Onde queres chegar

Desta vez começo o texto lançando, desde já e sem delongas, uma questão à qual gostaria que respondesses:

Neste momento, de entre tudo aquilo que enumeras como algo que queres ser ou obter na tua vida, consegues identificar algum aspeto que não tenha como principal finalidade a obtenção do teu bem-estar?

E antes de avançares na leitura, e mesmo que seja só para com os teus botões, tenta realmente responder.

Pela minha parte, antes de prosseguir, tenho de confessar que nas ideias iniciais que me foram surgindo para o arranque deste texto, o que me ocorreu foi estabelecer, logo à partida, uma proposição afirmativa que muito prontamente vinculasse a ideia. Porém, no intervalo de tempo que decorreu até começar o processo efetivo da sua escrita, surgiu-me a ideia de que seria bem mais divertido se estivesses desse lado, juntamente comigo, a tentar descobrir qualquer coisa, uma que seja, que possa ser uma exceção a esta possível regra…

E então, conta-me: até agora, descobriste alguma?

Eu, mesmo com algum tempo de ponderação sobre esta questão, e confessando-me pela segunda vez neste texto, reconheço que ainda não descobri nenhuma. Zero. Zerinho. E quase que apostava que tu também não vais descobrir. Poderás, contudo, estar a debater-te com os vários níveis da facilidade com que te é possível, ou não, reconhecê-lo. Algo que, aliás, é perfeitamente normal que aconteça, tendo em conta que esta é uma questão que abre o leque a muitas outras questões, com as quais quase de certeza todos nós já nos deparámos, e que nos foram incutidas, como bases de sustentação imprescindíveis, para que nos pudéssemos tornar naquilo que seria considerado socialmente mais conveniente. De entre todas essas questões, aquelas que talvez tenham mais impacto, e que eu também considero como mais relevantes para este conteúdo, são todas as que dizem respeito ao tema do “egoísmo”. Palavra que, por si só, desperta as mais variadas interpretações, julgamentos e emoções. Uma palavra perante a qual, definitivamente, ninguém fica indiferente.

Não tenho como avaliar se, na generalidade, a tendência atual é ponderar o egoísmo como algo negativo ou positivo mas, creio que todos nós conseguimos identificar situações onde existe uma maior probabilidade de os nossos comportamentos serem considerados como aceitáveis, e até dignos de mais e melhor valor, se afirmarmos que o motor das nossas ações reside no bem-estar do outro. E para quem acredita que realmente assim seja, vale mesmo a pena perguntar: o que é que tu desejas sentir com a constatação do bem-estar do outro?

Para quem se habituou a pensar desta forma, poderá ser um pouco desafiante reconhecer que o bem-estar do outro só me é importante, precisamente porque me sinto bem se o outro estiver bem… Portanto, seja qual for o caminho, é sempre a chegada ao meu bem-estar aquilo que realmente importa.

Seja qual for o caminho, chegar ao teu bem-estar é o destino.

Todavia, ao longo dos tempos, a ideia de se fazer pelo outro, sem privilegiar o próprio bem-estar, foi fortemente inculcada. De tal modo que, nestes tempos mais recentes, são muitas as pessoas que sentem um certo repúdio perante qualquer sugestão que lhes lembre que, seguir o seu próprio bem-estar, é seguir em direção à solução. Sim, mesmo tratando-se daquilo que se considera um problema a nível mundial.

Engraçado… Estou a dar por mim a reparar que andei uns bons meses a conter um pouco a escrita destes conteúdos, uma vez que não pretendia inspirar ainda maior reatividade por parte de quem já estava demasiado focado no problema. Porém, quanto mais vou escrevendo, refletindo e sentindo, mais perceciono que este momento da nossa história é, literalmente, o melhor e mais atual exemplo, do mundo, para que se possa dar ênfase ao conhecimento que reside em cada um.

Também dou por mim a ponderar que a implementação da ideia de que devemos fazer o que fazemos pelo bem-estar do outro, sem dar prioridade ao nosso próprio bem-estar, não terá, com certeza, surgido por acaso… Tratou-se até de uma estratégia muito bem delineada, reconheço. E foi de tal forma perpetuada ao longo do tempo, que creio que nunca, como agora, me foi tão notório o quanto ela está estabelecida na sociedade.

Contudo, neste preciso instante, e apesar de muito redundante, é inevitável que me fique aqui a pairar a questão: será que quem determinou que o seu bem-estar dependia do bem-estar do outro estava numa zona de bem-estar? O que te parece?

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

O teu sistema de orientação é único

Numa altura em que, de algum modo, ainda predomina entre as pessoas uma comunicação que incita: à preocupação, ao incómodo, ao julgamento, à culpa (própria), ao culpar (o outro), ao medo e à angústia… entre outros, compreendo perfeitamente que, quando nos deparamos com mensagens que mencionam que a solução reside no lado do nosso bem-estar, consideremos que isso é, no mínimo, esquisito e um tanto ou quanto sem noção.

No entanto, no exato momento em que me encontro a escrever estas palavras, sinto que compreendo tudo isto de um modo como nunca abrangi. E é precisamente pelo facto de a minha clareza se ter expandido neste saber que considero que, mesmo podendo ficar na iminência de ser encarada como um pouco crazzy por alguns, enquanto me conseguir manter no embalo do momento do bem-estar, vou aproveitá-lo. Não só para que possa ir nutrindo a sua continuidade, mas também para o ir partilhando com quem aqui chegar, pois acredito que, para quem estiver na proximidade destas ideias, possa acontecer exatamente o mesmo: mais clareza, mais sintonia e mais momentos de alinhamento e de conexão com quem realmente Somos e com o que realmente Sabemos. Para além disso, também me parece bastante provável que a quantidade de pessoas recetivas a esta informação possa estar em vias de aumentar. Se não, vejamos, imagina que, logo no início da situação, alguém te perguntava: o que é que consideras que toda a atenção e preocupação vão fazer com o problema? Vão aumentá-lo ou vão diminui-lo? O que é que terias respondido? E se fosse agora? Se alguém te perguntasse agora: o que é que toda esta atenção e preocupação fizeram com o problema? Aumentaram-no ou diminuíram-no? O que dirias?

Lembra-te de ter presente que não se trata aqui de obter respostas certas ou erradas. Nem sequer se trata de obter respostas unissonantes. Portanto, é quase garantido que as respostas possam variar de pessoa para pessoa mas, também é quase certo que, depois de todos estes meses de contacto com a situação, nos acresça toda uma experiência de várias experiências vividas que nos adicionaram mais conhecimento e saber. E por aí creio que, após esta soma, seja mais fácil para as pessoas, na sua generalidade, perceberem que colocar um foco constante num problema só contribui para ir tornando esse problema maior.

Com tudo isto, espero que percebas que não estou a ambicionar que consideres o problema em causa como inexistente. Antes pelo contrário. É perfeitamente normal que tenhas uma opinião (ou várias) sobre o tema, assim como é perfeitamente válido, e até vantajoso, que nas observações que estabeleces sobre ele, sejas capaz de identificar e enumerar diversos aspetos que não gostes ou com os quais não te identifiques.

Eu própria tenho a minha opinião formada sobre o assunto em particular. Porém, não tenho qualquer intenção de vir para aqui partilhá-la. Até porque, a minha opinião, no que a ti diz respeito, é completamente irrelevante. E sabes porquê? Porque na tua vida, sejas tu quem fores e estejas em que circunstâncias estiveres, só a tua opinião importa.

Ora bolas! A rapariga deve mesmo estar a dar o tilt. Não sei o que é que é mais estranho: ela dizer que a solução reside no lado do meu bem-estar ou ela dizer que, em cada situação da minha vida, só a minha opinião importa… 🙂

Pois é! Disse, escrevi, afirmo, sublinho e reafirmo: na tua vida, independentemente das circunstâncias nas quais estás inserido, só a tua opinião importa. E porquê? Porque essa é a única opinião, a única forma de pensar, que podes realmente sentir.

E apesar de, no nosso dia-a-dia, termos um certo hábito de ir dando por adquirido que sabemos o que se passa com os outros, na realidade, conseguimos apenas ir compondo uma mera ideia, provavelmente muito vaga e fugaz, daquilo que com eles se sucede. E se estás na dúvida, diz-me lá: achas que consegues saber, com precisão, o que é que o pai, a mãe, os filhos, os tios, os amigos, os avós, o cão, o gato, o periquito… (quem for), pensa? Hum?

Será que consegues saber, minuciosamente, os pensamentos que lhes passam pela mente? Será que consegues sentir, exatamente, aquilo que eles sentem?

Pois é! Não há hipótese. E ainda bem. Aliás, este é um dos motivos pelos quais referi, no texto anterior, que tens em ti o melhor sistema de orientação do mundo, Universo e arredores. Aquilo que tu sentes, em relação às tuas opiniões e pensamentos, só tu podes sentir. E assim como tu não tens a capacidade de pensar e sentir por ninguém, também ninguém tem a capacidade de pensar e sentir por ti.

Consegues sentir o quão especial isto é?

O teu sistema de orientação é único. Tão único que funciona só contigo.

Essa bússola que reside em ti é tão única, que é só para ti que ela está disponível.

Contudo, e isto é mesmo (mesmo, mesmo) importante, lembra-te: não há um só ser, que habite este planeta, que não esteja igualmente dotado de um incrível e infalível sistema de orientação.

Portanto, a questão que se coloca é: tens andado a usar o teu?

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Imagem retirada do freepik

A tua bússola

O tema que se tornou num dos mais predominantes das nossas vidas está quase a fazer 1 ano. Durante este tempo todo praticamente não me pronunciei sobre ele. Contudo, neste momento, tornou-se inevitável não o fazer. É que mesmo sem assistir a noticiários e sem dar muita atenção a muita da contra e informação que é partilhada nas redes sociais, tenho de admitir que, foi-me impossível não reparar no tremendo movimento de “apontar o dedo” que nelas começou a fervilhar nas últimas semanas.

Acredito que a maioria das pessoas que adotou essa postura seja bem-intencionada e considere que, nas diversas formas de manifestação desse gesto, resida uma demonstração de que estão posicionadas no lado da solução. Todavia, também acredito que, muitas delas, ao contrário daquilo que consideram, não estão efetivamente nesse lado da questão. Estar sedento por uma solução não é o mesmo que estar no lado dela. Esse sentimento de ansiedade ou outro que nos cause desconforto, em relação ao tema, é precisamente aquilo que nos faz permanecer no lado do problema.

E embora eu entenda que haja benefício na existência de um problema, assim como há vantagens em tornar um problema maior (algo que poderei vir a abordar numa próxima), dei por mim a ponderar que, ao fim de quase um ano, se calhar já fazia sentido as pessoas começarem a posicionar-se mais no lado da solução ou, pelo menos, lá perto. E foi assim que quebrei um pouco o meu “silêncio” e nasceu uma espécie de “passo-a-passo”, resultante de seis publicações (de Foco I a Foco VI) que estão disponíveis na página do facebook e no instagram. No entanto, como os leitores não são exatamente os mesmos em todas as plataformas, acabei também por sentir o impulso para escrever sobre o tema aqui no blogue.

Após esta breve contextualização quero apenas dizer-te que, com isto, não tenho qualquer pretensão de te dizer onde estás – problema ou solução – dado que isso é algo que só tu podes saber. Aquilo que pretendo é somente enfatizar a circulação de um conhecimento que, no fundo, é inato a todos nós mas que, ao longo do tempo das nossas vidas, por tanto nos termos disponibilizado a seguir orientações exteriores, fomos esquecendo.

Compreendo que aquilo que vou escrever possa ser encarado como demasiado simplista por alguns, ainda mais numa altura em que o problema está tão grande e em possíveis vias de crescer ou, melhor dizendo: como consequência do desenvolvimento de um hábito de desabituação e de desuso de uma sabedoria que está contida em cada um, e face a um problema que é considerado tão grande, aquilo que vou escrever pode ser considerado demasiado simplista por alguns.

Mesmo assim considero que vale a pena fazê-lo, até porque, embora um simples passo não te faça chegar ao final da caminhada, o certo é que, sem um simples passo dado de cada vez, também não haveria uma caminhada concretizada. Portanto, é necessário que nos lembremos que simplicidade não é sinónimo de ineficácia e que, começar por onde nos é mais acessível, é requisito necessário para irmos adquirindo estabilidade em relação ao sítio onde poisamos o pé a cada passada.

Por isso, cá vai:

Tens em ti o melhor sistema de orientação do mundo, Universo e arredores.

Não importa quem sejas, a tua condição ou circunstâncias de vida, TU, sejas tu quem fores, que estás neste momento a ler estas palavras, tens um sistema de orientação infalível que te permite, a cada instante do dia, perceber em que direção estás a seguir.

Para além de infalível, essa tua incrível bússola interna é de fácil utilização e está sempre presente. Sempre disponível para ti. Tanto, que quase que me atreveria a afirmar que não há nada neste mundo que tenha mais disponibilidade para ti do que o teu magnífico sistema de orientação. E apesar das devidas diferenças na sua composição, o modo de funcionamento dos seus elementos é deveras semelhante ao de uma bússola tradicional. Ou seja, a agulha é o teu sentir, os pontos cardeais são as emoções e o Norte, aquele ponto de referência que te permite saber se vais ou não na direção pretendida, é o teu bem-estar. E aqui é relevante que saibas que tudo – absolutamente tudo aquilo que tu sentes – é sempre (sempre, sempre, sempre) em relação à distância a que te encontras do teu bem-estar.

Assim sendo, se pretendes saber de que lado da questão estás – problema ou solução -, bastará então que repares na forma como te sentes em relação ao tema. E é por isto que digo que o teu sistema de orientação é de fácil utilização pois, com estes conceitos todos presentes, a interpretação do resultado é tão óbvia, que não deixa qualquer espaço para dúvidas: se estiveres próximo do teu bem-estar, estarás mais perto da solução. Por outro lado, se estiveres afastado do teu bem-estar, estarás a sentir desconforto e esse é precisamente o indício de que estás na zona do problema.

E antes que levantes outras questões que, por sinal, são perfeitamente legítimas, por enquanto, experimenta ficar aqui só um bocadinho:

– Não é bom saber que, sempre que preciso, tenho algo que me indica onde estou a cada momento?

– Não é bom saber que, com a minha bússola, tenho sempre a indicação daquele que é o melhor caminho a seguir?

Eu cá acho que é!

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

O barco é o mesmo. E?

Começo este texto assumindo, desde já, que não tenho uma resposta concreta para a pergunta que ficou a pairar no final do texto anterior.

Apesar de afirmar convictamente que sim, pedimos pelo que está a acontecer, não tenho como te enumerar os motivos exatos pelos quais todos nós nos estamos a deparar com esta realidade.

E é precisamente este último ponto que, quanto a mim e por muito estranho que possa parecer, é um dos mais interessantes face à atual conjuntura: trata-se de algo que está a tocar a todos. Sem exceção.

Tal como refere a expressão com a qual já me cruzei algumas vezes por estes dias, e se calhar tu também, “estamos todos no mesmo barco”.

Porém, será que a viagem tem de ser igual para todos? Melhor ainda: será que há mais-valia na possibilidade de estarem todos a usufruir de uma experiência de viagem que seja exatamente igual?

E entendo que o que se segue possa levar a crer que me estou desviar da rota que vinha a ficar definida – não estou e as pecinhas deste puzzle acabarão por encaixar (se bem que, não necessariamente neste texto) – mas, por agora, consideremos efetivamente um barco

Imagina um barco no qual viaja um número substancial de pessoas. Não precisa de ser uma embarcação muito grande, nem de ter a lotação esgotada. Também não há aqui necessidade de fazer distinção entre tripulação e passageiros. Vamos apenas ter em conta um grupo de pessoas (provavelmente algum clandestino 🙂 ), de diversas idades, dentro de um barco a navegar, enquanto vão a observar a paisagem e a elaborar ideias, imagens – quadros mentais, digamos assim – sobre aquilo que as rodeia.

Desta forma, não há qualquer dúvida de que o cenário é o mesmo para todos os presentes. Certo? Estão dentro do mesmo barco, a velocidade a que ele segue também é igual para todos, assim como o mar e a restante paisagem envolvente.

No entanto, mesmo reconhecendo a igualdade das condições será que, nas suas observações, todas as pessoas formam a mesma ideia sobre aquilo que as rodeia?

Imagina-te a parar o movimento desse barco, de modo a que cada pessoa fique estática no seguimento do movimento que estava a desenvolver (como às vezes vimos nos filmes). Imagina ainda que, neste instante de pura imobilidade, tu consegues entrar no barco e recolher os quadros que, mediante os dados captados pelo seu campo de observação, cada pessoa tinha acabado de elaborar.

Agora que estás na posse de todos os quadros, e vais poder apreciá-los um a um, tendo em conta que o cenário era igual para todas as pessoas, o que achas que vai acontecer?

Parece-te que vais encontrar o mesmo tipo de imagem em todos? Ou será que vais obter um conjunto de imagens tão diversificadas, que o melhor a fazer seria mesmo organizar toda uma exposição?

Não sei para onde tenderá a tua resposta mas, palpita-me que há a possibilidade de estares com um novo negócio em mãos. É bem capaz que a quantidade de imagens diferentes seja mais do que suficiente para preencher os lugares de exposição numa bela galeria. Algo que, aliás, me inspira a próxima questão.

Que exposição te iria entusiasmar mais ao visitar: aquela que tem a mesma imagem em todos os quadros ou aquela que tem imagens diferentes em cada quadro?

E como há características que nos são transversais creio que é altamente elevada a hipótese de, todos os que por aqui passarem, considerarem muito mais rica e entusiasmante a exposição com maior diversidade de quadros.

Porém, voltando ao exemplo do barco, se o cenário até é o mesmo para todos os envolvidos, como é que pode surgir tanta diversidade de imagens entre os seus passageiros?

E por esta altura talvez já estejas a antever que, se a intenção for obter uma resposta pormenorizada, a tarefa ficará árdua. É que tentar elaborar uma explicação detalhada seria o equivalente a tentar descrever, num só texto, uma daquelas imagens dos jogos Onde está o Wally?

 Estás a imaginar? Minha nossa…

 Contudo, como este é um espaço onde pretendo manter a simplicidade de ideias, vou enumerar apenas alguns pontos, só para ficarmos com uma panorâmica do processo ocorrido.

Tomemos, por exemplo, o momento em que paraste o movimento do barco. E creio que vale a pena ter em conta que estamos apenas a referirmo-nos a uma ínfima fração no tempo. Um mero segundo… Um segundo em que, seja ele qual for, no instante em que páras o barco e escolhes focar-te na direção de um ponto qualquer do seu espaço, não é possível que encontres duas pessoas, a ocupar exatamente o mesmo lugar, ao mesmo tempo. Este facto, por si só, já impossibilita a existência de duas imagens minuciosamente iguais. Imagina isto aplicado a tooodo o barco…

Dependendo de ser dia ou noite, de as pessoas estarem a dormir ou acordadas, das diversas atividades que poderão estar a realizar, da forma como estarão distribuídas pelas diversas divisões – quem está no interior de uma divisão não tem o mesmo ponto de vista de quem está no convés, quem está na proa não tem o mesmo ponto de vista de quem está na popa, quem está na cabine não tem o ponto de vista de quem está na zona da copa (já deu para ficar com uma ideia, não é?) -, dependendo de um tanto, que nem vale a pena tentar quantificar neste texto, estamos claramente num mesmo barco mas… com uma infinidade de pontos de vista possíveis.

E por muito que a localização de uma pessoa esteja na proximidade de outra – o que reforçaria a ideia das condições serem mesmo iguais para ambas – mesmo assim, fosse qual fosse o momento, não ia haver duas imagens exatamente iguais. Sabes porquê? Porque uma pessoa pode escolher colocar o foco no tecto, outra no chão, uma na forma da janela, outra na paisagem que dá para ver através dela… Enfim, trata-se de uma lista cujos itens aumentam exponencialmente, em proporção com a atenção que pode ser dada aos mais variados pormenores.

Falando em pormenores, a dimensão deste texto indica-me que chegou o momento de levar este barco até ao próximo porto.

E enquanto ele segue viagem, pode ser que agora, após este breve exercício, te sejam mais percetíveis as bases que me levam a afirmar que realmente pedimos pelo que está a acontecer e que a tarefa para tentar enumerar os motivos exatos, pelos quais todos nós nos estamos a deparar com esta realidade, pode ser de tal modo exaustiva, que talvez nos seja mais gratificante considerá-la impossível.

Todavia, não é no impossível que pretendo que fiques. Por isso, antes de desembarcares, sugiro uma recordação que vale a pena guardares na tua bagagem. Afinal, algo que este barco nos ajuda a perceber é que, em qualquer momento, existe toda uma infinidade de quadros que podemos pintar.

Isto soa-te a restrições ou a possibilidades?

Hummm…

Em mim desperta aquele vibrante e, ao mesmo tempo, suave vislumbrar de que estes… podem ser grandes tempos!

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

Pedi e recebereis – tão antigo, tão atual

“Pedi e recebereis”.

Acho que tenho pensado nesta expressão todos os dias.

Uma expressão que atravessou gerações e sobreviveu a centenas e centenas de anos. Uma expressão retirada de um livro antigo, que visava doutrinar, e embora inspirado na história de um homem e daqueles que consigo se cruzaram, está muito provido, na sua génese e difusão, de vários interesses – essencialmente económicos e com a finalidade de oprimir – de muitas outras pessoas.

Uma expressão retirada de um livro escrito numa época diferente da atual, onde as questões que se colocavam também eram diferentes daquelas que se colocam agora.

Uma expressão retirada de um livro, que para além de conter muitos outros livros dentro, também já foi sujeito às mais diversas traduções (quem conta um conto…).

E apesar de tudo o que acabei de enumerar, este livro retrata alguns factos aos quais, por ainda estarmos em rescaldo de época pascoal, se torna inevitável que eu lhes faça referência pois, para muitos de nós, ainda é nos seus relatos de opressão e de sofrimento – ainda é na cruz – que se coloca o foco durante estes dias.

Na cruz. No sacrifício. Na dor. No não há valor sem provação…

Contudo, sente a expressão: “Pedi e recebereis”.

Soa-te a sacrifício? Soa-te a sofrimento? Soa-te a provação?

Não, pois não? E que bom sinal é que assim seja!

É certo que o homem a quem estas palavras são associadas viveu numa época, em que algumas pessoas tinham tamanha desarmonia consigo mesmas, que crucificavam outras. Também é certo que o homem a quem estas palavras são associadas, por motivos que só a ele disseram respeito, acabou por ficar compatível com a manifestação desse evento na sua vida. E mesmo nesse momento, também lhe ficaram associadas estas palavras: “Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem.”

Talvez continuemos sem saber…

Provavelmente, na nossa grande maioria, ainda não sabemos que o reino dos céus está realmente entre nós. Dito de outro modo, talvez mais atual: o poder está em cada um de nós!

O poder… está em ti!

Alguém que conseguia afirmar que basta pedir para receber, sabia, indubitavelmente, do poder que cada um de nós poderia (ter) SER.

E tenho de fazer aqui um breve desvio. É que estou a escrever isto num dia em que já me cruzei com diversas fotos de cruxifixos no facebook e estou a dar por mim a pensar: este homem, numa altura em que cruxificavam pessoas, teve a coragem de exercer a sua essência e de tentar inspirar os outros para o real poder que existia neles. E o que é que alguns de nós continuam a fazer até hoje? Está certo que é em sentido figurado mas, também é certo que continuamos a escolher colocá-lo na cruz… Bolas…

A imagem da cruz embutida de contornos que representam uma figura humana, pintada de forma a evidenciar alguém que foi deveras maltratado, continua a ser o símbolo ao qual associamos este homem. Contudo, será que consegues olhar para este símbolo sem ativar em ti uma ideia, uma sensação, de alguém que está a sofrer?

Será que percebes que, caso te foques nesse símbolo desse modo, sentindo mesmo que seja apenas um resquício de uma ideia de sofrimento, quem está a carregar uma “cruz”, de peso variável e completamente desnecessária, és tu?

E se ativas em ti uma ideia de algo doloroso, diz-me, estás a conectar-te com a tua sensação de poder ou estás a afastar-te dela?

Muitos de nós fomos treinados para a ideia de que não há mérito sem sofrimento, porém, observa: costumas sentir-te poderoso quando estás a sofrer?

Creio que a tua resposta irá ao encontro daquilo que eu também considero. Se te focas em algo doloroso, sentes isso mesmo: dor. Desconforto. E consoante a dimensão desse desconforto, há uma grande probabilidade de, nesse momento, sentires a tua Vida como sendo um fardo. Pesado. Se te focas no peso da cruz, quem o carrega és tu!

E será que sabes o que é esse sentimento de desconforto realmente te indica?

O teor desagradável dessa sensação tem o dom maravilhoso de te mostrar que estás a ir na direção oposta de quem realmente ÉS. Estás a ir na direção oposta do teu poder.

E tu és um ser poderoso.

E sem pretender escolher por ti, creio que já vai sendo tempo…

Já vai sendo tempo de poisar as nossas “cruzes” e de deixarmos cair em desuso expressões como: “é a minha cruz” ou “que grande cruz que carrego”. Se não és tu quem as utiliza, quase de certeza que à tua volta alguém o faz. Não é? 🙂

Já vai sendo tempo de nos focarmos na verdadeira leveza do nosso Ser.

Já vai sendo tempo de, de cada vez que nos lembramos deste outro ser humano, no qual residia o mesmo poder que reside em ti, o fazermos pelos ensinamentos que ele nos tentou transmitir nos momentos em que estava conectado com a sua verdadeira energia.

Já vai sendo tempo de, embora em sentido figurado, o tirarmos da cruz também. E voltando às tais fotos dos cruxifixos que me apareceram, tenho de referir que houve um detalhe que captou a minha atenção. Aquilo que considerei interessante neles todos foi que, para além da madeira, os únicos elementos que lhes serviam de decoração eram: flores, fitas, corações e, acreditem ou não, um deles até duas laranjinhas (maravilhosas e já com os seus instantes de fama) acolhia.

Já ia sendo tempo…

Já vai sendo tempo de começarmos a perceber que basta realmente pedir para receber…

“Pedi e recebereis”.

O que é que estas palavras te transmitem?

A mim, pela minha atual perceção, esta expressão transmite uma ideia de facilidade. De leveza. Espelha uma fluidez de ordem natural das coisas… Mais do que isso, há Amor ali contido. Se me basta pedir, então “alguém/algo” está atento ao meu pedido. Se me basta receber, então “alguém/algo” está disposto a dar-me o que pedi.

E olhando para o panorama atual do mundo, talvez estejas a questionar: como é que pedimos por isto tudo?

Pois é! Para uns, vai soar contraditório. Para outros, vai fazer algum ou todo o sentido. O certo é que pedimos.

Pedimos.

Estamos a receber.

E mais está a caminho.

E mesmo assim, acredita – ou pode ser que até o estejas a sentir -, estes podem ser grandes tempos.

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Parece que minha tendência de escrever o texto seguinte em continuidade com o anterior se mantém! 🙂 Contudo, optei por deixar de colocar essa divisão no título. Soa-me melhor que cada texto tenha o seu próprio título, em vez de ser uma “parte” (1.ª, 2.ª, 3.ª …).

E por agora, na minha intenção de dar continuidade a este texto, espero que nos voltemos a cruzar por aqui. Obrigada pela visita e até breve!

Susana Martinho

Estes podem ser grandes tempos

Neste momento, atrever-me-ia até a escrever, e com clara convicção: estes, SÃO grandes tempos.

E são grandes tempos que, sem ser mera coincidência, coincidiram com o tempo que no calendário assinalamos como sendo a quaresma.

E com uma quarentena na quaresma, e sem qualquer teor religioso, tenho dado por mim a pensar com frequência na expressão: “pedi e recebereis…”

Uma expressão que a história nos faz chegar como tendo sido proferida por um ser humano que habitou este mesmo planeta, há mais de 2000 anos. Um ser humano que, já na altura e no recurso ao seu próprio vocabulário (sem termos técnicos e demasiado elaborados), falava daquilo que só muito recentemente começou a ser validado pela ciência. Um ser humano que, muito provavelmente, talvez tenha sido das pessoas mais conectadas que passou por este mundo. Um ser humano que, tal como cada um de nós, era um criador da sua realidade (e sabia-o). Um ser humano que, por muito conectado que conseguisse estar, também tinha momentos em que se focava em pensamentos/situações que lhe causavam desconforto e se distanciava de quem realmente era. Um ser humano, de quem alguns seres humanos decidiram contar a história, colocando o foco a incidir no seu momento de maior desalinhamento (cruxificação), para que ficássemos distraídos do poder que realmente (temos) somos e para o qual, esse ser humano, tantas vezes tentou chamar a nossa atenção. Um ser humano que, independentemente das virtudes que lhe atribuíram, foi, sem dúvida, um marco na história da humanidade.

Algures por entre estes pensamentos também dei por mim a ponderar que, mais de 2000 anos volvidos e, por muito que se continue a falar neste ser humano incrível, parece-me que ainda não nos é fácil acolher o significado do que ele tentava transmitir. É impressionante perceber que, já naquela altura, ele falava daquilo que a física quântica nos dá a conhecer hoje em dia e, apesar de todos os avanços tecnológicos que facilitam, não só a divulgação da informação, como a oportunidade de visualizar “realidades” difíceis de percecionar só com o tradicional uso do nosso sistema ocular, ainda reside em nós tanta resistência em acreditar, ou pelo menos em dar o benefício da dúvida, à existência do que existe e que não conseguimos ver.

Nós e a nossa tendência de querer ver para crer

(Felizes os que acreditam sem terem visto”)

E a forma como nos agarramos a essa necessidade de querer ver para crer, colocando nessa matriz tudo o que queremos considerar como real, acaba por ser um meio através do qual inserimos mais resistência do que aquela que é necessária no nosso próprio caminho. Afinal, por muita validação científica que haja hoje em dia, o certo é que, ao nível quântico tudo é demasiado minúsculo para poder ser otimizado pelo nosso sistema de visão. E nós, nesta nossa persistência de querer ver para aceitar como realidade, somos capazes de estar a ignorar muita realidade que é real – existe, está ao nosso lado. Mais do que isso: faz parte daquilo que nós somos – embora não seja visível a olho nú.

Porém, também é certo que, se viemos ao mundo num formato que não nos permite ver tudo o que nos rodeia, é porque nos é vantajoso que assim seja. Tanto por questões de sobrevivência, como de evolução e, acima tudo, de expansão.

Expansão. Como gosto da sensação desta palavra.

Esse movimento maravilhoso, que sentimos a pulsar em nós, e que mais não é do que a Vida, o próprio Universo, a alongar-se, a seguir em frente… a criar-se.

E cada um de nós, individualmente (haja redundância para reforçar as ideias 🙂 ), nesta nossa condição humana, contribui imenso para este movimento de expansão.

Somos todos seres incríveis!

E embora eu já tivesse alguma noção, só muito recentemente é que comecei a considerar com mais consciência, que um dos meios para que esta expansão se concretize é o recurso à perspetiva e ao foco de cada um de nós.

Tal como escrevi no texto anterior:

“Neste instante, agora – e em qualquer instante a que, daqui em diante, possas chamar “agora” – a tua perspetiva da Vida é única.

A imagem que está formada na tua mente, neste preciso momento, sobre a Vida, sobre o mundo – sobre o que for – é tua. Tão tua.

Não há, no Mundo, alguém que consiga formar uma imagem que seja, de-ta-lha-da-mente, igual à tua. Por outro lado, sem ti, essa observação da Vida não teria acontecido. É pela tua maneira de observar a Vida e de construir imagens, tão únicas, que a Vida acontece.”

E é precisamente aqui que me apraz referir duas expressões. Uma que se insere no âmbito religioso e outra referente ao campo da ciência e, pelo menos para mim, na junção da interpretação que faço do significado das duas, surge a evidência de que não há separação. Não se trata de religião. Não se trata de ciência. Trata-se de, de algum modo, nos reconhecermos pelo que realmente somos. E nós somos tão mais do que aquilo que a nossa visão alcança…

Ei-las: “Pedi e recebereis” e “A realidade depende do observador”.

Experimenta colocar a tua atenção no sentimento que surge em ti enquanto lês cada uma delas.

  • Pede e receberás.
  • žA realidade depende da forma como a observas.

E mesmo que estas construções frásicas te pareçam disparatadas, considera, só por um instante, que assim é.

Será que sentes? Burburinha em ti uma sensação de empoderamento?

Sentes que há uma parte tua que reconhece que há sentido nestas palavras?

Se o sentiste, sabes que é uma sensação que tem o seu quê de maravilhoso. Desfruta dela. Deixa surgir o sorriso e, como a coisa já vai longa… “não percam o próximo episódio, porque nós, também não!” 😉

Pela (re)conexão com o Amor que Somos, com leveza.

Susana Martinho

O Valor que temos

No decorrer destes meses em que estive sem publicar no blogue, sempre pensei que, quando a vontade regressasse, iria retomar o ponto onde fiquei. Contudo, após escrever a mais recente Vitamina de Poder (na página do facebook), tem sido à volta desse tema que a minha mente tem andado a cirandar.

E de algum modo até faz sentido que ocorra aqui um entremeio, no espaço que vai da primeira à segunda parte, nesta história de contarmos a história do modo como queremos que ela seja. Afinal, não será o valor que achamos que temos, um dos alicerces sobre os quais erigimos o enredo da história em que se vai tornar a nossa vida?

Quando estabeleces metas, objetivos – e a aquela expressão que se tornou na minha favoritasonhos do que pretendes alcançar, não o fazes sempre dentro dos limites do valor que consideras que tens?

Porém, será que sabes o valor que realmente tens? Mais do que isso, será que sabes o valor que realmente ÉS?

E com franqueza, por muitas palavras que eu consiga escrever e por muito bem coordenadas que as consiga colocar, o certo é que, com toda a certeza, ficarei muito aquém de conseguir explicar esse valor que realmente tens/ÉS.

Esse valor que realmente tenho/SOU…

No momento em que dou azo à formulação deste texto, espero apenas conseguir vislumbrar, no meu sentir, aquilo que esse mesmo sentir me indica que é somente uma pontinha desse valor. E torço para que, desse lado, tu, que me acompanhas na leitura, também sintas esse movimento a ocorrer em ti.

E se és daqueles leitores que me tem acompanhado neste percurso da escrita – se és recém-chegado, bem-vindo 🙂 – , parte do que se segue não será novidade, pois já o escrevi antes, em pequenas reflexões soltas (as tais das Vitaminas). Contudo, há palavras que ficam associadas a sentimentos que, quanto a mim, vale a pena reunir e voltar a vivenciar. Assim sendo, aqui vai:

Ao contrário do que por vezes possas ter sido incutido a pensar, o teu valor não reside em algo que te é dado ou que possas obter por um qualquer mérito alcançado através de esforços despendidos.

O teu valor é algo que já é teu.

Sempre foi.

O teu valor reside em ti desde que nasceste. Acredito que até antes disso.

 Nesta medida não entra, portanto: o teu género, idade, profissão, estatuto, história de vida… ou uma outra qualquer classe em que costumamos catalogar as pessoas. Catalogarmo-nos.

Acaba, inclusive, de me ocorrer uma classificação que é deveras usual: boas pessoas – más pessoas.

E estando o valor que temos/somos, sempre associado ao que merecemos alcançar/receber, quase de certeza que, para além do teu género, idade, profissão e estatuto, foi na tua própria história de vida que encontraste evidências de que o valor das pessoas não se mede pela sua inclusão numa destas categorias: boa – má.

Por aí, as pessoas são como a Vida… e a Vida é como as pessoas. A Vida nem é boa, nem é má. A Vida simplesmente É! As pessoas simplesmente são.

E é precisamente no Ser, independentemente daquilo que achas que és, que tu tens valor.

Estejas onde estiveres na Vida, sejam as circunstâncias que te rodeiam as que forem, neste exato momento: TU tens Valor!

Neste instante, agora – e em qualquer instante a que, daqui em diante, possas chamar “agora” – a tua perspetiva da Vida é única.

A imagem que está formada na tua mente, neste preciso momento, sobre a Vida, sobre o mundo – sobre o que for – é tua. Tão tua.

Não há, no Mundo, alguém que consiga formar uma imagem que seja, de-ta-lha-da-mente, igual à tua. Por outro lado, sem ti, essa observação da Vida não teria acontecido. É pela tua maneira de observar a Vida e de construir imagens, tão únicas, que a Vida acontece.

A Vida acontece através de TI.

É nesta tua unicidade de Ser que reside o teu valor.

É por seres único que és valioso. É por seres único que és merecedor.

E é somente por isto – ou talvez seja somente por tudo isto – que tu podes contar a história da tua vida exatamente como queres que ela seja.

E a questão que fica agora a pairar em mim, coloco-a a ti também: andas a contar uma história digna do teu valor?

Pela (re)conexão com o Amor que Somos, com leveza.

Susana Martinho