opinião, a única forma de pensar, que podes realmente sentir.

E apesar de, no nosso dia-a-dia, termos um certo hábito de ir dando por adquirido que sabemos o que se passa com os outros, na realidade, conseguimos apenas ir compondo uma mera ideia, provavelmente muito vaga e fugaz, daquilo que com eles se sucede. E se estás na dúvida, diz-me lá: achas que consegues saber, com precisão, o que é que o pai, a mãe, os filhos, os tios, os amigos, os avós, o cão, o gato, o periquito… (quem for), pensa? Hum?

Será que consegues saber, minuciosamente, os pensamentos que lhes passam pela mente? Será que consegues sentir, exatamente, aquilo que eles sentem?

Pois é! Não há hipótese. E ainda bem. Aliás, este é um dos motivos pelos quais referi, no texto anterior, que tens em ti o melhor sistema de orientação do mundo, Universo e arredores. Aquilo que tu sentes, em relação às tuas opiniões e pensamentos, só tu podes sentir. E assim como tu não tens a capacidade de pensar e sentir por ninguém, também ninguém tem a capacidade de pensar e sentir por ti.

Consegues sentir o quão especial isto é?

O teu sistema de orientação é único. Tão único que funciona só contigo.

Essa bússola que reside em ti é tão única, que é só para ti que ela está disponível.

Contudo, e isto é mesmo (mesmo, mesmo) importante, lembra-te: não há um só ser, que habite este planeta, que não esteja igualmente dotado de um incrível e infalível sistema de orientação.

Portanto, a questão que se coloca é: tens andado a usar o teu?

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Imagem retirada do freepik

(A)Deus

Por estes dias cruzei-me com uma frase. Duas, para ser mais precisa. Facto que, por si só, nada tem de surpreendente nem de novo. Afinal, num só dia, todos nós nos cruzamos com incontáveis frases ou expressões.

Estava escrita em inglês. Ok, também não é motivo para grande espanto.

Era formada por dez palavras. Apenas dez. Um número que se mantém muito igual a si próprio após a devida tradução para português. E, mesmo assim, foi inevitável. No momento em que li tão breve conjunto de palavras, uma sensação de reverberar trespassante arrebatou-me. Poder-se-ia dizer que foi algo muito semelhante ao que se sente num ápice de epifania, contudo, não se tratou de um momento em que eu estivesse a apreender, de forma inesperada, o significado de uma qualquer coisa. Foi mais um entusiasmo que se avivou na constatação de se poder definir, de modo tão singelo, aquilo que é largamente considerado como uma grande e abstrata ideia:

“Deus é uma frequência que existe dentro de ti. Sintoniza.”

(God is a frequency that exists within you. Tune in.)

E embora, não só neste texto mas também no meu dia-a-dia, eu me sinta um pouco reticente na utilização desta palavra – Deus –, pela noção dos muitos significados que lhe são atribuídos, alguns dos quais um tanto ou quanto pejorativos, mesmo assim, fascina-me que a grandeza possa ser explicada de modo tão simples, tão lúcido, tão “pequeno” e nem por isso perder a sua imensidão.

Também não é minha intenção introduzir aqui qualquer teor religioso. O “Deus” julgador, punitivo, que atribui mais valor ao ser humano pela sua capacidade de sofrer e de se sacrificar, constituiu uma parte considerável dos ensinamentos que me foram transmitidos (e provavelmente a ti também) nos meus primeiros anos de vida. Porém, no meu íntimo, sempre que me deparava com eles, ocorria uma clara divisão. Se, por um lado, uma parte minha sentia curiosidade e interesse em tentar perceber melhor esse “Deus”, que me era dado a conhecer através das perspetivas das pessoas que me eram mais próximas, por outro lado, havia uma parte minha que sentia uma ausência de bom senso num Criador que, por nos querer tanto bem, castigava a sua própria criação caso ela não se comportasse em conformidade com as suas imperiosidades. Por outro lado ainda, sempre me senti seduzida por aquilo que os meus sentidos conseguem capturar e interpretar de toda esta imensa Criação, na qual, ao mesmo tempo, somos seres inseridos e integrantes. Um apelo que acredito ser comum a todos nós. Não deve haver um ser-humano que, de algum modo, não sinta em si um fascínio inato pelo mistério que é este incrível sistema que chamamos de Universo. E é este, aliás, o termo que gosto de utilizar: Universo.

Um sistema que, quanto mais atentamos nele, mais nos é difícil não o considerar como vasto, em expansão, enérgico, em movimento, inteligente, consciente… vivo, entre tantas outras qualidades que aqui poderiam ser enumeradas. Creio que nos é praticamente impossível observar o que nos rodeia e não considerar que, algures no tempo, ocorreu um momento de criação. E tenha sido ele um Big-Bang ou não, facto que também não é relevante pois, ao contrário do que por vezes consideramos, o entendimento de um passado tão longínquo não é assim tão determinante para a forma como podemos avançar no futuro, o certo é que, reconhecer a existência de um momento de criação, envolve o reconhecimento da existência de um criador.

E do mesmo modo que não nos é relevante a construção daquilo que seria apenas mera uma imagem do momento da criação, também não nos é necessário debatermo-nos com o entendimento de como terá sido – e seja – esse criador.

Criação e Criador acabam por se fundir numa mesma entidade. Universo, chamamos-lhe, mas, tal como muitos também designam, pode perfeitamente chamar-se de Deus. Irrisória questão de nomenclatura para essa energia que te corre no Ser. De que importa o nome, quando pulsa, em cada célula tua, a mesma energia que cria estrelas, rios, mares, montanhas, criaturas e vegetação de toda a espécie, planetas, galáxias… mundos.

És feito – tudo em ti – dessa poderosa energia que cria mundos. Ela não está só em todo o Universo exterior que te envolve. Ela também habita, palpita, expande, vive… em ti. Por isso, e como tudo o que é energia vibra e como tudo o que vibra tem uma frequência, pode-se afirmar que sim, que Deus (o Universo, a Fonte ou outro nome qualquer que lhe queiras atribuir) é uma frequência que existe dentro de TI.

E, nem por acaso, deparei-me com esta frase a poucos dias do final de 2020. Um ano que, sem dúvida alguma e independentemente dos motivos, marca a história de cada um de nós. Um ano em que muita desta energia, que não só te rodeia mas também vive em ti, foi fortemente impulsionada e está num fluxo de movimento crescente. Um ano em que, tenhas ou não noção, tornaste-te mais. Maior. E é por tudo isto que, no momento do Adeus, agora, talvez mais do que nunca – e aproveitando o trocadilho que surge aqui facilmente – valha a pena lembrares-te de ir em direção a Deus. Afinal, tu tens esse poder em ti. Tu ÉS parte desse poder.

Sintoniza. Sintoniza em ti. Sintoniza-TE.

E depois, com confiança, segue em frente para 2021.

Votos de um bom ano.

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Fotografia de Joel Santos:

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O barco é o mesmo. E?

Começo este texto assumindo, desde já, que não tenho uma resposta concreta para a pergunta que ficou a pairar no final do texto anterior.

Apesar de afirmar convictamente que sim, pedimos pelo que está a acontecer, não tenho como te enumerar os motivos exatos pelos quais todos nós nos estamos a deparar com esta realidade.

E é precisamente este último ponto que, quanto a mim e por muito estranho que possa parecer, é um dos mais interessantes face à atual conjuntura: trata-se de algo que está a tocar a todos. Sem exceção.

Tal como refere a expressão com a qual já me cruzei algumas vezes por estes dias, e se calhar tu também, “estamos todos no mesmo barco”.

Porém, será que a viagem tem de ser igual para todos? Melhor ainda: será que há mais-valia na possibilidade de estarem todos a usufruir de uma experiência de viagem que seja exatamente igual?

E entendo que o que se segue possa levar a crer que me estou desviar da rota que vinha a ficar definida – não estou e as pecinhas deste puzzle acabarão por encaixar (se bem que, não necessariamente neste texto) – mas, por agora, consideremos efetivamente um barco

Imagina um barco no qual viaja um número substancial de pessoas. Não precisa de ser uma embarcação muito grande, nem de ter a lotação esgotada. Também não há aqui necessidade de fazer distinção entre tripulação e passageiros. Vamos apenas ter em conta um grupo de pessoas (provavelmente algum clandestino 🙂 ), de diversas idades, dentro de um barco a navegar, enquanto vão a observar a paisagem e a elaborar ideias, imagens – quadros mentais, digamos assim – sobre aquilo que as rodeia.

Desta forma, não há qualquer dúvida de que o cenário é o mesmo para todos os presentes. Certo? Estão dentro do mesmo barco, a velocidade a que ele segue também é igual para todos, assim como o mar e a restante paisagem envolvente.

No entanto, mesmo reconhecendo a igualdade das condições será que, nas suas observações, todas as pessoas formam a mesma ideia sobre aquilo que as rodeia?

Imagina-te a parar o movimento desse barco, de modo a que cada pessoa fique estática no seguimento do movimento que estava a desenvolver (como às vezes vimos nos filmes). Imagina ainda que, neste instante de pura imobilidade, tu consegues entrar no barco e recolher os quadros que, mediante os dados captados pelo seu campo de observação, cada pessoa tinha acabado de elaborar.

Agora que estás na posse de todos os quadros, e vais poder apreciá-los um a um, tendo em conta que o cenário era igual para todas as pessoas, o que achas que vai acontecer?

Parece-te que vais encontrar o mesmo tipo de imagem em todos? Ou será que vais obter um conjunto de imagens tão diversificadas, que o melhor a fazer seria mesmo organizar toda uma exposição?

Não sei para onde tenderá a tua resposta mas, palpita-me que há a possibilidade de estares com um novo negócio em mãos. É bem capaz que a quantidade de imagens diferentes seja mais do que suficiente para preencher os lugares de exposição numa bela galeria. Algo que, aliás, me inspira a próxima questão.

Que exposição te iria entusiasmar mais ao visitar: aquela que tem a mesma imagem em todos os quadros ou aquela que tem imagens diferentes em cada quadro?

E como há características que nos são transversais creio que é altamente elevada a hipótese de, todos os que por aqui passarem, considerarem muito mais rica e entusiasmante a exposição com maior diversidade de quadros.

Porém, voltando ao exemplo do barco, se o cenário até é o mesmo para todos os envolvidos, como é que pode surgir tanta diversidade de imagens entre os seus passageiros?

E por esta altura talvez já estejas a antever que, se a intenção for obter uma resposta pormenorizada, a tarefa ficará árdua. É que tentar elaborar uma explicação detalhada seria o equivalente a tentar descrever, num só texto, uma daquelas imagens dos jogos Onde está o Wally?

 Estás a imaginar? Minha nossa…

 Contudo, como este é um espaço onde pretendo manter a simplicidade de ideias, vou enumerar apenas alguns pontos, só para ficarmos com uma panorâmica do processo ocorrido.

Tomemos, por exemplo, o momento em que paraste o movimento do barco. E creio que vale a pena ter em conta que estamos apenas a referirmo-nos a uma ínfima fração no tempo. Um mero segundo… Um segundo em que, seja ele qual for, no instante em que páras o barco e escolhes focar-te na direção de um ponto qualquer do seu espaço, não é possível que encontres duas pessoas, a ocupar exatamente o mesmo lugar, ao mesmo tempo. Este facto, por si só, já impossibilita a existência de duas imagens minuciosamente iguais. Imagina isto aplicado a tooodo o barco…

Dependendo de ser dia ou noite, de as pessoas estarem a dormir ou acordadas, das diversas atividades que poderão estar a realizar, da forma como estarão distribuídas pelas diversas divisões – quem está no interior de uma divisão não tem o mesmo ponto de vista de quem está no convés, quem está na proa não tem o mesmo ponto de vista de quem está na popa, quem está na cabine não tem o ponto de vista de quem está na zona da copa (já deu para ficar com uma ideia, não é?) -, dependendo de um tanto, que nem vale a pena tentar quantificar neste texto, estamos claramente num mesmo barco mas… com uma infinidade de pontos de vista possíveis.

E por muito que a localização de uma pessoa esteja na proximidade de outra – o que reforçaria a ideia das condições serem mesmo iguais para ambas – mesmo assim, fosse qual fosse o momento, não ia haver duas imagens exatamente iguais. Sabes porquê? Porque uma pessoa pode escolher colocar o foco no tecto, outra no chão, uma na forma da janela, outra na paisagem que dá para ver através dela… Enfim, trata-se de uma lista cujos itens aumentam exponencialmente, em proporção com a atenção que pode ser dada aos mais variados pormenores.

Falando em pormenores, a dimensão deste texto indica-me que chegou o momento de levar este barco até ao próximo porto.

E enquanto ele segue viagem, pode ser que agora, após este breve exercício, te sejam mais percetíveis as bases que me levam a afirmar que realmente pedimos pelo que está a acontecer e que a tarefa para tentar enumerar os motivos exatos, pelos quais todos nós nos estamos a deparar com esta realidade, pode ser de tal modo exaustiva, que talvez nos seja mais gratificante considerá-la impossível.

Todavia, não é no impossível que pretendo que fiques. Por isso, antes de desembarcares, sugiro uma recordação que vale a pena guardares na tua bagagem. Afinal, algo que este barco nos ajuda a perceber é que, em qualquer momento, existe toda uma infinidade de quadros que podemos pintar.

Isto soa-te a restrições ou a possibilidades?

Hummm…

Em mim desperta aquele vibrante e, ao mesmo tempo, suave vislumbrar de que estes… podem ser grandes tempos!

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Pedi e recebereis – tão antigo, tão atual

“Pedi e recebereis”.

Acho que tenho pensado nesta expressão todos os dias.

Uma expressão que atravessou gerações e sobreviveu a centenas e centenas de anos. Uma expressão retirada de um livro antigo, que visava doutrinar, e embora inspirado na história de um homem e daqueles que consigo se cruzaram, está muito provido, na sua génese e difusão, de vários interesses – essencialmente económicos e com a finalidade de oprimir – de muitas outras pessoas.

Uma expressão retirada de um livro escrito numa época diferente da atual, onde as questões que se colocavam também eram diferentes daquelas que se colocam agora.

Uma expressão retirada de um livro, que para além de conter muitos outros livros dentro, também já foi sujeito às mais diversas traduções (quem conta um conto…).

E apesar de tudo o que acabei de enumerar, este livro retrata alguns factos aos quais, por ainda estarmos em rescaldo de época pascoal, se torna inevitável que eu lhes faça referência pois, para muitos de nós, ainda é nos seus relatos de opressão e de sofrimento – ainda é na cruz – que se coloca o foco durante estes dias.

Na cruz. No sacrifício. Na dor. No não há valor sem provação…

Contudo, sente a expressão: “Pedi e recebereis”.

Soa-te a sacrifício? Soa-te a sofrimento? Soa-te a provação?

Não, pois não? E que bom sinal é que assim seja!

É certo que o homem a quem estas palavras são associadas viveu numa época, em que algumas pessoas tinham tamanha desarmonia consigo mesmas, que crucificavam outras. Também é certo que o homem a quem estas palavras são associadas, por motivos que só a ele disseram respeito, acabou por ficar compatível com a manifestação desse evento na sua vida. E mesmo nesse momento, também lhe ficaram associadas estas palavras: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem.”

Talvez continuemos sem saber…

Provavelmente, na nossa grande maioria, ainda não sabemos que o reino dos céus está realmente entre nós. Dito de outro modo, talvez mais atual: o poder está em cada um de nós!

O poder… está em ti!

Alguém que conseguia afirmar que basta pedir para receber, sabia, indubitavelmente, do poder que cada um de nós poderia (ter) SER.

E tenho de fazer aqui um breve desvio. É que estou a escrever isto num dia em que já me cruzei com diversas fotos de cruxifixos no facebook e estou a dar por mim a pensar: este homem, numa altura em que cruxificavam pessoas, teve a coragem de exercer a sua essência e de tentar inspirar os outros para o real poder que existia neles. E o que é que alguns de nós continuam a fazer até hoje? Está certo que é em sentido figurado mas, também é certo que continuamos a escolher colocá-lo na cruz… Bolas…

A imagem da cruz embutida de contornos que representam uma figura humana, pintada de forma a evidenciar alguém que foi deveras maltratado, continua a ser o símbolo ao qual associamos este homem. Contudo, será que consegues olhar para este símbolo sem ativar em ti uma ideia, uma sensação, de alguém que está a sofrer?

Será que percebes que, caso te foques nesse símbolo desse modo, sentindo mesmo que seja apenas um resquício de uma ideia de sofrimento, quem está a carregar uma “cruz”, de peso variável e completamente desnecessária, és tu?

E se ativas em ti uma ideia de algo doloroso, diz-me, estás a conectar-te com a tua sensação de poder ou estás a afastar-te dela?

Muitos de nós fomos treinados para a ideia de que não há mérito sem sofrimento, porém, observa: costumas sentir-te poderoso quando estás a sofrer?

Creio que a tua resposta irá ao encontro daquilo que eu também considero. Se te focas em algo doloroso, sentes isso mesmo: dor. Desconforto. E consoante a dimensão desse desconforto, há uma grande probabilidade de, nesse momento, sentires a tua Vida como sendo um fardo. Pesado. Se te focas no peso da cruz, quem o carrega és tu!

E será que sabes o que é esse sentimento de desconforto realmente te indica?

O teor desagradável dessa sensação tem o dom maravilhoso de te mostrar que estás a ir na direção oposta de quem realmente ÉS. Estás a ir na direção oposta do teu poder.

E tu és um ser poderoso.

E sem pretender escolher por ti, creio que já vai sendo tempo…

Já vai sendo tempo de poisar as nossas “cruzes” e de deixarmos cair em desuso expressões como: “é a minha cruz” ou “que grande cruz que carrego”. Se não és tu quem as utiliza, quase de certeza que à tua volta alguém o faz. Não é? 🙂

Já vai sendo tempo de nos focarmos na verdadeira leveza do nosso Ser.

Já vai sendo tempo de, de cada vez que nos lembramos deste outro ser humano, no qual residia o mesmo poder que reside em ti, o fazermos pelos ensinamentos que ele nos tentou transmitir nos momentos em que estava conectado com a sua verdadeira energia.

Já vai sendo tempo de, embora em sentido figurado, o tirarmos da cruz também. E voltando às tais fotos dos cruxifixos que me apareceram, tenho de referir que houve um detalhe que captou a minha atenção. Aquilo que considerei interessante neles todos foi que, para além da madeira, os únicos elementos que lhes serviam de decoração eram: flores, fitas, corações e, acreditem ou não, um deles até duas laranjinhas (maravilhosas e já com os seus instantes de fama) acolhia.

Já ia sendo tempo…

Já vai sendo tempo de começarmos a perceber que basta realmente pedir para receber…

“Pedi e recebereis”.

O que é que estas palavras te transmitem?

A mim, pela minha atual perceção, esta expressão transmite uma ideia de facilidade. De leveza. Espelha uma fluidez de ordem natural das coisas… Mais do que isso, há Amor ali contido. Se me basta pedir, então “alguém/algo” está atento ao meu pedido. Se me basta receber, então “alguém/algo” está disposto a dar-me o que pedi.

E olhando para o panorama atual do mundo, talvez estejas a questionar: como é que pedimos por isto tudo?

Pois é! Para uns, vai soar contraditório. Para outros, vai fazer algum ou todo o sentido. O certo é que pedimos.

Pedimos.

Estamos a receber.

E mais está a caminho.

E mesmo assim, acredita – ou pode ser que até o estejas a sentir -, estes podem ser grandes tempos.

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Parece que minha tendência de escrever o texto seguinte em continuidade com o anterior se mantém! 🙂 Contudo, optei por deixar de colocar essa divisão no título. Soa-me melhor que cada texto tenha o seu próprio título, em vez de ser uma “parte” (1.ª, 2.ª, 3.ª …).

E por agora, na minha intenção de dar continuidade a este texto, espero que nos voltemos a cruzar por aqui. Obrigada pela visita e até breve!

Susana Martinho

Estes podem ser grandes tempos

Neste momento, atrever-me-ia até a escrever, e com clara convicção: estes, SÃO grandes tempos.

E são grandes tempos que, sem ser mera coincidência, coincidiram com o tempo que no calendário assinalamos como sendo a quaresma.

E com uma quarentena na quaresma, e sem qualquer teor religioso, tenho dado por mim a pensar com frequência na expressão: “pedi e recebereis…”

Uma expressão que a história nos faz chegar como tendo sido proferida por um ser humano que habitou este mesmo planeta, há mais de 2000 anos. Um ser humano que, já na altura e no recurso ao seu próprio vocabulário (sem termos técnicos e demasiado elaborados), falava daquilo que só muito recentemente começou a ser validado pela ciência. Um ser humano que, muito provavelmente, talvez tenha sido das pessoas mais conectadas que passou por este mundo. Um ser humano que, tal como cada um de nós, era um criador da sua realidade (e sabia-o). Um ser humano que, por muito conectado que conseguisse estar, também tinha momentos em que se focava em pensamentos/situações que lhe causavam desconforto e se distanciava de quem realmente era. Um ser humano, de quem alguns seres humanos decidiram contar a história, colocando o foco a incidir no seu momento de maior desalinhamento (cruxificação), para que ficássemos distraídos do poder que realmente (temos) somos e para o qual, esse ser humano, tantas vezes tentou chamar a nossa atenção. Um ser humano que, independentemente das virtudes que lhe atribuíram, foi, sem dúvida, um marco na história da humanidade.

Algures por entre estes pensamentos também dei por mim a ponderar que, mais de 2000 anos volvidos e, por muito que se continue a falar neste ser humano incrível, parece-me que ainda não nos é fácil acolher o significado do que ele tentava transmitir. É impressionante perceber que, já naquela altura, ele falava daquilo que a física quântica nos dá a conhecer hoje em dia e, apesar de todos os avanços tecnológicos que facilitam, não só a divulgação da informação, como a oportunidade de visualizar “realidades” difíceis de percecionar só com o tradicional uso do nosso sistema ocular, ainda reside em nós tanta resistência em acreditar, ou pelo menos em dar o benefício da dúvida, à existência do que existe e que não conseguimos ver.

Nós e a nossa tendência de querer ver para crer

(Felizes os que acreditam sem terem visto”)

E a forma como nos agarramos a essa necessidade de querer ver para crer, colocando nessa matriz tudo o que queremos considerar como real, acaba por ser um meio através do qual inserimos mais resistência do que aquela que é necessária no nosso próprio caminho. Afinal, por muita validação científica que haja hoje em dia, o certo é que, ao nível quântico tudo é demasiado minúsculo para poder ser otimizado pelo nosso sistema de visão. E nós, nesta nossa persistência de querer ver para aceitar como realidade, somos capazes de estar a ignorar muita realidade que é real – existe, está ao nosso lado. Mais do que isso: faz parte daquilo que nós somos – embora não seja visível a olho nú.

Porém, também é certo que, se viemos ao mundo num formato que não nos permite ver tudo o que nos rodeia, é porque nos é vantajoso que assim seja. Tanto por questões de sobrevivência, como de evolução e, acima tudo, de expansão.

Expansão. Como gosto da sensação desta palavra.

Esse movimento maravilhoso, que sentimos a pulsar em nós, e que mais não é do que a Vida, o próprio Universo, a alongar-se, a seguir em frente… a criar-se.

E cada um de nós, individualmente (haja redundância para reforçar as ideias 🙂 ), nesta nossa condição humana, contribui imenso para este movimento de expansão.

Somos todos seres incríveis!

E embora eu já tivesse alguma noção, só muito recentemente é que comecei a considerar com mais consciência, que um dos meios para que esta expansão se concretize é o recurso à perspetiva e ao foco de cada um de nós.

Tal como escrevi no texto anterior:

“Neste instante, agora – e em qualquer instante a que, daqui em diante, possas chamar “agora” – a tua perspetiva da Vida é única.

A imagem que está formada na tua mente, neste preciso momento, sobre a Vida, sobre o mundo – sobre o que for – é tua. Tão tua.

Não há, no Mundo, alguém que consiga formar uma imagem que seja, de-ta-lha-da-mente, igual à tua. Por outro lado, sem ti, essa observação da Vida não teria acontecido. É pela tua maneira de observar a Vida e de construir imagens, tão únicas, que a Vida acontece.”

E é precisamente aqui que me apraz referir duas expressões. Uma que se insere no âmbito religioso e outra referente ao campo da ciência e, pelo menos para mim, na junção da interpretação que faço do significado das duas, surge a evidência de que não há separação. Não se trata de religião. Não se trata de ciência. Trata-se de, de algum modo, nos reconhecermos pelo que realmente somos. E nós somos tão mais do que aquilo que a nossa visão alcança…

Ei-las: “Pedi e recebereis” e “A realidade depende do observador”.

Experimenta colocar a tua atenção no sentimento que surge em ti enquanto lês cada uma delas.

  • Pede e receberás.
  • žA realidade depende da forma como a observas.

E mesmo que estas construções frásicas te pareçam disparatadas, considera, só por um instante, que assim é.

Será que sentes? Burburinha em ti uma sensação de empoderamento?

Sentes que há uma parte tua que reconhece que há sentido nestas palavras?

Se o sentiste, sabes que é uma sensação que tem o seu quê de maravilhoso. Desfruta dela. Deixa surgir o sorriso e, como a coisa já vai longa… “não percam o próximo episódio, porque nós, também não!” 😉

Pela (re)conexão com o Amor que Somos, com leveza.

Susana Martinho