Pelo outro ou por mim? – 3.ª parte

Sinto-me contente por continuares desse lado a acompanhar-me, tanto na leitura, como na partilha do processo de descoberta. Eu, de mim. Tu, de Ti mesmo.

Não sei se sucede o mesmo contigo mas, eu sinto um fascínio imenso no desdobrar desta jornada. E embora ande na minha própria companhia há alguns anos, continua a firmar-se a presença da sensação de que há sempre algo novo a descobrir. A (re)lembrar.

Estes textos mais recentes são-me um bom exemplo disso mesmo.

Para vocês ficarem com uma noção, já tinha sentido que teria de abordar esta temática há cerca de uns três meses. Quando comecei a escrever aquele que se tornou na sua 1.ª parte, considerei que apenas um texto bastaria. Porém, à medida que me vou envolvendo nas palavras e na sua simbiótica reflexão, de vez em quando, emerge uma… possibilidade. Uma possibilidade que me transporta, por uma fração de espaço que se estende diante de mim, para um estado um pouquinho mais além do que aquele onde me encontrava.

São pequenos momentos em que me sinto a abranger mais. A acolher. A integrar. A expandir… E o que resulta daí, de forma mais visível neste suporte, são textos também mais extensos, que acabam por ter de se subdividir.

Aquilo que não se torna tão visível para vocês mas, que eu sinto bem no âmago do meu Ser, de cada vez que o processo flui pelo processo que acabei de vos descrever, é uma imensa Alegria.

E pegando neste ponto posso aproveitar para estabelecer uma ponte com o tema que temos vindo a abordar. Afinal, apesar de eu ter a intenção de que os textos que escrevo cheguem ao maior número de leitores possível, e que cada um de vocês reúna a Coragem necessária para partir – ou continuar – à descoberta de Si mesmo e dos seus Super-Poderes, a verdade é que o faço, essencialmente, por mim. Sou eu a primeira privilegiada a usufruir da sensação de bem-estar que obtenho com todo o processo de escrita e de partilha.

Sou egoísta. Contudo, como referi no texto anterior, ainda estou em fase de aprendizagem. Ainda estou a aprender a aceitar e a acolher esse meu lado, sem lhe inculcar nenhuma carga de que a sociedade me possa considerar uma “má” pessoa, de cada vez que reconheço que faço o que faço por mim. Sempre!

É em momentos como este, em que, apesar de ter em mim uma certa dose de preocupação com essa validação externa, escolho avançar pelo caminho que pode não ser o expectável para os outros mas que, pela orientação do norte da minha bússola interna e pela incrível sensação da vibração que daí resulta, me permite sentir, mesmo que por breves instantes, mais próxima de quem realmente Sou. E à medida que essa contiguidade com a Fonte se vai clarificando, desponta em mim a capacidade de reunir um pouco mais de Coragemé preciso Coragem para escolher o Amor sobre o medo. A dose de Coragem necessária para afirmar que, ser egoísta, dentro do Caminho do Amor, é o nosso estado mais natural de Ser.

Se bem que, mesmo quando não nos estamos a mover no Caminho do Amor, continuamos a exercer as nossas ações por interesse próprio. Sempre.

Por exemplo, quase de certeza que todos nós já ouvimos alguém a dizer-nos: “Estás a ser muito egoísta neste momento!”. Quase de certeza que tu, tal como eu, já disseste a alguém: “Ao agires assim, estás a ser muito egoísta!”.

Atendendo ao que fomos decidindo incutir na nossa programação interna, ao longo dos nossos primeiros anos de existência, proferir expressões semelhantes às enunciadas em relação a um determinado comportamento ou atitude do outro, tornou-se algo habitual. Um habitual que se torna tão frequente e quotidiano no nosso meio envolvente, que nem nos questionamos sobre o que estamos efetivamente a fazer.

E o que é que estamos efetivamente a fazer?

Para não generalizar, até porque a reflexão está a partir de mim e sou eu quem tem de apresentar a sua resposta, vou reformular a questão: “O que é eu estava efetivamente a fazer de cada vez que dizia a alguém: «Estás a ser egoísta»?”

E o incrível é que a resposta que me surge é bastante simples.

De cada vez que eu dizia a alguém que essa pessoa, num certo conjunto de circunstâncias, estava a ser egoísta, no fundo, o que eu lhe estava a dizer era que ela não estava a ter em conta os meus próprios interesses. E se estou a querer que o outro tenha os meus interesses em conta, estou a agir por interesse próprio. Portanto, de cada vez que eu apontava essa característica em alguém, estava a ser o quê? Ora lá está! Sempre a tal da egoísta.

Só que, como temos vindo a perceber, esta forma de ser egoísta é exercida dentro do caminho do medo. O caminho que nos leva à desconexão com a nossa essência. O caminho da vibração da escassez. Da falta…

Se preciso que o outro tenha em consideração os meus próprios interesses, é porque há algo que me está a faltar. E o leque daquilo que me poderá estar em falta pode ser imenso. No entanto, há apenas uma pessoa no mundo capaz de identificar, e colmatar, essa mesma falta.

Não foi o outro quem colocou a falta em mim. Fui eu.

Mesmo que o outro tenha tentado exercer alguma influência para que essa sensação de falta surgisse ou permanecesse, a única pessoa responsável pela escolha de aceitar essa influência sou eu. Sempre eu.

No teu caso, sempre tu.

E por muitas voltas que demos, vamos parar sempre a este ponto. Sempre eu. Sempre tu. Sempre os próprios interesses de cada um.

E, caramba, tenhamos Coragem para tomar esta Responsabilidade para nós. Pois, de cada vez que o fazemos, sentimos o sabor da nossa própria Liberdade. E ela sabe tããão bem…

Sentiste-a a começar a fervilhar em ti?

Por aqui, ela marcou presença. Espero que contigo também. Se assim foi, fica a saboreá-la um bocadinho. Deixa que ela se espalhe e difunda em ti. Fica só a senti-la. Ela merece.

E tu também!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho

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Vamos semear sonhos? – 5.ª parte

Como anda o teu processo de sonhar? Tens descoberto quais são as sementes dos sonhos que trazes em ti para que os possas semear? E o mais essencial: tens nutrido, mesmo que seja só por uns breves instantes por dia, o amor por ti?

Todos estes passos são indispensáveis para a concretização de sonhos e espero que, ao teu ritmo, andes a colocar os teus passos a trilhar o caminho que te leva em direção a eles!

Se tens vindo a perceber o que faz o teu coração vibrar, também tens vindo a desvendar quais são os desejos que te movem. Que é o mesmo que dizer que tens vindo a descobrir quais são as sementes dos teus sonhos e, como sementes que são, já contêm em si todo o potencial e informação para que possam germinar. Para que se possam manifestar.

Por esta altura, acredito que estejas mais consciente de que o Caminho do Amor é o terreno fértil em Abundância para que possas semear os teus sonhos e que o Amor-Próprio é efetivamente a seiva com que os podes nutrir.

Com esta tomada de consciência, lembra-te que só vives no Agora.

O instante em que estás a viver, mais do que ser o tempo presente, é o único momento em que podes realmente experienciar a Vida. E é nele que tens a possibilidade de semear os teus sonhos. Uma sementinha de cada vez…

No Ciclo do Sonho, é imprescindível que cultives os teus sonhos no Agora, tendo por base quem És, neste exato momento da tua Vida.

Esta fase do processo é tão importante porque, sonhos que sonhaste no passado, podem fazer-te vibrar por aquilo que achas que te faz falta. Por uma energia que já não és. Por outro lado, não o faças com o foco no futuro também, pois, ao te projetares nesse tempo que ainda está por vir, sais do momento em que estás a viver. E como deixas de estar presente neste que é o instante mais fulcral da tua vida, o mais provável é que, movido pela ansiedade da incerteza que é inerente a tudo o que é vindouro, coloques a semente, desse sonho que tanto queres ver brotar, no terreno do caminho do medo. E lá, ele acabará por germinar mas, nunca com o brilho, a magnificência e o encanto que só o terreno do Caminho do Amor pode proporcionar.

Portanto, tu és o agricultor dos teus sonhos. Como tal, tens de estar atento às épocas de cultivo respeitantes aos diferentes tipos de plantação, para que possas colocar as sementes na terra no momento mais propício à sua germinação.

Aqui chegados, estamos prestes a entrar naquele que talvez se possa considerar o passo mais difícil de conseguir estabelecer, e que é: entregar! Soltar…

E como aplicar analogias com o que acontece na Natureza nos ajuda sempre no processo de compreensão da nossa realidade, para entendermos melhor em que consiste o “soltar”, lembremo-nos do que faz o agricultor.

Depois de ele ter lançado as sementes à terra, por muito que tenha preparado o terreno e planeado o sistema de plantio, as condições meteorológicas, por exemplo, são condicionantes que ele não pode controlar.

Para além disso, ele não pode forçar a planta a brotar da terra e a crescer, antecipando o tempo da colheita. Ao agricultor, resta aguardar e confiar no próprio processo de germinação das sementes que lançou à terra. No seu íntimo, ele sabe e confia que elas contêm em si toda a informação necessária para se desenvolverem. Afinal, se ele deitou na terra sementes de macieira, serão macieiras que irão germinar.

Caso ainda te sintas em dúvida, lembra-te que tu também és um sonho manifestado!

Estás aqui, a ler este texto, como um ser humano completamente formado mas, também tu, já foste uma sementinha. Uma semente que, ao se dividir, se multiplicou. Da união de duas células, outras duas se formaram, até que fossem dezenas, centenas… milhares.

E a mãe que te abrigou no seu ventre, não teve de andar a pensar, a planear e a controlar como fazer para que os teus órgãos, as tuas pernas, os teus braços, os teus dedos, o teu corpo se formasse. Restou-lhe confiar no processo e esperar. Esperar o tempo da colheita. Esperar o momento do teu nascimento.

E aqui estás tu. Sonho manifestado e criado. Um sonho com vários sonhos dentro.

Todos esses sonhos que fazem parte do teu Ser, são sementes em estado de latência, aguardando as condições ideais para germinar. Sendo que tu és a única pessoa no mundo que os pode cultivar.

Por isso, respira. Profunda e calmamente. Foca a tua atenção na tua respiração e estarás a colocar as bases do teu Ser no Agora. Nesse instante, pergunta ao teu coração: o que posso fazer para que te sintas feliz? Qual é o sonho que queres manifestar? E deixa que a resposta surja. As respostas sempre surgem…

Quando ela surgir, irás perceber uma alegria que emana do teu coração. Permite-te vibrar por essa alegria e, quando sentires essa emoção com todo o teu Ser, podes ter a certeza de que estás a pisar o terreno fértil em Abundância do Caminho do Amor. Com essa certeza no peito, celebra quem és. Começa pelo ponto que mais gostas no teu Ser e expande esse sentimento. Expande o Amor por ti.

Nutre o teu Sonho com o teu Amor-Próprio e torna-o apto a manifestar-se. Quanto mais nutrido estiver o teu Sonho, mais Tu te manifestas também.

E lembra-te de soltar a semente. Lança a semente nesse terreno conectado com a Fonte e rega-a com a tua alegria.

Lança a semente confiando que ela contém em si tudo o que precisa para brotar e crescer.

O teu verdadeiro trabalho é Ser. É Sonhar. E no íntimo da tua essência, tu sabes que esse sonho é para soltar. É para entregar.

Confia!

Pela Coragem de escolher o Caminho do Amor, com leveza.

Susana Martinho