Pelo outro ou por mim? – 6.ª parte

Na dimensão da escala do que realmente somos – um Universo numa só pessoa -, como é que os relacionamentos, sejam eles de que género for, podem dar certo se passamos o tempo todo a querer identificarmo-nos e a projetar para os outros o que temos dentro? Como é que os relacionamentos podem dar certo se temos em nós toda uma ideia concebida, construída ao longo de anos, de como os relacionamentos devem funcionar para, supostamente, poderem dar certo?

Aliás, será que é possível estabelecer, consolidar e apregoar uma base que defina o que é um relacionamento “certo”? Será que podemos realmente determinar modos de comportamento e de ação, que possam ser generalizados a cada tipologia de relacionamento, quando a diversidade que existe no interior de cada indivíduo é de uma magnanimidade tão vasta, que apenas a podemos conjeturar?

No entanto, é precisamente na nossa intenção de querer, por vezes a todo o custo, que um relacionamento dê certo, que nos vamos entrelaçando, até ficarmos completamente atados em apertados nós, nas circunstâncias que emergem no decorrer do assumir uma postura de fazer o que fazemos pelo outro.

E para aqueles de vocês que ainda possam estar tentados a pensar que há um relacionamento que serve de exceção, e que normalmente é o de pais para filhos – algo que foi abordado na 1.ª parte deste tema -, importa ressalvar que, assim como os filhos não sabem o que é o melhor para os seus pais, muitas vezes, os pais também não agem de acordo com o que é realmente o melhor para os seus filhos. Afinal, assim como os filhos não acompanharam a história toda da vida dos pais, e não têm como conhecer toda a individualidade que constitui cada um daqueles seres, os pais também não têm como acompanhar a história toda da vida dos seus filhos.

Por tudo isto, de cada vez que nos deparamos com um cenário que nos impele ao recurso do fazer algo por alguém, convém que tenhamos presente que nós podemos até colaborar para ajudar mas, precisamos tomar muito cuidado com a possibilidade de nos responsabilizamos por aquilo que é dos outros. E isto é algo que é transversal a todo e qualquer relacionamento.

Assim sendo, e lembrando que, na essência, somos seres energéticos integrados num sistema onde tudo é essencialmente energia, em Ti, está todo o Universo. Cada um que percecionas como sendo o Outro, é uma parte tua. Cada um que eu perceciono como sendo o Outro, é uma parte minha. E à medida que vamos conseguindo incluir toda esta abrangência, fica-nos mais fácil compreender que o único local onde podemos realmente fazer alguma coisa é em nós.

A única pessoa por quem podes efetivamente fazer algo é a tua.

Portanto, de cada vez que nos deparamos com aquilo que pode ser designado como um problema, em vez de nos focarmos em resolver o que está na nossa frente – fora de nós -, foquemo-nos em elevar a nossa frequência energética.

Começa no ponto onde estás, aceitando e acolhendo tudo o que possas estar a sentir. Acima de tudo, sê gentil contigo.

Sem pressas.

Fica aí, a deixar que essa sensação de aceitação e de gentileza se consolide no teu peito.

E assim que te sentires conectado com o teu centro, podes começar a escalar os degraus da escada que te leva para o topo de Ti. Não precisas de os subir todos agora. Basta que os vás subindo, um a um, na medida em que vais descobrindo qual o próximo pensamento que te faz sentir bem, pois, subir essa escada, é o mesmo que seguir a tua Alegria.

Ao movimentarmo-nos deste modo, elevando a nossa frequência, a forma como nos sentimos perante a situação altera-se. E é aqui que abrimos espaço para que, aos poucos, a magia comece a acontecer… Gradativamente, começa a ocorrer uma mudança ao nível da nossa programação interna, que, por sua vez, desencadeia uma progressiva dissolução de tudo aquilo que estava emaranhado. E por muito incrível e fantasioso que te possa parecer – o que certo é que acontece -, é como se a situação se resolvesse por si mesma.

Vou propor ainda outro cenário… Imagina que tu e as pessoas com quem te relacionas, e que têm “problemas” que tu gostarias de ajudar a resolver, estão numa mesma divisão, completamente às escuras. E cada uma dessas pessoas, incluindo tu próprio, têm a sua própria luz e o respetivo interruptor para a acender. Contudo, cada interruptor tem um estado de conservação muito peculiar e, como estão às escuras, ninguém tem como ver onde está, nem como está, o interruptor de cada um. Nestas circunstâncias, qual é o interruptor a que consegues aceder primeiro: o teu ou o do outro? Qual é mais seguro e viável acender primeiro: o teu ou o do outro?

Ao quereres ajudar, assumindo uma postura de “estou a fazer isto por ti”, sem acenderes primeiro a tua própria luz, para que consigas ver o que realmente te rodeia, corres o risco de danificar ainda mais o estado de conservação do interruptor do outro. Um estrago que, irremediavelmente, terá consequências para ti também, pois, o certo é que continuarão às escuras mas, agora, soma-se o peso crescente da dúvida sobre a dimensão daquilo que se terá danificado…

Por outro lado, e como é tua genuína vontade ajudar essas pessoas, tu realmente queres que cada uma delas acenda a sua luz. Contudo, não te soa a egoísmo exercido no caminho do medo, este querer que qualquer uma dessas pessoas acenda a sua Luz, quando tu não estás disposto a permitir que a tua própria Luz se acenda? Como é podes querer ver, ajudar e fazer algo por qualquer uma dessas pessoas, se não estás disposto a ver-TE? A ajudar-TE? A fazer por TI?

É por isto que, quando envolto na escuridão, com a certeza de que contigo estão Todos, acende primeiro a tua Luz. Aliás, acesa ela já está. Sempre esteve. Talvez esteja coberta pelo pó acumulado dos anos ou escondida debaixo de um valente bloco de betão. Enfim, só tu sabes como tens vindo a impedir essa Luz de brilhar no Mundo. E, no fundo, também sabes que sacudir esse pó ou quebrar esse bloco vai levantar poeira.

Se o fizeres, durante algum tempo vai-te custar respirar, não nego. Mas a poeira acabará por assentar. O ar voltará a ficar respirável e, quando isso acontecer, há mais espaço para essa tua Luz poder circular e viajar do teu centro para o centro de tudo.

Portanto, toma Coragem. Sacode o pó. Fragmenta esse enorme bloqueio que trazes no peito e deixa-te surpreender pelo vislumbre, daqueles que são apenas alguns flashes, de toda a Luz que trazes dentro. De toda a Luz que ÉS. Permite que ela irradie, mais e mais, a partir do teu coração e que, aos poucos, comece a iluminar tudo e todos à tua volta.

Quem nós somos influencia diretamente a vida das pessoas que convivem connosco. A nossa convivência influencia. A nossa convivência transforma, por isso, é sempre por nós que fazemos o que fazemos. E, ao ser por nós, acaba por ser PARA os outros.

“Podemos mudar o mundo. Não pelo que dizemos ou fazemos, mas como consequência daquilo em que nos tornamos.”

Dr. David R. Hawkins, Deixa Ir

Neste Mundo do Tudo Eu deixa que a tua Luz brilhe primeiro, para que, ao ver o brilho da tua Luz, outros possam ver a Luz que também são.

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

Anúncios

É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 6.ª parte

E então, conseguiste usar a ferramenta do perdão? Ou, pelo menos, colocaste-te na disponibilidade de a começar a utilizar?

Eu estou no processo! Talvez haja quem o consiga quase no imediato. Talvez… Contudo, creio que não é algo que se consiga de um momento para o outro. Leva tempo e cada pessoa terá o seu.

Cada pessoa sabe como construiu a sua própria torre. Apenas cada um tem conhecimento da quantidade de blocos que utilizou, do material de que são feitos, da altura que ela atingiu, se tem ou não telhado, ou janela… É mesmo caso para dizer: cada um sabe de si!

Porém, há algo que será certamente comum, embora este seja o momento em que me dirijo a ti, de forma individual: levou-te tempo a erguer essa torre. Talvez anos e anos da tua vida… talvez o somatório de todos os que tens até ao momento. Dedicaste-lhe energia, cuidado e entrega. Poderás até ter sido minucioso na colocação e alinhamento dos blocos, para que essa torre cumprisse a sua função protetora de forma rigorosa. Portanto, é provável que, também tu, estejas agora algo apegado a essa construção que ergueste com tanto carinho e empenho.

Se assim é, não te exijas. Não queiras detonar essa tua torre sem respeitar a relação de tempo de ignição do rastilho, sob o risco de os blocos se abaterem sobre ti, deixando-te abafado, suprimido e rodeado por um ar irrespirável.

Não te exijas, mas mantém o compromisso. Firma essa vontade que se ergueu de começares a ser mais capaz de escolher o Caminho do Amor e compromete-te a criar Coragem para ir derrubando essa torre. Pouco a pouco, no teu tempo, mas com perseverança e persistência.

Vou repetir: não te exijas! Respeita o teu tempo, mas vai sempre.

No meu caso, o desmoronamento da minha torre começou lá pelo telhado. Cada telha começou a soltar-se, foi deslizando, pelo lado de fora, e esfumou-se durante a trajetória da queda, para que não restasse qualquer estilhaço para embater no chão.

A cada fragmento que se soltava lentamente, a cada bloco que se abatia e se desvanecia, fui percebendo que se colocava, diante de mim, uma entrada para o desconhecido…

Lembras-te que referi que o passo que te estava a convidar a dar equivalia a um salto quântico? Pois bem, é aqui que tenho de fazer uma paragem para podermos relembrar alguns conceitos, que a grande maioria de nós aprendeu na escola.

Creio que todos conseguimos ter presente a imagem de um átomo e nos lembramos que ele é formado por um núcleo, que contém neutrões e protões e, à sua volta, em órbitas fixas que apresentam distâncias variadas, circulam eletrões, que se vão mantendo numa órbita particular. E, durante muito tempo, pensou-se que os eletrões se mantinham a circular sempre na mesma órbita.

Entretanto, com os avanços da Física Quântica, foi possível observar que os eletrões podem mudar de órbita. Quando um eletrão recebe/absorve uma dada quantidade de energia (quantum), ele pode saltar de uma órbita mais próxima do núcleo do átomo, para outra mais distante. Por outro lado, quando o eletrão liberta/emite essa mesma quantidade de energia, volta da órbita mais distante do núcleo, para aquela que lhe é mais próxima (faz o caminho inverso).

O que é verdadeiramente fascinante neste processo, e que o torna num conceito tão abstrato para a nossa mente, que adora agarrar-se a coisas concretas, é que nestas mudanças, de umas órbitas para as outras, o eletrão não se move pelo espaço que existe entre elas para chegar à sua nova localização. O eletrão simplesmente desaparece de uma órbita e aparece na outra, sem percorrer qualquer trajetória. E é este fenómeno que é designado por Salto Quântico.

Salto Quântico

  • “Um salto quântico é uma mudança de posição de um conjunto de circunstâncias para outro conjunto de circunstâncias, que ocorre em termos imediatos, sem se passar pelas circunstâncias intermédias.”

Deepak Chopra, Os Sete Princípios da Realização Pessoal

E se te estás a questionar em que medida estes conceitos da Física Quântica se relacionam com o que tenho vindo a escrever, então, reflete comigo. Repara nas circunstâncias da tua vida…

Consegues identificar os momentos em que insistes em viver como um eletrão, girando em torno de um mesmo ponto, sem nunca mudar de órbita?

Enquanto a tua, a minha, a nossa consciência do conhecimento for esta, vamos ficando presos nas mesmas condições, que nós próprios vamos gerando, através: dos nossos pensamentos, crenças, preocupações, mágoas, repressões, queixumes, de todas as escolhas que fizemos (e fazemos) para nos deslocarmos no caminho do medo…

É aqui que começamos a construir a nossa torre – cada um a sua – e, na continuidade de nos mantermos nessa órbita, continuamos também a acrescentar-lhe blocos, cimento, altura… telhado. Ficamos trancados nestas torres, por vezes sem janelas, e confinados ao espaço que nós mesmos delimitámos. Porém, tal como temos vindo a desvendar, todas as ferramentas que precisamos para sair destas torres – cada um da sua – estão em cada um de nós e apenas cada um pode utilizar as suas.

Se a tua torre ainda não tinha telhado, ou se, mesmo com telhado, tiveste o cuidado de lhe deixar uma janela, aproveita essas aberturas e inspira profundamente, como se estivesses a levar ar a todas as células do teu corpo.

Por outro lado, se a tua torre era como a minha, mas já permitiste que ela começasse a desmoronar, aproveita essas novas entradas para o desconhecido e renova o ar nos teus pulmões. Inspira profundamente também e prepara-te para dar uso às tuas ferramentas.

Algumas já encontrámos. Outras teremos de ir procurar. Mas, há uma garantia que eu consigo dar-te – por muito presunçoso que isto possa parecer 🙂  – : todas as ferramentas que precisas estão em TI. Por isso, prepara-te. Prepara-te para saltar!

 

Quanto mais escrevo e vou enveredando pelo caminho do autoconhecimento, mais vontade tenho de dar esse salto quântico. Mais vontade tenho que outras pessoas também o deem. E tu, queres saltar?

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho