O coração não se parte

Para quem me acompanha desde o início não é novidade que, o ano passado, foi-me um ano muito marcante, pois considero que foi o ano do meu grande despertar. Um despertar que não implica, nem tão pouco mais ou menos, conceber a amplitude do Todo mas, que me posicionou na tomada de consciência de que, em Tudo, há muito mais profundidade e vastidão do que à primeira vista conseguimos alcançar. Uma primeira vista que, muitas vezes, damos por garantida, certa e irrefutável. Porém, num Universo em que a nossa condição humana nos condiciona no modo de abarcar o tanto de possibilidades existentes – ou não fossem elas infinitas -, não sei se alguma vez poderemos considerar algo como garantido, certo e irrefutável… Talvez o mais garantido seja mesmo a mudança. Esse constante movimento de todos os corpos celestes e terrestres que, de tão subtil que pode ser, nos induz a uma sensação de quietude estática.

Mera ilusão

Num Universo em expansão tudo se movimenta, ou não fossem todas as ínfimas partículas que o constituem provenientes da mais incrível e poderosa fonte de energia que cria, constrói e transforma mundos.

E foi assim que me senti no ano passado: a expandir. A começar a tomar consciência de que essa incrível fonte de energia também está na raiz do meu Ser. Na de todos os Seres. Sem qualquer exceção.

Ao longo deste ano, que tem estado a passar num ápice – ou pelo menos é assim que o estou a sentir, agora que o vislumbre do seu fim já se personifica de modo quase impossível a não ser notado -, aquela sensação de expansão manteve-se presente. Mais ligeira. Num ritmo mais brando mas, sempre a constituir evidência de que há amplitudes que, depois de alcançadas, não podem ser retraídas.

A meio deste ano, em Junho precisamente, a Vida fez-me um convite. Um daqueles convites que, volta e meia ela nos faz, para nos colocar diante do que somos capazes de passar uma vida inteira a tentar evitar.

E, acredita, de cada vez que a Vida te faz um convite deste calibre, ela está a ser incrivelmente generosa contigo. Não te vai parecer assim. Eu entendo que não. No contacto inicial, pode parecer-te que ela está a ser ingrata ou até a tentar punir-te por algo. Falta de sorte, talvez penses. “Vida madrasta”. Só que não há nada de madrasto na Vida.

A parte tua que te leva a pensar que a Vida te está a dificultar a vida, é precisamente a parte tua que precisa de ser curada. Acolhida. Integrada no todo que ÉS. Enquanto tiveres partes tuas por acolher, vais sentir-te sempre incompleto e, na tua tentativa de fugir da dor que isso te causa, vais procurar por aquilo que te complementa em todos os lugares errados. E enquanto insistires nessa busca lá fora, daquilo que só pode ser resolvido dentro, mais alimentas a fuga, a dor… a rejeição. E o irónico é que, por muito que queiras apontar o dedo e afirmar que é algo ou alguém que te está a rejeitar, o certo é que o mundo apenas te está a espelhar a rejeição que tu fazes de ti próprio. Essa parte com a qual evitas lidar a todo o esforço é tua e, no incómodo que ela faz questão de te provocar, está apenas a pedir-te para olhares para ela; para que a deixes voltar e permanecer onde ela realmente pertence: a Ti.

E a Vida, na sua imensa sabedoria, ajuda neste processo. Todos os componentes que, de algum modo, tu também foste cocriando, acabam por convergir num evento que abala toda a tua estrutura – ou a ilusão da estrutura que julgavas ter -, e vês-te perante as circunstâncias em que tanto investiste para evitar.

No meu caso, o culminar dessas circunstâncias ocorreu num evento que se manifestou em Junho. E valeu-me… Valeu-me o facto de já estar desperta para algumas questões. Valeu-me o facto de, nos meses que o antecederam, me ter permitido expandir mais um pouco, embora tenha sido só naquele exato momento, diante daquelas circunstâncias, que eu tenha tomado consciência do caminho entretanto percorrido.

Um caminho que me levou a conhecer-me ao ponto de entender que, na minha rejeição/fuga do que tinha acontecido na linha do relacionamento em questão até àquele instante, eu passei anos a fio a rejeitar uma parte minha. Um caminho que me levou a conhecer-me ao ponto de conseguir acolher e aceitar muito do que tinha acontecido até então, exatamente da forma como aconteceu. Um caminho que me levou a conhecer-me ao ponto de conseguir entender que, nessa aceitação, eu ficava mais completa. Mais inteira. Mais una. Um caminho que me levou a conhecer-me ao ponto de saber que, por muito que um coração se tenha sentido magoado, e por muitas razões que a mente, movida pela voz do ego, nos tenha apresentado para continuar a alimentar essa mágoa, ele consegue transbordar um amor que nem sequer imaginava que pudesse ter em mim. Um amor que consegue transcender qualquer uma daquelas razões e que acalma, apazigua, precisamente porque une os fragmentos aparentemente estilhaçados e espalhados.

No cerne dessas razões que a mente egóica gosta de nos apresentar reside, não só a possibilidade da nossa fragmentação, mas também a tendência para nos identificarmos com questões que não são nossas. E ao sermos movidos por uma força que não deixa de ser amor, tomamos o que é do outro como nosso, numa tentativa de poder ajudar, pertencer e, no maior dos extremos, de tentar salvar… E seguindo o esforço destas tentativas vãs, que ilusoriamente nos parecem sempre a via mais lógica a adotar, assumimos uma lealdade para com o outro, que nos leva a repercutir os mesmos tipos de comportamento que ele exerce, como se pudéssemos levar o fardo que é do outro connosco, para que ele não tivesse de o transportar.

De novo, mera ilusão…

Fardos que são do outro só ao outro pertencem. Fardos que são teus só a ti pertencem. Fardos que são meus só a mim pertencem.

Porém, nesta nossa tentativa de carregar o que ao outro pertence, blindamos a nossa própria visão e não percebemos que, como se trata de algo impossível de fazer, acabamos é por criar um novo fardo. E esse sim é nosso e só nós podemos transportar.

Contudo, mais uma vez, podemos passar anos a fio a ser movidos por esta ilusão. Eu passei. Creio que há situações nas quais ainda estou a passar…

E, mais uma vez também, a Vida, na sua incrível generosidade, reuniu todos os componentes necessários para que aquilo que tentei a todo o custo transportar, mesmo que de modo inconsciente, pudesse vir à tona.

E veio! Oh, se veio…

Cheguei a ler algures que, de acordo com o alinhamento dos astros, o momento era mesmo de cura e que, se não o estivéssemos a sentir, é porque não estaríamos vivos. Atendendo a este ponto de vista, sem dúvida que, Novembro, foi o mês em que estive mais viva este ano.

À medida que se aproximava o momento agendado que me ia ajudar a clarificar aquilo que eu, mesmo sem saber conscientemente, tinha escolhido transportar, todas as circunstâncias à minha volta se organizaram para convidar a esse sentir.

Um sentir que doeu! Oh, se doeu…

Um sentir que me apertou o peito durante alguns dias, ao ponto de me custar respirar. Um sentir que me baralhou os sentidos. Um sentir que me fez sentir como se o coração se estivesse a partir. Um sentir que me permiti sentir. Um sentir que eu tinha de sentir, precisamente para poder começar a poisar um fardo que não era meu para transportar.

E foi precisamente por todo este sentir, que eu acabei por sentir: o coração não se parte!

O que se parte, o que se estilhaça dentro de nós, é o tal bloco de betão com que cobrimos o coração. Aquele bloco que vai aumentando de volume a cada mágoa que escolhemos tomar como nossa e guardar para suposta proteção de mágoas futuras. E quanto mais denso for esse bloco, mais o peito aperta. Mais o peito dói.

Contudo, por muito que doa, acredita, o coração não se parte.

E o que doer, deixa doer. Deixa doer para que passe depressa.

Por vezes, para renascer, é preciso quebrar. Portanto, deixa que esse bloco se estilhace. Deixa que ele se fragmente e se despedace.

Confia.

Confia que o coração não se parte. E que, a cada fissura que surgir, há um feixe da tua Luz a incidir no Mundo. Uma Luz que só tu podes brilhar. Uma Luz que só tu podes ser. Uma Luz que só tu podes viver.

E o Mundo precisa da tua Luz. Por isso, atreve-te: brilha, sê e vive a Luz que És!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

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Pelo outro ou por mim? – 5.ª parte

A cada texto que escrevo sobre esta temática sinto que a ideia de aceitar o egoísmo como um estado natural do nosso Ser, é algo que, com a devida leveza, se vai permeando e instalando em mim.

E contigo? Tem sucedido o mesmo? Espero que sim!

Como temos vindo a constatar, independentemente do caminho por onde nos estamos a mover no momento atual, acabamos sempre por ser egoístas.

No caso do texto anterior, que foi muito focado em cenários possíveis para o exercer do egoísmo dentro do caminho do medo, acabei por perceber que, atendendo a todas as ramificações que se iam formando, tornou-se inevitável seguir aquelas que faziam mais sentido para mim, por serem as que mais se aproximam à realidade das minhas vivências. (Olha eu a ser egoísta… 🙂 ). Para além disso também constatei que, até o uso da palavra “fiz”, dentro da expressão “Fiz isto por ti!”, remete logo para o Eu. Portanto, como talvez já te esteja deveras evidente e, espero, em vias de ficar completamente dissociado de qualquer sentimento de culpa ou da possibilidade de julgamento de poderes ser considerado uma “má” pessoa, o certo é que, mesmo que o nosso egoísmo seja realizado dentro caminho do medo, continuamos a agir por interesse próprio. Somos egoístas, sempre.

No início desse texto também aludi duas situações, algo caricatas, que me tinham acontecido naquela semana, tendo referido que deixaria uma delas para relatar numa próxima.

Pois bem, o que aconteceu nessa mesma semana foi que, no decorrer de uma conversa repleta de diversos tópicos, e sem qualquer referência ao facto de eu elaborar algum trabalho de escrita, houve alguém que me disse que, quando uma pessoa alimenta demasiado o amor-próprio, isso torna-se nocivo porque, é como se a pessoa só se visse a ela mesma. Diante destas palavras, o que retorqui foi apenas: “Isso não é Amor-Próprio.” Ao que a pessoa respondeu, olhando para mim com os seus olhos claros, grandes e expressivos: “Pois não! É ego.”

Ao seu jeito, aquela pessoa estava a apresentar-me uma definição do que significa para ela ser egoísta dentro do caminho do medo. Contudo, a sensação com que fiquei foi que faltava ali uma certa dose de clareza, visto que, os termos “amor-próprio” e “nocivo” realmente não conjugam.

De algum modo, até de acordo com a definição que podemos encontrar no dicionário – Amor exclusivo à pessoa e aos interesses próprios -, a palavra egoísmo expressa, precisamente, Amor-Próprio. Assim à primeira vista, acredito que talvez não seja logo percetível, devido à presença da palavra exclusivo que, inserida naquele contexto, pode transmitir a sensação de um espaço tão limitado e restrito, onde, muito dificilmente, caberá algo mais para além do Eu. Circunstância que, aliás, já tinha sido referida neste texto e que nos ajuda a criar e a sustentar a ideia – que inconscientemente fica instalada na nossa programação interna – de que somos “maus” por exercermos o Amor-Próprio.

E é justamente por tudo isto que sinto que se torna imprescindível continuar falar do egoísmo como uma forma natural de Ser, motivando-me para o fazer cada vez mais dentro do Caminho do Amor, ao mesmo tempo que te tento inspirar a fazer o mesmo. Afinal, e como tenho dado por mim a dizer com alguma frequência por estes dias, vivemos num Mundo de Tudo Eu. E acredito que a consequência do passo dado, na direção da aceitação deste facto, se constitui como algo fundamental para que o mundo se torne num lugar mais harmonioso, precisamente por ser assim.

Vamos descortinar?

Pois bem, se nós nascemos na vibração do Amor – e cada vez mais acredito que sim -, se o Amor Incondicional é o que está na essência do nosso Ser, é completamente impossível que, ao alimentar o Amor-Próprio, estejamos a conceber algo prejudicial para nós e/ou para os outros.

Tudo o que está na Vida de cada um de nós, sem qualquer exceção, é um veículo para o nosso crescimento pessoal/individual. E isto não se aplica só a mim, nem só a ti. Isto aplica-se a toda a gente…

Desta forma, faz todo o sentido que, independentemente do tipo de relação ou do elo de ligação que tenhamos com alguém, seja nossa prioridade colocar o nosso foco a incidir em quem Somos. Sempre!

A história – a Vida de cada um – é isso mesmo: a Vida de cada um. E a Vida de cada um somente àquele um pertence.

Num Universo onde tudo é essencialmente energia, tu tens uma assinatura energética única. E o mesmo se aplica a cada um de nós. Cada um de nós é um Ser único, com uma história de vida (talvez de vidas) única.

Há tanta informação guardada em ti, que acabas por ser um Universo numa só pessoa. Cada um que é o Outro, também é um Universo numa só pessoa. Portanto, de cada vez que nos relacionamos e interagimos com outra pessoa, não se trata apenas de duas pessoas a relacionarem-se. É todo um Universo a interagir e a relacionar-se com outro Universo.

Nesta imensidão daquilo que tu e o outro trazem dentro – e SÃO -, o que achas que pode acontecer de cada vez que colocas o foco fora de ti e tentas assumir a postura de fazer o que fazes pelo outro?

Para além dos cenários apresentados nos textos anteriores, costumamos adotar essa postura de fazer pelo outro, de cada vez que nos identificamos com ele e com as suas vivências. Porém, a partir do momento em que determinamos essa identificação, e tentamos assumir uma postura de querer ajudar o outro, aquilo que estamos realmente a estabelecer é a ocorrência de um emaranhamento. Ou seja, em vez da situação que está a ser interpretada como um problema se começar a resolver, ela tende a piorar. Afinal, é todo um Universo a tentar interferir no modo de funcionamento de outro Universo. Como é que isto pode dar certo, não é? Ademais, já não é só uma pessoa a considerar a existência de um problema, mas sim, duas. Por conseguinte, começa a haver somatização do que quer que seja com que nos identificámos. Para além disso, ao emaranharmo-nos nas situações do outro, começamos a querer ir no seu lugar. E, por muito que ainda nos custe reconhecer, isso é algo completamente impossível de se fazer.

Portanto, ao contrário daquilo que costumamos supor, isto não se constitui como ajuda. Antes pelo contrário…

A partir do momento em que se dá o emaranhamento deixa de haver espaço para que a energia de cada um se exerça. Surgem momentos de tensão, conflito, confusão… que, bem vistas as coisas, são avisos da própria Vida, a alertar-nos para o facto de estarmos a sair do nosso próprio alinhamento.

O resultado da tendência de te focares exclusivamente nos outros é o esqueceres-te de ti mesmo. Neste afastamento que estabeleces com a tua própria pessoa – desalinhamento -, ocorre uma exclusão, visto que há todo um Universo que fica abandonado. O teu! E se tu te excluis de ti mesmo, como é que podes ajudar o outro efetivamente?

Não podes… Não podemos.

Posto isto, não devemos, sob qualquer circunstância, identificarmo-nos com os outros ou com as suas vivências, independentemente dos laços de amizade, familiares, profissionais ou amorosos.

O nosso verdadeiro trabalho é SER. É Sonhar! Como tal, torna-se imprescindível que te alinhes com quem realmente És. Ao colocares o foco somente no teu centro, presente no teu próprio Universo, ficas automaticamente conectado com a Fonte. E é através da conexão com a vibração que brota do Caminho do Amor que tu abres, de par em par, a porta para a inclusão.

É possibilitando a inclusão do Universo que és em TI mesmo, que te permites o espaço para incluir o Universo que é o Outro.

Por isso, lembra-te: no Universo que é o outro e a sua Vida, só ele pode ir no seu lugar. Deixa-o ser egoísta.

No Universo que És tu e a tua Vida, só TU podes ir no teu lugar. Sê egoísta. E sê-o com todo o teu coração pois, acredita, nesse aparente pequeno cantinho do teu Ser, cabem muitos Universos.

Em TI, cabe o Universo inteiro!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

Costumas conectar-te com a tua Essência?

Este texto que partilho hoje, ainda é um pouco fora daquele que é o meu formato habitual por aqui (espero voltar a ele em breve). Contudo, é o que está dentro das vivências atuais.

Já o partilhei na página do facebook mas, como nem todos os leitores que vão acompanhando o que escrevo fazem uso da mesma, optei por colocá-lo aqui também. Afinal, nunca se sabe quem se poderá sentir tocado ou inspirado, nem que seja só um pouquinho, pela sua mensagem.

Acabei de dar mais um salto na minha Vida, e ainda me sinto na fase do voo, confiando que o Universo vai colocar o chão em baixo. Foi um salto seguido de novas situações, circunstâncias e emoções para processar que não eram, de todo, esperadas. Mas, bem vistas as coisas, o que é realmente esperado nesta Vida? Tudo na Vida requer Movimento, Mudança… Mesmo que seja de forma muito gradual.

Devagarinho.

Dentro do Movimento no qual me encontro no momento, estou a levar a cabo um trabalho de escrita, que acaba por assumir um jeito peculiar de ser, visto que é direcionado para alguém em particular.

Contudo, dentro do extenso texto já escrito, tenho sentido em mim a necessidade de partilhar convosco esta parte. Por isso, com as devidas adaptações, cá vai:

Costumas conectar-te com a tua Essência?

Aceitas o meu convite para o fazer? Espero que sim!

Inspira e expira calma e profundamente. Fá-lo quantas vezes forem necessárias até conseguires levar o ar desde o topo da tua cabeça à ponta dos dedos dos pés. Quando inspirares, visualiza o ar a percorrer o teu corpo todo. Sente esse ar a chegar a cada célula. Desfruta dessa sensação de bem-estar e de presença.

Quando quiseres, coloca uma mão sobre o teu peito. Sente o pulsar do teu coração e pergunta pela tua bolinha de Luz.

Chama por ela. Pede-lhe que se mostre. Diz-lhe que estás disposta(o) a recebê-la com todo o teu coração. Com todo o teu Amor.

Pode ser que a consigas vislumbrar, sentir ou ambas. O certo é que o melhor órgão para “veres” a tua Essência é o coração. Por isso, sente-a. Fica aí um bocadinho, só a sentir.

Sente. Sente.

E quando a sentires bem presente fala com ela. Já é tempo de falares com ela.

Já é tempo de a escutares.

Ela tem tanto para te dizer.

Pergunta-lhe como é que ela está. Pergunta-lhe como é que ela se sente. Pergunta-lhe como é que ela se sentiu nestes anos todos da tua vida (que também foi a vida dela).

E ouve tudo.

O melhor órgão para “ouvires” a tua Essência é o coração.

Sente. Sente e escuta todas as respostas que ela te der.

Se possível, escreve numa folha ou num caderno todas as respostas que ela te transmitir.

Uma a uma.

Com calma e tranquilidade. Cada uma no seu tempo.

Consegues sentir as saudades que ela tinha de ti? Consegues sentir as saudades que tu tinhas dela? Imensas, não são?

E como essa bolinha é Luz, é imprescindível que lhe perguntes: “Queres que eu te deixe brilhar?”

E te garanto que o “SIM” que ela tem para te dizer, e que vais sentir a pulsar no teu Ser, é algo que ela sempre quis que tu a deixasses fazer.

Essa bolinha de luz é a tua Essência. É o teu estado mais puro e subtil de Ser. É quem tu realmente És.

É quem realmente sempre foste.

E essa bolinha de Luz esteve sempre aí.

O tempo todo. 

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Fotografia de Eric Paré: https://www.instagram.com/ericparephoto/

Susana Martinho

Vamos semear sonhos? – 5.ª parte

Como anda o teu processo de sonhar? Tens descoberto quais são as sementes dos sonhos que trazes em ti para que os possas semear? E o mais essencial: tens nutrido, mesmo que seja só por uns breves instantes por dia, o amor por ti?

Todos estes passos são indispensáveis para a concretização de sonhos e espero que, ao teu ritmo, andes a colocar os teus passos a trilhar o caminho que te leva em direção a eles!

Se tens vindo a perceber o que faz o teu coração vibrar, também tens vindo a desvendar quais são os desejos que te movem. Que é o mesmo que dizer que tens vindo a descobrir quais são as sementes dos teus sonhos e, como sementes que são, já contêm em si todo o potencial e informação para que possam germinar. Para que se possam manifestar.

Por esta altura, acredito que estejas mais consciente de que o Caminho do Amor é o terreno fértil em Abundância para que possas semear os teus sonhos e que o Amor-Próprio é efetivamente a seiva com que os podes nutrir.

Com esta tomada de consciência, lembra-te que só vives no Agora.

O instante em que estás a viver, mais do que ser o tempo presente, é o único momento em que podes realmente experienciar a Vida. E é nele que tens a possibilidade de semear os teus sonhos. Uma sementinha de cada vez…

No Ciclo do Sonho, é imprescindível que cultives os teus sonhos no Agora, tendo por base quem És, neste exato momento da tua Vida.

Esta fase do processo é tão importante porque, sonhos que sonhaste no passado, podem fazer-te vibrar por aquilo que achas que te faz falta. Por uma energia que já não és. Por outro lado, não o faças com o foco no futuro também, pois, ao te projetares nesse tempo que ainda está por vir, sais do momento em que estás a viver. E como deixas de estar presente neste que é o instante mais fulcral da tua vida, o mais provável é que, movido pela ansiedade da incerteza que é inerente a tudo o que é vindouro, coloques a semente, desse sonho que tanto queres ver brotar, no terreno do caminho do medo. E lá, ele acabará por germinar mas, nunca com o brilho, a magnificência e o encanto que só o terreno do Caminho do Amor pode proporcionar.

Portanto, tu és o agricultor dos teus sonhos. Como tal, tens de estar atento às épocas de cultivo respeitantes aos diferentes tipos de plantação, para que possas colocar as sementes na terra no momento mais propício à sua germinação.

Aqui chegados, estamos prestes a entrar naquele que talvez se possa considerar o passo mais difícil de conseguir estabelecer, e que é: entregar! Soltar…

E como aplicar analogias com o que acontece na Natureza nos ajuda sempre no processo de compreensão da nossa realidade, para entendermos melhor em que consiste o “soltar”, lembremo-nos do que faz o agricultor.

Depois de ele ter lançado as sementes à terra, por muito que tenha preparado o terreno e planeado o sistema de plantio, as condições meteorológicas, por exemplo, são condicionantes que ele não pode controlar.

Para além disso, ele não pode forçar a planta a brotar da terra e a crescer, antecipando o tempo da colheita. Ao agricultor, resta aguardar e confiar no próprio processo de germinação das sementes que lançou à terra. No seu íntimo, ele sabe e confia que elas contêm em si toda a informação necessária para se desenvolverem. Afinal, se ele deitou na terra sementes de macieira, serão macieiras que irão germinar.

Caso ainda te sintas em dúvida, lembra-te que tu também és um sonho manifestado!

Estás aqui, a ler este texto, como um ser humano completamente formado mas, também tu, já foste uma sementinha. Uma semente que, ao se dividir, se multiplicou. Da união de duas células, outras duas se formaram, até que fossem dezenas, centenas… milhares.

E a mãe que te abrigou no seu ventre, não teve de andar a pensar, a planear e a controlar como fazer para que os teus órgãos, as tuas pernas, os teus braços, os teus dedos, o teu corpo se formasse. Restou-lhe confiar no processo e esperar. Esperar o tempo da colheita. Esperar o momento do teu nascimento.

E aqui estás tu. Sonho manifestado e criado. Um sonho com vários sonhos dentro.

Todos esses sonhos que fazem parte do teu Ser, são sementes em estado de latência, aguardando as condições ideais para germinar. Sendo que tu és a única pessoa no mundo que os pode cultivar.

Por isso, respira. Profunda e calmamente. Foca a tua atenção na tua respiração e estarás a colocar as bases do teu Ser no Agora. Nesse instante, pergunta ao teu coração: o que posso fazer para que te sintas feliz? Qual é o sonho que queres manifestar? E deixa que a resposta surja. As respostas sempre surgem…

Quando ela surgir, irás perceber uma alegria que emana do teu coração. Permite-te vibrar por essa alegria e, quando sentires essa emoção com todo o teu Ser, podes ter a certeza de que estás a pisar o terreno fértil em Abundância do Caminho do Amor. Com essa certeza no peito, celebra quem és. Começa pelo ponto que mais gostas no teu Ser e expande esse sentimento. Expande o Amor por ti.

Nutre o teu Sonho com o teu Amor-Próprio e torna-o apto a manifestar-se. Quanto mais nutrido estiver o teu Sonho, mais Tu te manifestas também.

E lembra-te de soltar a semente. Lança a semente nesse terreno conectado com a Fonte e rega-a com a tua alegria.

Lança a semente confiando que ela contém em si tudo o que precisa para brotar e crescer.

O teu verdadeiro trabalho é Ser. É Sonhar. E no íntimo da tua essência, tu sabes que esse sonho é para soltar. É para entregar.

Confia!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

Como te sentes em relação a sonhar? – 3.ª parte

Tens notado alguma diferença, na tua tomada de consciência, em relação ao caminho em que te moves?

A escolha entre o caminho do medo e o Caminho do Amor, apesar de presente, desde sempre, nas nossas vidas, creio que é feita, na sua maioria, de modo inconsciente. No entanto, tenho reparado que, embora ainda me mova muito pelo caminho do medo, o meu estado de consciência em relação a esse facto está muito mais desperto.

E contigo? Notas alguma diferença? Consideras que consegues identificar, com maior facilidade, em que caminho efetuas as tuas escolhas?

Espero que sim pois, para além de ser uma evidência de que estás a ficar mais conectado com o teu Ser, é também um sinal de que estás a ficar mais alinhado com a tua possibilidade de sonhar.

Estares desperto para consciência do caminho em que te moves, permite-te ter uma melhor noção da frequência em que estás a vibrar.

Este aspeto também se torna determinante para quem está habituado a encarar a vida como se ter pensamento positivo fosse suficiente para se ser capaz de sonhar e de ficar mais próximo de se ter o sonho concretizado. Não é!

Podes ter um pensamento positivo – “Eu quero viajar!”; “Eu vou conseguir um emprego melhor!”; “Eu vou ganhar mais dinheiro!”; “Eu quero um relacionamento saudável e feliz!”… – e estares a mover-te no caminho do medo. Ou seja, apesar do pensamento que formulas na tua mente, e que pode ser realmente considerado positivo, a emoção que vibra no teu coração, e que se difunde pelos átomos do teu corpo, é o medo.

Por exemplo, podes muito querer viajar mas, sentes medo de não conseguir comunicar noutro país, numa língua que não conheces; podes querer mudar de emprego mas, sentes medo de ficar sujeito à incerteza da adaptabilidade a um novo trabalho; podes querer ganhar mais dinheiro mas, como acreditas que as pessoas que são mais ricas são desonestas, sentes medo de te tornares numa pessoa desonesta caso enriqueças; podes querer um relacionamento saudável e feliz mas, como cada um aceita o amor que acha que merece, poderás sentir medo de não ser merecedor desse amor…

Aquilo que acabei de enumerar são meros exemplos, que não têm de ser aqueles que existem na tua realidade. Contudo, espero que funcionem como um catalisador, para que te seja mais fácil identificar os medos que sentes, por muito que a tua mente te tente convencer que tens um pensamento positivo e que isso é quanto basta.

Chega a ser impressionante a facilidade com que vamos fazendo as nossas escolhas pelo caminho do medo, sem percecionar que nos estamos a conectar com a escassez. Sem perceber que caminhamos pela Vida – que, por si só, é Abundância – com a constante sensação de que nada é suficiente. Onde o nosso foco reside, essencialmente, no facto de não nos sentimos merecedores.

E essa escolha é feita por cada um de nós. Essa escolha é minha. Essa escolha é tua. Mesmo nestas circunstâncias continuas a ser cocriador da tua realidade. Se vibras pelo medo, vais continuar a atrair e a focar-te em situações, eventos e pessoas que justificam e validam os medos que sentes.

Colocado desta forma, creio que fica óbvio que o caminho do medo permite-nos apenas materializar isso mesmo: medos! Ou seja, o caminho do medo não é um caminho que nos permita sonhar…

Por tudo isto, lembra-te de escolher o Amor sobre o medo! E faz essa escolha tantas vezes quantas as necessárias.

Afinal, qualquer sonho que consigamos formular, envolve que nos tornemos mais abundantes, mais prósperos. E há apenas um caminho que nos leva aos nossos sonhos, colocando-nos na direção da sua concretização: aquele que emana da Fonte Criadora. Aquele que vibra, que É: Amor!

Independentemente do consenso de ter ocorrido ou não um Big-Bang, se atualmente somos capazes de conceber que tudo o que conseguimos: ver, sentir, cheirar, ouvir, saborear, tocar; provém de uma mesma matéria-prima (átomos) e que a força que guia todos os astros, galáxias, planetas e estrelas também nos guia a nós, então, podemos confiar que essa Fonte é incrivelmente abundante.

Podemos confiar que essa força vibra na frequência universal que tudo une, que tudo conecta: o Amor.

E tu não és exceção. Tu também és proveniente dessa Fonte! Consegues senti-la a pulsar dentro de Ti? Fecha os olhos, respira profundamente, coloca a consciência no teu peito e sente! E agora… sonha!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho