Pelo outro ou por mim? – 4.ª parte

Na semana passada aconteceu uma situação muito gira – aliás, duas, mas deixo uma delas para a próxima – que me parece servir como nota introdutória para dar continuidade a esta reflexão.

Quando alcancei aquele momento em que dei o texto por terminado, deparei-me com uma citação que tinha guardado num documento, só que já não me lembrava que o tinha feito. Guardei-a com a intenção de que ela me pudesse servir de lembrete, do género: “este é um tema sobre o qual ainda vou escrever”. E o giro é que primeiro escrevi sobre o tema e só depois encontrei o dito “lembrete” que, por sinal, resume tudo o que tenho vindo a escrever numa só frase:

 “O Egoísmo não está em viver como se deseja viver, o egoísmo está em pedir aos outros que vivam como você deseja viver.”

Oscar Wilde

 Este singelo conjunto de palavras é o suficiente para expor a diferença entre aquilo que é exercer o egoísmo no Caminho do Amor ou no caminho do medo. A forma como o fazemos neste último, vai continuar a ser a base de desenvolvimento também para este texto.

Creio que é algo que vale a pena a fazer porque, para conseguirmos abrir espaço para o novo – exercer com mais coragem e leveza o egoísmo dentro do Caminho do Amor – precisamos deixar ir velhos paradigmas. E quando conseguimos obter uma compreensão mais ampla sobre o modo como eles nos limitam, torna-se mais fácil para nós conseguirmo-nos soltar deles.

Posto isto, importa que fiquemos recetivos a eventuais evidências que nos permitam sinalizar se estamos a ser egoístas dentro do caminho do medo. Uma delas, como já constatámos no texto anterior, é o recurso à expressão “Estás a ser muito egoísta neste momento!”. A verbalização destas palavras coloca o foco a incidir no outro. Contudo, há uma outra expressão – que tem muitas descendentes -, e que para além da sua recorrente utilização evidenciar que nos estamos a mover pelo caminho do medo, também coloca o foco a incidir na nossa própria pessoa. Será que estamos a pensar na mesma? 🙂 Refiro-me à expressão: “Fiz isto por ti!”

O “fazer por ti”, algo que ainda nos está muito associado ao verdadeiro gesto de altruísmo e à necessidade de sermos validados como “boas” pessoas, implica a aquisição de todo um conjunto de consequências, que podem ser mais ou menos subliminares (também em virtude de nos terem pedido para fazer alguma coisa ou não), e cujo valor de compra, apesar de bem autêntico, encontra-se dissimulado por entrelinhas de letras miudinhas. E essas, ou nos passam despercebidas, ou, mesmo que olhemos para elas, nem sempre nos disponibilizamos para as ler com o merecido e devido estado de presença.

E assim como quem redige as letras miudinhas o faz numa tentativa de renunciar a qualquer efeito que possa provir da possível falta de uma leitura atenta, quem afirma perante o outro “fiz isto por ti”, também está a prescindir da sua responsabilidade como elemento participante em todo o processo.

No inconsciente desta tentativa de nos livrarmos da nossa responsabilidade reside – até onde consigo abranger atualmente –, não só uma necessidade de considerar que o fazer pelo outro nos previne do julgamento de podermos ser considerados uma “má” pessoa, mas também uma intenção de ficarmos completamente ilesos de eventuais sentimentos de culpa.

É como se o recorrer a uma expressão do género “fiz isto por ti”, firmasse um contrato entre mim e o outro.

Na sua primeira cláusula fica logo estabelecida a minha evidente capacidade de altruísmo e, por consequência, o facto de eu ser uma “boa” pessoa.

No entanto, por muito que o contrato estabelecido entre duas entidades esteja bem elaborado, o terreno onde ele assenta – que é a área dos relacionamentos – não é completamente estático. Todos nós sabemos que se trata de um terreno sujeito a oscilações e a movimentos não previstos. Ou seja, no fundo, todos nós sabemos que, num contrato elaborado nestes termos, as condições para que o sentimento de culpa possa emergir tornam-se deveras favoráveis. E cada um de nós, de algum modo, sabe que ele pode despoletar a qualquer momento. É por isso que, logo a seguir, a segunda cláusula deste contrato estabelece que a pessoa em quem se pode depositar a culpa é: o outro. Afinal, se foi pelo outro que agi como agi e, se ao agir assim, estou a ser uma boa pessoa, então, a existir um culpado por algo que não suceda como o esperado, só pode ser… o outro.

Estas são algumas das cláusulas possíveis quando o contrato é do tipo “A Responsabilidade é Tua”. Porém, existe um outro tipo de contrato, que é “A Responsabilidade é Minha”. Neste, a primeira cláusula mantém-se firme e hirta (como uma barra de ferro. Não resisti à brincadeira! 😀 Para quem não entendeu – ou quiser relembrar – deixo o link aqui). A segunda, contudo, altera-se para estabelecer que o depositário da culpa sou eu.

Quando firmo este outro tipo de contrato, assumo a postura de ser a única responsável por toda a dinâmica e por todos os resultados que dela possam advir. Se a minha intenção for a de ajudar, pretendo tanto fazer algo pelo bem-estar do outro que, se tudo correr conforme o esperado, é garantido que obtenho, efetivamente, a comprovação de que sou realmente uma “boa” pessoa. Por outro lado, se os eventos descarrilarem, não vou conseguir lidar com o facto do outro se poder sentir mal/responsável/culpado e vou querer tomar todo o mal-estar, responsabilidade e culpa para mim (tento sofrer na vez do outro, para que ele não sofra). E até nesta ampla disponibilidade para tomar todo este fardo somente para mim, habita a minha necessidade de ser considerada uma “boa” pessoa – “se consigo suportar tudo isto pelo outro, só posso ser uma boa pessoa…”

E haveria aqui tanto mais para explorar… Este está a ser-me um texto particularmente difícil de escrever precisamente por causa disso. Tenho sentido tantas ramificações a quererem surgir, que fico confusa ao tentar perceber qual delas poderá ser a melhor via a seguir. Mas pronto, no conjunto de todas as nuances, vou escolhendo aquelas que sinto a ressoar mais em mim e, neste momento, parece-me que já está elaborada uma base para poder sustentar aquilo que vem a seguir.

Contudo, antes de avançar, gostaria de saber: está a fazer-te sentido?

Quanto a mim, nunca fez tanto sentido como agora. Reconheço que, por diversas vezes, tenho sido egoísta dentro do caminho do medo e, de cada vez que firmei um destes contratos com alguém, a minha visão não abrangia as entrelinhas das tais palavras formadas por letras miudinhas.

Sim, porque embora à primeira vista não pareça, estes contratos estão repletos delas. E elas são de tal modo significativas que, só ao apreciá-las com a merecida atenção, é que nos capacitamos a reconhecer o real valor de compra do que estamos a acordar. Ora, vejamos…

No exemplo do contrato “A Responsabilidade é Tua”, o prescindir da nossa responsabilidade na questão, transporta consigo muito mais do que aquilo que gostaríamos de deixar ir. Afinal, e como por aqui já foi referido, a Responsabilidade anda sempre de mãos dadas com a Liberdade. Para onde uma vai a outra segue logo no seu encalço… Portanto, de cada vez que dispensamos a nossa responsabilidade, abdicamos também da nossa liberdade.

Neste caso, quando afirmo perante alguém “estou a fazer isto somente por ti”, aquilo que estou a abandonar, logo nesse instante, é a minha responsabilidade/liberdade de escolha. Se considero que é irrelevante ter Coragem de assumir, perante mim mesma acima de tudo, que se trata de algo que escolhi fazer, e que, precisamente por isso, é por mim que o faço em primeiro lugar, já estabeleci uma considerável distância entre mim e a minha Responsabilidade. E no preciso momento em que esse espaço de separação se quantifica, inevitavelmente, a igual distância de mim, fica a minha Liberdade.

As letras miudinhas neste tipo de contrato clarificam ainda que, este afastamento entre mim e a minha responsabilidade/liberdade, para além de ter sido uma escolha minha, provoca uma imediata distância entre mim e a minha Essência. E no exato instante em que ocorre este desalinhamento com quem Sou, surge algo que tendemos a evitar a todo o custo: a dor.

Um sentimento de dor manifesta-se, precisamente, para que consigamos perceber que nos estamos a afastar do essencial: de nós mesmos. Porém, como tendemos a evitar tudo o que nos remeta para a dor, vamos ter dificuldade em reconhecer que fomos nós que a causámos, através das escolhas que fomos fazendo. Quando nos encontramos neste ponto, começamos a vislumbrar a iminência de nos sentirmos culpados por aquilo que nós próprios causámos. E como há um lado nosso que vai querer continuar a mover-se pelo caminho do medo, é aqui que desperta em nós uma vontade de nos afastarmos do outro, projetando para ele tudo o que acabámos de criar. E mais uma vez, por pura desatenção, não percebemos que, se me afasto do outro, para prevenir um eventual surgimento do sentimento de culpa em mim, a pessoa de quem fico mais distante é a minha.

É desta forma que, no âmbito do contrato “A Responsabilidade é Tua”, se reúnem as condições perfeitas para podermos depositar a culpa do nosso mal-estar… no outro. Ao seguir todos estes trâmites cumprimos com a segunda cláusula, sem olhar para as tais das letras miudinhas que referem ainda que, este depositar da culpa no outro, acabará por levar a que ele se afaste de nós também. Ninguém gosta de transportar fardos que não são seus…

No caso do contrato “A Responsabilidade é Minha”, as letras mais pequeninas esclarecem que, se tento tomar para mim toda a responsabilidade, é porque estou a tentar levar comigo muito mais do que aquilo que me pertence.

Ainda te lembras do que é que anda sempre de mãos dadas com a Responsabilidade?

Pois é! De cada vez que tentamos tomar a responsabilidade do outro na questão, “fazendo tudo por ele”, estamos também a tentar levar a sua liberdade. Não estou a dizer que seja de propósito, nem sequer que seja um comportamento consciente mas, que o fazemos, lá isso fazemos.

Ao exercer este tipo de comportamento, em que assumimos uma postura de que só eu consigo fazer algo de bom ou útil pela situação, acabamos por criar uma dinâmica que anula a existência do outro no processo. De modo consciente ou inconsciente, estamos a considerar que o outro é incapaz de lidar com um determinado evento, sendo que até poderá ter sido ele próprio a criá-lo (lembra-te que somos cocriadores da nossa realidade).

O outro, por sua vez, acabará por sentir o que lhe estamos a fazer e, como talvez já te esteja óbvio, terá tendência a afastar-se. E aqui, as entrelinhas que escapam à nossa visão, mas que seguem em paralelo com o exemplo do contrato anterior, esclarecem que tudo isto reflete apenas a enorme distância a que estamos de nós mesmos. Eu estou tão distante de quem Sou – o que me leva a sentir dor – que estou disposta a fazer tudo pelo outro, a ver se dissipo a dor que sinto.

Se a partir daqui os acontecimentos ocorrerem de modo que eu considere favorável, provavelmente ainda vou conseguir desfrutar de uma momentânea sensação de bem-estar. Por outro lado, se o inesperado surgir e eu o considerar desfavorável, como firmei um contrato em que a responsabilidade é toda minha, para além de tentar levar toda a responsabilidade (a minha e a do outro) – e a liberdade do outro -, sem dúvida que ainda vou levar toda a culpa. E é assim que, em menos de nada, colapso todo um abismo, que me faz permanecer a uma enorme distância. Tanto de mim. Como do outro.

E estes são apenas meros exemplos daquilo que é exercer o egoísmo dentro do caminho do medo. Sendo que, na generalidade, o nome que costumamos atribuir a tudo o que aqui foi enumerado, como decretando algo de bom a ser feito, é: altruísmo.

Dá que pensar, não dá?

Espero que sim! Espero que todo este reconhecimento, feito com a devida leveza, toque uma parte tua. Aquela parte que está em alinhamento com quem És. Aquela parte que te incentiva a escolher, Agora e sempre, o Caminho do Amor.

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

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Pelo outro ou por mim? – 3.ª parte

Sinto-me contente por continuares desse lado a acompanhar-me, tanto na leitura, como na partilha do processo de descoberta. Eu, de mim. Tu, de Ti mesmo.

Não sei se sucede o mesmo contigo mas, eu sinto um fascínio imenso no desdobrar desta jornada. E embora ande na minha própria companhia há alguns anos, continua a firmar-se a presença da sensação de que há sempre algo novo a descobrir. A (re)lembrar.

Estes textos mais recentes são-me um bom exemplo disso mesmo.

Para vocês ficarem com uma noção, já tinha sentido que teria de abordar esta temática há cerca de uns três meses. Quando comecei a escrever aquele que se tornou na sua 1.ª parte, considerei que apenas um texto bastaria. Porém, à medida que me vou envolvendo nas palavras e na sua simbiótica reflexão, de vez em quando, emerge uma… possibilidade. Uma possibilidade que me transporta, por uma fração de espaço que se estende diante de mim, para um estado um pouquinho mais além do que aquele onde me encontrava.

São pequenos momentos em que me sinto a abranger mais. A acolher. A integrar. A expandir… E o que resulta daí, de forma mais visível neste suporte, são textos também mais extensos, que acabam por ter de se subdividir.

Aquilo que não se torna tão visível para vocês mas, que eu sinto bem no âmago do meu Ser, de cada vez que o processo flui pelo processo que acabei de vos descrever, é uma imensa Alegria.

E pegando neste ponto posso aproveitar para estabelecer uma ponte com o tema que temos vindo a abordar. Afinal, apesar de eu ter a intenção de que os textos que escrevo cheguem ao maior número de leitores possível, e que cada um de vocês reúna a Coragem necessária para partir – ou continuar – à descoberta de Si mesmo e dos seus Super-Poderes, a verdade é que o faço, essencialmente, por mim. Sou eu a primeira privilegiada a usufruir da sensação de bem-estar que obtenho com todo o processo de escrita e de partilha.

Sou egoísta. Contudo, como referi no texto anterior, ainda estou em fase de aprendizagem. Ainda estou a aprender a aceitar e a acolher esse meu lado, sem lhe inculcar nenhuma carga de que a sociedade me possa considerar uma “má” pessoa, de cada vez que reconheço que faço o que faço por mim. Sempre!

É em momentos como este, em que, apesar de ter em mim uma certa dose de preocupação com essa validação externa, escolho avançar pelo caminho que pode não ser o expectável para os outros mas que, pela orientação do norte da minha bússola interna e pela incrível sensação da vibração que daí resulta, me permite sentir, mesmo que por breves instantes, mais próxima de quem realmente Sou. E à medida que essa contiguidade com a Fonte se vai clarificando, desponta em mim a capacidade de reunir um pouco mais de Coragemé preciso Coragem para escolher o Amor sobre o medo. A dose de Coragem necessária para afirmar que, ser egoísta, dentro do Caminho do Amor, é o nosso estado mais natural de Ser.

Se bem que, mesmo quando não nos estamos a mover no Caminho do Amor, continuamos a exercer as nossas ações por interesse próprio. Sempre.

Por exemplo, quase de certeza que todos nós já ouvimos alguém a dizer-nos: “Estás a ser muito egoísta neste momento!”. Quase de certeza que tu, tal como eu, já disseste a alguém: “Ao agires assim, estás a ser muito egoísta!”.

Atendendo ao que fomos decidindo incutir na nossa programação interna, ao longo dos nossos primeiros anos de existência, proferir expressões semelhantes às enunciadas em relação a um determinado comportamento ou atitude do outro, tornou-se algo habitual. Um habitual que se torna tão frequente e quotidiano no nosso meio envolvente, que nem nos questionamos sobre o que estamos efetivamente a fazer.

E o que é que estamos efetivamente a fazer?

Para não generalizar, até porque a reflexão está a partir de mim e sou eu quem tem de apresentar a sua resposta, vou reformular a questão: “O que é eu estava efetivamente a fazer de cada vez que dizia a alguém: «Estás a ser egoísta»?”

E o incrível é que a resposta que me surge é bastante simples.

De cada vez que eu dizia a alguém que essa pessoa, num certo conjunto de circunstâncias, estava a ser egoísta, no fundo, o que eu lhe estava a dizer era que ela não estava a ter em conta os meus próprios interesses. E se estou a querer que o outro tenha os meus interesses em conta, estou a agir por interesse próprio. Portanto, de cada vez que eu apontava essa característica em alguém, estava a ser o quê? Ora lá está! Sempre a tal da egoísta.

Só que, como temos vindo a perceber, esta forma de ser egoísta é exercida dentro do caminho do medo. O caminho que nos leva à desconexão com a nossa essência. O caminho da vibração da escassez. Da falta…

Se preciso que o outro tenha em consideração os meus próprios interesses, é porque há algo que me está a faltar. E o leque daquilo que me poderá estar em falta pode ser imenso. No entanto, há apenas uma pessoa no mundo capaz de identificar, e colmatar, essa mesma falta.

Não foi o outro quem colocou a falta em mim. Fui eu.

Mesmo que o outro tenha tentado exercer alguma influência para que essa sensação de falta surgisse ou permanecesse, a única pessoa responsável pela escolha de aceitar essa influência sou eu. Sempre eu.

No teu caso, sempre tu.

E por muitas voltas que demos, vamos parar sempre a este ponto. Sempre eu. Sempre tu. Sempre os próprios interesses de cada um.

E, caramba, tenhamos Coragem para tomar esta Responsabilidade para nós. Pois, de cada vez que o fazemos, sentimos o sabor da nossa própria Liberdade. E ela sabe tããão bem…

Sentiste-a a começar a fervilhar em ti?

Por aqui, ela marcou presença. Espero que contigo também. Se assim foi, fica a saboreá-la um bocadinho. Deixa que ela se espalhe e difunda em ti. Fica só a senti-la. Ela merece.

E tu também!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

Vamos semear sonhos? – 4.ª parte

No texto anterior partilhei convosco que, o processo de escrever, dentro das circunstâncias atuais que estou a viver, se tem vindo a tornar num desafio crescente.

Para o nosso Ego, que nos incentiva a escolher o caminho do medo, basta um acanhado resquício de dúvida para que ele comece a alimentar-se. A ganhar estrutura. Dimensão.

Num instante, ele roda a chave na fechadura, escancara a porta e ainda tem lata suficiente para nos convidar a entrar, aliciando-nos não só a fazer a passagem para o caminho do medo mas, a permanecermos por lá.

E, por estes dias, é isto que a minha voz do ego tem andado a fazer…

Passaram-se algumas semanas e, mais uma vez, não cumpri com o meu compromisso de escrever um texto por semana. Então, essa vozinha da Resistência (também conhecida por Ego), insurgiu-se logo para ter tempo de antena. E quando sintonizada nessa estação de rádio, aquilo que mais oiço na minha mente é algo como: “Não tens tempo para isto!”; “É melhor parares!”; “Já não tens mais nada para escrever!”; “Ao fim destes meses não tens assim tantos leitores no blogue!”… and so on… and on… É tagareeela!

Perante a minha intenção de continuar, de algum modo, este processo de escrita e de partilha, aquela bendita voz retruca em catadupa.

Mas, o Universo, na sua maravilhosa maneira de trabalhar subtilmente, colocou-me, este mês, em contacto com o trabalho do Jeffrey Allen.

Durante muito tempo, Jeffrey exerceu a profissão de engenheiro, como trabalho a tempo inteiro, ao mesmo tempo que estudava e trabalhava com a energia (tudo tem origem no campo energético) em part-time.

Até que, um dia, após escolher seguir a voz da sua Intuição, foi encaminhado para vivenciar uma experiência que o levou a perceber que, ao contrário daquilo que julgava, ele era um trabalhador de energia (energy worker) a fazer de conta que era um engenheiro – e não um engenheiro que fazia de conta que era um trabalhador de energia.

Na pesquisa que fiz sobre o seu trabalho, acabei por encontrar este vídeo onde ele diz que, no caminho da nossa jornada espiritual, quando nos deparamos com o momento em que a Resistência se ergue e a mente nos coloca perante inúmeras desculpas para desistirmos, é porque estamos prestes a atingir o ponto de avanço. De evolução. O ponto de rutura com os velhos padrões e a movermo-nos para um novo estado. (Uma nova condição do nosso Ser.) Por isso, em vez de pensarmos “Estou prestes a colapsar”, podemos efetuar uma pequena mudança de perspetiva e pensar “Estou prestes a progredir.”

Entretanto, no blogue, em relação a este texto, e por parte de uma das leitoras mais assíduas, deparei-me com o seguinte comentário: “(…) Comecei a minha jornada em descoberta do Caminho do Amor na mesma altura em que publicaste o teu primeiro texto. Na altura, achei uma coincidência muito feliz e encarei-a como um sinal. Um sinal que me indicava que estava no caminho certo. Procuro, todos os dias, colocar os meus pés junto dos alicerces do meu Ser… Nem sempre é fácil. E, também por isso, é muito bom saber que estás desse lado. (…) Obrigada!*” e, nesse instante, pelo impacto que me gerou, percebi que ele iria fazer parte do corpo do texto que agora escrevo pois, para mim, num momento em que a Resistência estava em expansão, também o encarei como um sinal. Um sinal para continuar. Um sinal que me indica que estou no Caminho certo! Por isso, Obrigada, Juliana! Foi realmente muito bom perceber que também estás desse lado.

E o certo é que, no somatório de todos estes eventos, estou efetivamente a sentir-me a passar por um momento de mudança. Porém, deixo essa partilha para o próximo texto.

Por agora, e pelo trajeto percorrido, parece-me que este acaba por valer pela recordação de que, mesmo que ocorram imprevistos, e que eles resultem em tropeços no caminho para a realização dos nossos sonhos, isso não é fator de impedimento para que as suas sementes brotem.

Fica atento aos sinais e, se a voz da tua Resistência se estiver a tornar dominante, talvez seja porque estás mais perto de te conectar com o teu Ser. Com os teus Sonhos.

E é aqui que reside o super-poder da tua Liberdade de escolha: ou aceitas o convite para entrar no caminho do medo, desistindo daquilo que faz a tua essência vibrar; ou encaras esse convite como a alavanca da oportunidade para poderes realmente progredir na tua jornada.

E enquanto escutas essa voz da Resistência, não lhe resistas mais. Inflama o peito com a tua amorosidade e agradece-lhe.

Ela foi a lembrança de que podes escolher o Caminho do Amor.

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

 Aproveito para deixar um grato agradecimento 🙂 a todos(as) os que por aqui têm passado e que vão partilhando um pouco da sua jornada comigo. Isto é muito mais incrível com vocês desse lado! Obrigada, de ❤

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/emraistlin/9801261825/in/photostream/

Susana Martinho

É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 4.ª parte

Tenho de confessar que, desta vez, tenho estado aqui, a olhar para o computador, sem saber muito bem por onde hei-de começar, apesar de saber, ou pelo menos de ter uma ideia de, qual será o conteúdo deste texto.

Terminei o anterior fazendo-vos um convite. Um convite para que fizessem uma viagem no tempo. No tempo das vossas vidas e que fossem, no mais longínquo que a memória vos permitisse alcançar, identificar o momento em que escolheram sair da vibração do Amor e entrar no caminho do medo.

E estou, neste momento, a sentir um ligeiro calafrio, que se me contorce na barriga, porque fiz este exercício muito recentemente e fica muito claro para mim que, não poderei avançar, sem que, de algum modo, o exponha aqui e o coloque à mercê de quem se disponibilizar a ler estas palavras.

Como vocês sabem, esta parte da exposição, nesta dimensão pública, ainda me é muito nova. E como alguns tijolos, do muro que ainda persiste, e que levei anos a construir, só agora começam a ir abaixo, torna-se inevitável que, a sensação desconcertante de enfrentar o desconhecido se vá insurgindo, vagarosamente, mas firme na vontade de se reivindicar. E é neste fragmento de tempo que me descubro naquela bifurcação e tenho de fazer a minha escolha: caminho do Amor ou caminho do medo? Por isso, aqui estou eu, consciente do medo que se quer apoderar. Contudo, persisto e avanço na escrita, gerando coragem a cada palavra registada, para escolher o caminho que me conecta com a Fonte. (É mesmo preciso Coragem para escolher o Amor sobre o medo…)

Então, muito recentemente fiz esse tal exercício e identifiquei 4 situações em que me desviei do caminho do Amor, para o caminho do medo. Muitas mais teria para reconhecer, no já considerável percurso da minha vida, mas, como pretendia descortinar as primeiras escolhas que havia feito nesse sentido, todas as identificadas ocorreram durante a infância.

O mais longe que consegui ir, no banco de dados existente na minha memória de imagens, foi até perto dos 6 anos de idade. Creio que não será relevante entrar em pormenores mas, tocando assim ao de leve, cresci num ambiente pontuado, de quando em vez, por violência doméstica. Nas duas vertentes: psicológica/verbal e física. E foi nessa idade que registei, aquilo que tenho como o primeiro momento, que vivenciei dentro dessa experiência. Lembro-me da minha mãe a ser agredida, lembro-me de um lavatório a ser arrancado com as mãos (naquela altura, para mim, aquilo era algo praticamente inconcebível) e lembro-me do medo que pairava no ar. No meu irmão, mais novo do que eu, o medo já ocupava a forma de pânico e lembro-me de o ver, encurralado nesse sentimento, movendo o corpo todo, como que a querer trepar por uma parede, como se dali pudesse surgir uma hipótese de fuga.

Das 4 situações partilho convosco apenas esta. Parece-me suficiente para que se possa perceber que não importa a intensidade ou as circunstâncias do evento ocorrido. Até porque a intensidade é uma medida muito relativa, que vai da escala de valores de cada um – e que a cada um, somente, compete -, e aquilo que considero muito marcante pode ser quase insignificante para outra pessoa, e vice-versa.

O que importa é que, a certa altura do percurso da vida, todos nós nos deparámos com um evento que nos fez desviar do caminho decorrente da nascente.

Mais do que isso, aquilo que realmente importa, e que gostaria que cada um de vocês sentisse, no âmago do vosso ser; aquilo que efetivamente pode determinar, daqui em diante, a vossa vontade de criar CORAGEM para escolher o caminho do Amor, é que, em momento algum, alguém me/te obrigou a escolher desviar-me/desviares-te desse caminho.

Naquela situação, assim como nas outras 3, não houve alguém que me tenha dito, ou sequer sugerido, “A partir de hoje, quando te deparares com uma situação deste género, tens de sentir medo.” Não houve alguém que me tenha influenciado, obrigado, exigido a escolher de outra forma.

Durante muito tempo acreditei e senti que, de algum modo, tinha sido influenciada na tomada de decisão dessa escolha mas, esta crença só surgiu porque, a minha maturidade emocional, ainda não estava capacitada para integrar aquelas situações, de forma harmoniosa, no meu Ser. O certo é que: Eu escolhi. Eu decidi. Eu meti-me por esse caminho dentro… e tanto tenho seguido por ele.

Quanto a ti, seja qual for a situação que tenhas identificado, aposto que ninguém te obrigou a fazê-lo também. Todos somos dotados de livre-arbítrio e isso significa que, mesmo em situações extremas, a escolha por qual dos dois caminhos vamos seguir compete, única e exclusivamente, a cada um de nós. É uma escolha individual. Como referi no texto da semana passada, e talvez agora fique mais claro: é uma escolha pessoal e intransmissível.

À medida que fui descrevendo aquela situação, para partilhar agora convosco, tornou-se até bastante óbvio que todos os envolvidos, sem qualquer ponta de exceção, estavam no caminho do medo. E a primeira pessoa que para lá se desviou foi precisamente aquela que, aparentemente, era a mais dominante. Só alguém que se movimenta completamente por esse caminho pode agir daquela forma… ou de outras que podem, ou não, ser semelhantes.

Voltando ao exercício em que identifiquei situações, nas quais escolhi o caminho do medo em vez do caminho do Amor, o passo que se seguia era reconhecer algo que eu tivesse aprendido com cada uma delas. E, logo depois, manifestar gratidão, também por algo que vivi em cada um desses momentos. Pode parecer tarefa difícil – e foi – mas, acredita, é possível.

Uma das coisas que aprendi foi a não querer exercer certas atitudes sobre outras pessoas e, hoje, enquanto escrevia este texto, para além dos três motivos que já tinha encontrado para agradecer em cada situação, descobri mais um. Hoje sou grata por finalmente ter compreendido que, aquela pessoa que nos agredia, estava a vibrar pelo medo, conectada com a escassez… Dentro das suas células, a sua energia bradava que havia – ou que ele seria – tanto que não lhe era suficiente… E isto ajuda a transformar ainda mais o meu olhar, que adquire uma maior amplitude e serenidade, e me torna mais capaz e consciente das escolhas que quero fazer daqui em diante. Por isso, Obrigada!

E tu, na situação que identificaste como sendo o teu primeiro desvio do caminho do Amor para o caminho do medo, consegues perceber algo que tenhas aprendido com ela?

Depois de o fazeres, lembra-te de agradecer. Mais que não seja, sê grato(a) por isso que aprendeste! A gratidão tudo eleva.

Respira fundo e agradece

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

 

É preciso coragem para escolher o Amor sobre o medo… – 3.ª parte

Para aqueles de vocês que, como eu, só agora tomaram consciência que nasceram na vibração do Amor, talvez importe explorar um pouco mais o que isto significa nos termos práticos em que costumamos orientar as nossas vidas…

Somos todos oriundos dessa Fonte, que originou todo o sistema no qual também estamos inseridos – o esplendoroso Universo. Basta olharmos à nossa volta, para as pequenas particularidades que ocorrem, a cada instante, na Natureza, para percebermos o quanto este sistema é perfeito, inteligente… e abundante.

Já repararam em quanta diversidade e beleza existe na Natureza? Já repararam em como, sem qualquer intervenção humana, tudo está organizado e funciona de acordo com uma lógica, que acolhe e incorpora todos os seres? Já repararam em como nos sentimos quando contactamos com a Natureza, nem que seja num simples contemplar do mar, de uma flor, do céu…?

Tudo está projetado e concebido para a totalidade. Por isso, é inevitável sermos invadidos por uma sensação de união, de conexão, precisamente porque nos conectamos com essa Fonte Criadora que vibra, que É: Amor. E, se apenas ao nível daquilo que a nossa visão consegue divisar, tudo isto é possível, resta-nos sonhar (e podemos fazê-lo), com tudo o que está para lá daquilo que os nossos olhos não abrangem mas que, mesmo assim, é passível de podermos alcançar.

Como é nesta vibração do Amor que nascemos, é no Caminho da Abundância que começamos, desde logo, a desempenhar o nosso plano de vida. Nascemos em união, envoltos em plenitude e fluidez; sem preocupações, sem escala de valores daquilo que nos é ou não importante, sem questões que nos inquietem, sem noção do Eu e também sem noção do que é dor…

Depois vamos crescendo…

De forma muito gradual e em contacto com a peculiaridade do mundo exterior que envolve cada um de nós – é Um Mundo feito de incontáveis mundos – vamos formando a consciência do Eu e vamos construindo o nosso Ego.

Algures pelo percurso, sem agenda estipulada ou aviso prévio, e sem ser num tempo comum que se possa generalizar, fatalmente, vivenciamos uma experiência para a qual ainda não dispúnhamos de maturidade emocional suficiente para a conseguirmos integrar. Esta experiência ocorre, geralmente, durante o período da infância e não será caso único.

Em qualquer momento da nossa vida – infância, adolescência, fase adulta… – iremos cruzar-nos com situações que nos despertam uma sensação de inadaptabilidade e tomaremos uma destas ações: suprimir ou reprimir essas experiências. E é aqui que acontece. É no exato momento em que fazemos esta ESCOLHA – suprimir ou reprimir – que nos desviamos do Caminho do Amor para o caminho do medo.

E sim, por muito inconsciente que seja, é uma Escolha. Mais do que isso, é uma escolha pessoal e intransmissível.

E, como tudo na vida, tem as suas consequências…

Assim que escolhemos entrar no caminho do medo, escolhemos também conectarmo-nos com a escassez. Surge o medo de não sermos suficientes; de que aquilo que fazemos não é suficiente; de que o dinheiro que dispomos não seja suficiente; de que aquilo que alcançámos até então não seja suficiente; de que a felicidade que sentimos, às vezes por meros instantes, não seja suficiente… Enfim, nada é suficiente. E, se nada é suficiente, temos medo até da própria escassez, o que só nos faz vibrar ainda mais por ela.

E é desta forma que, tantos de nós, se não todos, num determinado momento da vida, ficamos emaranhados, infelizes e com uma sensação de estagnação. Parece que a vida se imobiliza diante de nós e, como estamos tão focados e turvados pela vibração do medo, nem nos apercebemos que a vida nos está apenas a devolver o eco daquilo que estamos a emanar.

Quanto a mim, tomar consciência disto tudo, foi o que me fez perceber e assumir – primeiro, perante a minha própria pessoa, depois diante de vocês – que tenho enveredado muito mais pelo caminho do medo, tal como referi no texto da semana passada.

E tu, consegues perceber em qual dos caminhos estás neste momento? Consegues identificar em que altura do percurso, da TUA vida, escolheste fazer o desvio para o caminho do medo? Convido-te a ires à descoberta desse momento. Garanto-te que, descobri-lo, pode ser algo transformador na e para a tua vida.

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho