O teu sistema de orientação é único

Numa altura em que, de algum modo, ainda predomina entre as pessoas uma comunicação que incita: à preocupação, ao incómodo, ao julgamento, à culpa (própria), ao culpar (o outro), ao medo e à angústia… entre outros, compreendo perfeitamente que, quando nos deparamos com mensagens que mencionam que a solução reside no lado do nosso bem-estar, consideremos que isso é, no mínimo, esquisito e um tanto ou quanto sem noção.

No entanto, no exato momento em que me encontro a escrever estas palavras, sinto que compreendo tudo isto de um modo como nunca abrangi. E é precisamente pelo facto de a minha clareza se ter expandido neste saber que considero que, mesmo podendo ficar na iminência de ser encarada como um pouco crazzy por alguns, enquanto me conseguir manter no embalo do momento do bem-estar, vou aproveitá-lo. Não só para que possa ir nutrindo a sua continuidade, mas também para o ir partilhando com quem aqui chegar, pois acredito que, para quem estiver na proximidade destas ideias, possa acontecer exatamente o mesmo: mais clareza, mais sintonia e mais momentos de alinhamento e de conexão com quem realmente Somos e com o que realmente Sabemos. Para além disso, também me parece bastante provável que a quantidade de pessoas recetivas a esta informação possa estar em vias de aumentar. Se não, vejamos, imagina que, logo no início da situação, alguém te perguntava: o que é que consideras que toda a atenção e preocupação vão fazer com o problema? Vão aumentá-lo ou vão diminui-lo? O que é que terias respondido? E se fosse agora? Se alguém te perguntasse agora: o que é que toda esta atenção e preocupação fizeram com o problema? Aumentaram-no ou diminuíram-no? O que dirias?

Lembra-te de ter presente que não se trata aqui de obter respostas certas ou erradas. Nem sequer se trata de obter respostas unissonantes. Portanto, é quase garantido que as respostas possam variar de pessoa para pessoa mas, também é quase certo que, depois de todos estes meses de contacto com a situação, nos acresça toda uma experiência de várias experiências vividas que nos adicionaram mais conhecimento e saber. E por aí creio que, após esta soma, seja mais fácil para as pessoas, na sua generalidade, perceberem que colocar um foco constante num problema só contribui para ir tornando esse problema maior.

Com tudo isto, espero que percebas que não estou a ambicionar que consideres o problema em causa como inexistente. Antes pelo contrário. É perfeitamente normal que tenhas uma opinião (ou várias) sobre o tema, assim como é perfeitamente válido, e até vantajoso, que nas observações que estabeleces sobre ele, sejas capaz de identificar e enumerar diversos aspetos que não gostes ou com os quais não te identifiques.

Eu própria tenho a minha opinião formada sobre o assunto em particular. Porém, não tenho qualquer intenção de vir para aqui partilhá-la. Até porque, a minha opinião, no que a ti diz respeito, é completamente irrelevante. E sabes porquê? Porque na tua vida, sejas tu quem fores e estejas em que circunstâncias estiveres, só a tua opinião importa.

Ora bolas! A rapariga deve mesmo estar a dar o tilt. Não sei o que é que é mais estranho: ela dizer que a solução reside no lado do meu bem-estar ou ela dizer que, em cada situação da minha vida, só a minha opinião importa… 🙂

Pois é! Disse, escrevi, afirmo, sublinho e reafirmo: na tua vida, independentemente das circunstâncias nas quais estás inserido, só a tua opinião importa. E porquê? Porque essa é a única opinião, a única forma de pensar, que podes realmente sentir.

E apesar de, no nosso dia-a-dia, termos um certo hábito de ir dando por adquirido que sabemos o que se passa com os outros, na realidade, conseguimos apenas ir compondo uma mera ideia, provavelmente muito vaga e fugaz, daquilo que com eles se sucede. E se estás na dúvida, diz-me lá: achas que consegues saber, com precisão, o que é que o pai, a mãe, os filhos, os tios, os amigos, os avós, o cão, o gato, o periquito… (quem for), pensa? Hum?

Será que consegues saber, minuciosamente, os pensamentos que lhes passam pela mente? Será que consegues sentir, exatamente, aquilo que eles sentem?

Pois é! Não há hipótese. E ainda bem. Aliás, este é um dos motivos pelos quais referi, no texto anterior, que tens em ti o melhor sistema de orientação do mundo, Universo e arredores. Aquilo que tu sentes, em relação às tuas opiniões e pensamentos, só tu podes sentir. E assim como tu não tens a capacidade de pensar e sentir por ninguém, também ninguém tem a capacidade de pensar e sentir por ti.

Consegues sentir o quão especial isto é?

O teu sistema de orientação é único. Tão único que funciona só contigo.

Essa bússola que reside em ti é tão única, que é só para ti que ela está disponível.

Contudo, e isto é mesmo (mesmo, mesmo) importante, lembra-te: não há um só ser, que habite este planeta, que não esteja igualmente dotado de um incrível e infalível sistema de orientação.

Portanto, a questão que se coloca é: tens andado a usar o teu?

Pela (re)conexão com o Amor que És, com leveza.

Susana Martinho

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