Vamos semear sonhos? – 5.ª parte

Como anda o teu processo de sonhar? Tens descoberto quais são as sementes dos sonhos que trazes em ti para que os possas semear? E o mais essencial: tens nutrido, mesmo que seja só por uns breves instantes por dia, o amor por ti?

Todos estes passos são indispensáveis para a concretização de sonhos e espero que, ao teu ritmo, andes a colocar os teus passos a trilhar o caminho que te leva em direção a eles!

Se tens vindo a perceber o que faz o teu coração vibrar, também tens vindo a desvendar quais são os desejos que te movem. Que é o mesmo que dizer que tens vindo a descobrir quais são as sementes dos teus sonhos e, como sementes que são, já contêm em si todo o potencial e informação para que possam germinar. Para que se possam manifestar.

Por esta altura, acredito que estejas mais consciente de que o Caminho do Amor é o terreno fértil em Abundância para que possas semear os teus sonhos e que o Amor-Próprio é efetivamente a seiva com que os podes nutrir.

Com esta tomada de consciência, lembra-te que só vives no Agora.

O instante em que estás a viver, mais do que ser o tempo presente, é o único momento em que podes realmente experienciar a Vida. E é nele que tens a possibilidade de semear os teus sonhos. Uma sementinha de cada vez…

No Ciclo do Sonho, é imprescindível que cultives os teus sonhos no Agora, tendo por base quem És, neste exato momento da tua Vida.

Esta fase do processo é tão importante porque, sonhos que sonhaste no passado, podem fazer-te vibrar por aquilo que achas que te faz falta. Por uma energia que já não és. Por outro lado, não o faças com o foco no futuro também, pois, ao te projetares nesse tempo que ainda está por vir, sais do momento em que estás a viver. E como deixas de estar presente neste que é o instante mais fulcral da tua vida, o mais provável é que, movido pela ansiedade da incerteza que é inerente a tudo o que é vindouro, coloques a semente, desse sonho que tanto queres ver brotar, no terreno do caminho do medo. E lá, ele acabará por germinar mas, nunca com o brilho, a magnificência e o encanto que só o terreno do Caminho do Amor pode proporcionar.

Portanto, tu és o agricultor dos teus sonhos. Como tal, tens de estar atento às épocas de cultivo respeitantes aos diferentes tipos de plantação, para que possas colocar as sementes na terra no momento mais propício à sua germinação.

Aqui chegados, estamos prestes a entrar naquele que talvez se possa considerar o passo mais difícil de conseguir estabelecer, e que é: entregar! Soltar…

E como aplicar analogias com o que acontece na Natureza nos ajuda sempre no processo de compreensão da nossa realidade, para entendermos melhor em que consiste o “soltar”, lembremo-nos do que faz o agricultor.

Depois de ele ter lançado as sementes à terra, por muito que tenha preparado o terreno e planeado o sistema de plantio, as condições meteorológicas, por exemplo, são condicionantes que ele não pode controlar.

Para além disso, ele não pode forçar a planta a brotar da terra e a crescer, antecipando o tempo da colheita. Ao agricultor, resta aguardar e confiar no próprio processo de germinação das sementes que lançou à terra. No seu íntimo, ele sabe e confia que elas contêm em si toda a informação necessária para se desenvolverem. Afinal, se ele deitou na terra sementes de macieira, serão macieiras que irão germinar.

Caso ainda te sintas em dúvida, lembra-te que tu também és um sonho manifestado!

Estás aqui, a ler este texto, como um ser humano completamente formado mas, também tu, já foste uma sementinha. Uma semente que, ao se dividir, se multiplicou. Da união de duas células, outras duas se formaram, até que fossem dezenas, centenas… milhares.

E a mãe que te abrigou no seu ventre, não teve de andar a pensar, a planear e a controlar como fazer para que os teus órgãos, as tuas pernas, os teus braços, os teus dedos, o teu corpo se formasse. Restou-lhe confiar no processo e esperar. Esperar o tempo da colheita. Esperar o momento do teu nascimento.

E aqui estás tu. Sonho manifestado e criado. Um sonho com vários sonhos dentro.

Todos esses sonhos que fazem parte do teu Ser, são sementes em estado de latência, aguardando as condições ideais para germinar. Sendo que tu és a única pessoa no mundo que os pode cultivar.

Por isso, respira. Profunda e calmamente. Foca a tua atenção na tua respiração e estarás a colocar as bases do teu Ser no Agora. Nesse instante, pergunta ao teu coração: o que posso fazer para que te sintas feliz? Qual é o sonho que queres manifestar? E deixa que a resposta surja. As respostas sempre surgem…

Quando ela surgir, irás perceber uma alegria que emana do teu coração. Permite-te vibrar por essa alegria e, quando sentires essa emoção com todo o teu Ser, podes ter a certeza de que estás a pisar o terreno fértil em Abundância do Caminho do Amor. Com essa certeza no peito, celebra quem és. Começa pelo ponto que mais gostas no teu Ser e expande esse sentimento. Expande o Amor por ti.

Nutre o teu Sonho com o teu Amor-Próprio e torna-o apto a manifestar-se. Quanto mais nutrido estiver o teu Sonho, mais Tu te manifestas também.

E lembra-te de soltar a semente. Lança a semente nesse terreno conectado com a Fonte e rega-a com a tua alegria.

Lança a semente confiando que ela contém em si tudo o que precisa para brotar e crescer.

O teu verdadeiro trabalho é Ser. É Sonhar. E no íntimo da tua essência, tu sabes que esse sonho é para soltar. É para entregar.

Confia!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

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Vamos semear sonhos? – 3.ª parte

Na semana passada, pela primeira vez desde que assumi o compromisso de escrever um texto por semana, não o consegui cumprir. Encontro-me numa situação laboral que me ocupa demasiadas horas (bem mais do que aquelas que seria suposto) e, com o acumular do cansaço, foi-se acumulando também uma sensação de descrença, em relação ao que por aqui tenho vindo a escrever (desvio para o caminho do medo).

Como tal, foi-me necessário fazer uma pausa e persistir em olhar para todas as circunstâncias à luz do que tenho vindo a aprender e a sentir. Foi-me necessário tirar algum tempo para sentir-me! Para conectar-me com o SER e conseguir estar aqui de novo, pronta para continuar e colocar os meus passos dentro do Caminho do Amor.

Achei até uma certa graça ao facto de a necessidade de fazer uma pausa ter surgido ao fim de 21 textos. Afinal, apregoa-se que para uma mudança se tornar efetiva requer 21 dias seguidos de prática. No caso, não foram 21 dias mas, 21 semanas. 🙂

Vinte e uma semanas que me foram essenciais para começar a considerar que Sonhar pode ser algo fácil de realizar.

Atualmente, atrevo-me mesmo a dizer que Sonhar é fácil. O processo é simples. Só que, devido às inúmeras voltas e reviravoltas que damos na vida, temos de (re)aprender a fazê-lo. E é aí que reside a dificuldade pois, para podermos sonhar de acordo com aquilo que somos, temos de reunir a Coragem necessária para descobrirmos quem somos. E, numa primeira fase, essa é uma viagem que muitos de nós podem não estar na disponibilidade de fazer.

Afinal, durante muito tempo, fomos incentivados a olhar para fora. A compararmo-nos com os outros, para que entrássemos num modo de competição que nos fizesse almejar tudo o que nos motivasse a despender tempo, esforço e dinheiro, para adquirirmos bens e profissões que pudéssemos ter, de modo a que pudéssemos ser supostamente felizes e bem-sucedidos.

Passámos anos a viver dentro desse paradigma, a cimentá-lo bem forte dentro de nós. E mesmo quando percebemos que esse modelo de nada nos serve, custa-nos a sensação de ter que o derrubar. Por um lado, porque estamos apegados à sua ideia. Ao trabalho levado a cabo, por anos a fio, para o erguer, bem alto e seguro. E, como se trata já de um exuberante edifício, com vários andares, só o facto de considerar a hipótese de derrubá-lo e elaborar toda uma nova construção, de raiz, paralisa-nos. Por outro lado, é do alto desse edifício que conseguimos percecionar o quanto nos afastámos do projeto inicial que desenhámos, enquanto ainda sonhávamos com a emoção do sentimento das singelas alegrias que nos faziam vibrar.

E é aí que constatamos que a altura desse edifício corresponde à distância que percorremos em relação a quem somos. Foram todas as vezes em que nos amámos um pouquinho menos que nos permitiram construí-lo. E como passámos tanto tempo a amarmo-nos um pouquinho menos, explode a dúvida de que consigamos resgatar o nosso amor-próprio.

Do topo daquele edifício, o sentimento mais nobre que podemos nutrir por nós mesmos, parece-nos um pequeno ponto, ínfimo, no horizonte.

Tão distante…

Tão distante que questionamos se valerá realmente a pena despender tempo a tentar regressar para ele.

E atendendo ao tempo das nossas vidas que aquele edifício tomou a construir, parece impossível que consigamos voltar a projetar um novo modelo, que esteja em harmonia com quem somos, e que o consigamos erguer desde os alicerces, tendo por base o amarmo-nos um pouquinho mais.

Por esta perspetiva, voltar a sonhar parece realmente difícil, distante… quase impossível.

Só que, tal como no caso da Torre ao estilo Rapunzel, basta escolheres mudar de perspetiva. Basta que escolhas, neste exato momento, amares-te um pouquinho mais.

Essa escolha é o suficiente para dares o Salto Quântico. Essa escolha é o estritamente necessário para que te permitas começar a diluir esse edifício e para que coloques os teus pés junto dos alicerces do teu Ser, dentro do Caminho do Amor.

Porém, ao fim de tanto tempo longe de ti, talvez te depares com alguma dificuldade em recordar como é que te podes amar um pouquinho mais. Pode ser que te encontres naquele ponto em que consideras que já não há nada para amar ou que nem vales a pena o esforço e o tempo da mera tentativa.

Pois eu atrevo-me a dizer que vales.

Tu vales a pena!

Posso não te conhecer. Posso não saber nada da tua história. Mas, o facto de estares desse lado é o suficiente, pois é a prova de que estás aqui. Incluído neste Universo onde tudo foi criado com uma intenção.

Por isso, não importa por onde começas. O que importa é que o faças: escolhe amar-te.

Já. Agora!

Olha para ti. Aprecia as tuas mãos, os teus dedos, as tuas unhas, os braços, as pernas, os pés… Se quiseres ser mais arrojado (porque não?), coloca-te em frente ao espelho e aprecia os teus olhos, o teu cabelo – ou a careca 🙂 – o nariz, os lábios, o queixo, o teu jeito de sorrir… um sinal qualquer que te seja característico. E, no meio dessa imensidão de possibilidades, descobre algo em ti que realmente gostes.

Sentes que te é mais desafiante começar pelo corpo físico? Tudo bem! Pensa nas características da tua personalidade. Quais são os traços do teu Ser que te fazem sentir na tua mais alta energia? É a tua simpatia? A tua generosidade? A tua sinceridade? A tua gentileza?

A lista de possibilidades é imensa…

Não importa que seja o corpo todo ou só a ponta da unha do dedo mindinho do pé direito. Não importa que transbordes autoestima pela tua personalidade ou que só consigas descobrir um traço dela que realmente aprecies. O que importa é que te foques nesse aspeto que consegues gostar em ti.

Foca-te.

Sente o quanto gostas dele.

Sente o quanto gostas desse bocadinho de ti.

E fica aí. Fica aí um pouquinho, só a sentir.

A amar-te.

Tu mereces.

Celebra o teu SER. Celebra-te com Amor-Próprio e estarás também a celebrar os teus SONHOS.

E em jeito de celebração da Páscoa, faz hoje, Agora, e sempre que necessário, esta Passagem para o Caminho do Amor.

E que tenhas uma Páscoa Feliz!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

Vamos semear Sonhos? – 1.ª parte

Se uma árvore, para quem a observa e consegue sentir a alegria que remanesce dessa contemplação, pode ser um sonho, então, já reparaste na importância que pode ter uma simples semente no processo de manifestação desse mesmo sonho?

No caso das árvores, e das plantas em geral, ao contrário do que sucede com outros espécimes da Natureza, elas estão mais limitadas em relação à procura de condições favoráveis para o seu crescimento e desenvolvimento. Assim, no decorrer do seu processo evolutivo, elas foram desenvolvendo vários mecanismos para se dispersarem e distribuírem pelo mundo através de sementes.

E apesar de, em tamanho, uma semente poder ser minúscula quando comparada com a plenitude da árvore que dela resultar, a sua importância é extremamente vital em todo o processo da manifestação do sonho que é a árvore. É no seu interior que habita toda a informação necessária para que essa árvore se possa formar em todo o seu esplendor.

E num planeta habitado, para além de inúmeras árvores e plantas, por bem mais de 7 mil milhões de pessoas, sendo, cada uma delas, uma essência singular no mundo – um único sonho manifestado – é natural que cada um de nós traga em si os seus próprios sonhos para realizar. As suas próprias sementes para semear.

As nossas sementes são os nossos desejos. E todos os desejos que conseguimos pensar contêm em si todo o potencial e informação necessários para que os consigamos manifestar. Porém, assim como as sementes das plantas precisam de chegar a uma região onde estejam reunidas as condições ideais e favoráveis à sua germinação e crescimento, as sementes dos nossos sonhos também necessitam de condições propícias à sua manifestação.

As condições que somente cada um de nós, através das escolhas que faz a cada instante, pode proporcionar. E como cada escolha que faço me coloca num de dois caminhos – medo ou Amor -, e como as nossas escolhas são pessoais e intransmissíveis, sou eu quem escolhe o terreno, o solo, para acolher as sementes dos meus desejos. És tu quem escolhe o teu.

Portanto, onde é que queres semear os teus sonhos?

Dos dois caminhos entre os quais vamos caminhando pela Vida, apenas um tem um solo fértil em Abundância. Há apenas um caminho onde, aconteça o que acontecer, tudo o que brota no seu terreno dá certo. Tudo flui. Um caminho onde tudo o que ocorre serve um bem maior, embora nós, devido ao facto de estarmos turvados pela identificação com os nossos medos e resistências, tenhamos imensa dificuldade em reconhecê-lo. Dificuldade essa que surge quando nos estamos a mover pelo caminho do medo, onde também semeamos sonhos, sem repararmos que o solo onde deitamos as nossas sementes é árido, compacto e denso, o que impede o oxigénio de circular para que possa ser absorvido pelas sementes.

Quando seguimos pelo caminho do medo, é apenas com medos que podemos regar as sementes dos nossos sonhos. Mesmo assim, admiramo-nos quando eles germinam mirrados e ressequidos, e pensamos que não foi nada daquilo que semeámos… e que realmente sonhámos.

Contudo, se é no terreno da escassez do caminho do medo que semeias os teus sonhos, lembra-te que o super-poder de escolha é teu! E que o Caminho do Amor, apesar de lhe ser oposto, segue paralelo ao caminho do medo. Portanto, se consegues escolher estar num, também consegues escolher estar no outro.

Neste ponto, sou remetida para esta imagem que já coloquei noutro texto:

Caminho do Meio

E que creio que nos ajuda a perceber que é realmente fácil transitarmos de um caminho para o outro. Basta que mudemos a nossa perceção. A maneira como nos focamos, interpretamos e sentimos nas diversas situações.

Portanto, é fundamental que te acolhas! Que te sintas. Que te permitas Ser.

Sente-te. Aceita quem És. Sê quem és no mundo. Sem julgamentos. Sem culpas. Sem sequer estares preocupado com a eventual duração desse sentimento. Neste momento, não importa se o consegues fazer por muito ou pouco tempo. Se é um sentimento que vai permanecer contigo ou não.

Agora – no Agora – importa apenas que sintas.

Sente! Mais e mais. Vibra pela alegria de te permitires Ser.

Tu tens uma fábrica de emoções dentro do teu peito. Deixa que ela produza essa emoção até que ela se espalhe por todo o teu Ser. E é neste instante em que dás o salto para o Caminho do Amor, que estás também repleto dos nutrientes necessários para o plantio dos teus sonhos.

Ao nutrires Amor por TI, automaticamente, forneces os nutrientes essenciais para que as sementes dos teus sonhos, os teus desejos, possam germinar.

Por isso, quando estiveres na berma desse terreno fértil, nutre o Amor por Ti. Respira profundamente. Coloca uma mão no peito e sente o pulsar do teu coração. E quando o sentires, diz a ti mesmo, verbalizando as palavras de maneira a que a vibração da sua energia se espalhe por ti e à tua volta: Eu gosto de ti!

Acolhe tudo o que sentires no momento em que verbalizares estas palavras. E mesmo que seja apenas por uma mera fração de segundos, permite-te gostar de ti. Sê gentil contigo.

E agora sim, semeia. Semeia os teus sonhos e nutre-os com esse sentimento.

O teu Amor-Próprio é a seiva dos teus Sonhos!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho